sábado, 9 de julho de 2016

Um pouco de "Cá de dentro"



Os olhinhos estavam brilhando. Expectativa por parte deles. E eu? Nem dá pra falar, tamanha a minha emoção neste encontro... 

Essa semana fui visitar e levar alguns exemplares do livro "Cá de dentro" na escola em que o Felipe estuda, especificamente para toda a sua turma do 7º ano. Alguns rostinhos já são bem conhecidos pois estão juntos desde o maternal. Fiz questão de fazer uma dedicatória para cada um dos alunos e alunas. 

Pré-adolescentes inteligentes, raciocínio rápido, alegres, brincalhões, respeitosos e com um alto astral maravilhosamente contagiante. Me senti à vontade. Contei um pouquinho da paixão pela escrita e como ela despertou em mim. 

Era aula de português. Não podia ser diferente. Devo muito aos meus professores mas tenho um enorme carinho por esta disciplina e pelos mestres que me incentivaram. A recepção foi simplesmente fantástica por parte da professora, coordenadora e diretora.

Acredito muito que naquela turminha existem talentos em formação e grandes apaixonados pela arte de escrever. Que o tempo conserve a essência e a pureza no coração desses jovenzinhos. Que no futuro as lembranças sejam fontes de inspiração e de muita poesia viva. Ousem!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Convenção nos autos da praça III


A quadra da praça estava vazia. Nenhum dos frequentadores assíduos estava lá para uma disputa de futsal descalço. O motivo é o período de férias. Nas férias não se joga bola na praça que fica próxima a uma escola. O bom é participar de um importante racha em período letivo. Fora disso, as férias devem ser curtidas longe dali. Suspeito que deve ser esse o motivo.

Não havia casais enamorados exalando corações em carinhosas trocas de olhares. O movimento realmente já esteve melhor. Apenas uma meia dúzia inteira de pessoas, entre adultos e crianças, no rol dos aparelhos de ginástica.

Ao centro, de seis bancos de pedra que lá existem, três estavam ocupados por distintos grupos concentrados em sua inconfundível tragada no modesto cigarrinho do capeta, vulgo baseado. Num determinado banco eram dois rapazes e uma moça. Noutro, apenas três camaradas em estado zumbi, que não faziam questão de se atentar ao que ocorria ao redor. No terceiro uma dupla de rapazes, aparentando um cara mais velho e talvez um adolescente, conversavam em gíria e sorriam descontroladamente ao som de um rap.

Num determinado ponto, atrás de um banco de pedra, estão os cativos da praça. Um grupo com cinco ou seis pessoas esparramados em papelões e cobertores, rodeados por mochilas, sacolas plásticas, muita cachaça e pouca comida. Ali os senhores de seu tempo, desertores da sociedade, libertados e dependentes, se reúnem como uma sociedade que não tem outra finalidade além da sobrevivência sem incômodo.

Estive invisível aos olhos de todos. Passei duas vezes, ida e vinda, e tenho certeza que não fui notado. Não havia outra intenção além de observar. Acredito que, principalmente este grupo de senhores que levam a vida ali naquele reduto, sentem e pensam como eu: são invisíveis na praça.

Imaginei assim que a praça é apenas passagem diante de algumas belas paisagens. Passagem, travessia, começo e fim, entrada e saída. É um encurtamento de caminhada com algumas trilhas sinuosas. A maioria dos pedestres alargam as passadas apressadamente para saírem logo daquele lugar. Talvez seja medo dos cativos. Há quem não olhe para os lados e se recusa a enxergar o óbvio. Há também, quem prefira caminhar por fora evitando cruzar com os que estão dentro. Outros o fazem por mera precaução.

O ilustre poeta do sertão, Guimarães Rosa, em um provérbio de "Grande Sertão: Veredas" atesta o meu pensamento quando diz: "O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." Algumas praças, desertos, casas e corações estão repletos de anseios na saída e na chegada. A importância para a travessia talvez nunca será dada num mundo que impõe apenas metas e não propõe vivências. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Bataclã Planalto: renúncia maldita


Aos 45 do segundo tempo, dentro do prazo hábil para realizar um último ato e fazer uma estratégica saída pela tangente, em uma infame e indigna encenação de quinta, o ex-chefe da casa grande, o cacique que escorregou em sua própria lama, este que comandava a orgia política no parlamento, manipulando insanas (des) aprovações, corrompendo o papel a que lhe foi atribuído, tudo por benefício próprio ou, no mínimo, por interesses de terceiros que lhe trouxessem benefícios prósperos, o ex-líder das absurdas jogatinas de poder no bataclã planalto protagoniza um desfecho melodramático com direito a lágrimas e faz a tão esperada, pelos brasileiros, renúncia maldita. Tchau, seu Cunha, querido! 
PRÓXIMOOO!!!

Luz acesa


Deixe a luz acesa
Não tardo a chegar
Destranque a porta
Prepare a mesa
Eu vou voltar
Nada mais importa

As flores do jardim
Perfumam a lembrança
E me faz voltar no tempo
A saudade bateu em mim
E me trouxe a esperança
E já baniu velhos tormentos

Não deixo mais a vida passar
Quero o improvável sorriso
Na face de um céu estampado
Só deixo ela me levar
E de um jeito atrevido
Vou sonhando acordado

Voltarei ao começo
Renascendo pela manhã
Depois da guerra encerrada
Minha razão desobedeço
À meia luz de uma noite sã
O acaso me traz a canção enluarada

Do tempo ao tempo eis um menino
Vai correndo, suando e sonhando
Coração inquieto a lutar
Numa alma de poesia e de cruz
Encara firme seu destino
Pés no chão vai firmando
É hora de levantar
Apague a luz

terça-feira, 5 de julho de 2016

Casa da árvore


Na casa da árvore vivenciamos 
Tantos mundos, tantas guerras, 
Mil e uma histórias sobre a terra
Plantamos flores e os sonhos cultivamos

Demos cores ao abstrato
Construímos pontes, desbravamos mundos
Voamos rumo ao céu e mergulhamos fundo
Erguemos muros e balançamos alto

Lutamos as maiores batalhas
Deciframos pistas e desvendamos segredos
Nossas armas eram de brinquedo
E o mal ali nunca que atrapalha

Construir no tempo o que a gente quis
Companheiros e amigos de verdade
Pai e filho pela eternidade
Nossa missão era brincar e ser feliz

Tudo o que fizemos não foi em vão
Cada momento ficou eternizado
Essa é a nossa vida, o nosso legado
Viver a vida com amor no coração


PS: A Casa da Árvore nunca ficou pronta. Essa era a ideia, 
uma obra eterna, e esse era o ponto que nos permitia sonhar juntos.
Sempre havia motivos para mudar as coisas e acrescentar outras.
Trabalho e sonho que nunca tiveram fim. Imagino que 
se um dia a obra estivesse acabada, as coisas poderiam 
perder a graça. Muito mais marcante e enriquecedor 
que atingir o ápice da montanha é saborear as aventuras, 
as dificuldades e as conquistas que se passa pelo caminho da subida.
Esses, com certeza, são momentos grandiosamente únicos
que ficarão eternizados na memória e no coração. 
Sonhar e ousar, sempre!
Para: Felipe Andrade Rosa de Oliveira

Ass.: Papai...