quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Velhos fantasmas



Velhos fantasmas nunca morrem
Apenas dormem
E vez ou outra acordam para te saudar
Quando muito, ficam trancafiados e amordaçados
Alguns enterrados ainda vivos
Mas em certas horas
De silêncio e solidão
Ausências e abandonos 
Fazemos questão de dialogar com eles

Contrapontos sociais: a hipocrisia travestida

Algumas coisas marcaram de forma ímpar a sociedade brasileira antes, durante e após as últimas eleições ocorridas em 2018. Particularmente me atentei para os discursos inflamados de algumas que se julgavam acima do bem e do mal. Frases de efeito que se tornaram bordões na boca dos cidadÕEs de beim.

Dentre frases, citações, discursos carregados de ódio, destaco algumas pérolas que tive a infelicidade de presenciar ou simplesmente acompanhar pelo mundo virtual:

O rapaz que se passa por mendigo para pedir esmola no semáforo, ao final do expediente troca suas roupas, monta em sua moto semi-nova e vai para casa. 

A colega que se tornou empresária, não frequentou faculdade mas comprou seu diploma, tornou-se militante virtual anti-esquerda e anti-PT principalmente, com recalques de anticorrupção.

O sucedido homem de negócios que adquiriu objetos, produtos de furto, por serem mais baratos.

O cristão que abomina o aborto mas é a favor da pena de morte. Faz o sinal da cruz dentro da igreja e fora dela faz arminha.

Por incrível que pareça, esses exemplos reais trajavam a armadura verde-amarela com slogans anticorrupção, demonizaram a esquerda como um todo e apoiaram o presidente eleito em nome de "Deus, da Pátria e da família".


Porque todo cidadão de bem precisa se auto afirmar para que ele mesmo possa acreditar nessa máxima travestida de hipocrisia.

Por fim, compreendo que a corrupção não está no partido mas sim nas pessoas, independente do seu partido, do seu lado e da sua religião. O contraposto disso é a tão condenada hipocrisia.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Sobre o tempo e sobre a morte


Nada abala de forma tão profunda como a morte repentina, desavisada e trágica que retira de cena seus protagonistas antes do fim do espetáculo. Sim, a peça da vida tem que continuar e a única certeza é a de que nada será como antes. O silêncio continuará dando voz ao papel que segue sem substituto. E esse vazio será notado, sentido, vivido, celebrado, eternizando quem antes sonhou e viveu, ou se desnudou em pensamentos para o mundo. As engrenagens se ajustam à medida que o tempo avança. Os móveis serão reorganizados em cada cenário, e mesmo assim, a presença continuará forte. E aí compreenderemos que a matéria se finda mas a memória se eterniza.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Antigas utopias para novas batalhas



Já dizia Dante Alighieri: "as salas mais sombrias do inferno são reservadas àqueles que se mantiveram inertes em tempos de crise moral".

Atualizando para o atual momento político do país posso dizer que "os omissos são tão ruins quanto os que apoiam a tortura". É um fato que ganha força e adeptos sem senso crítico, infelizmente.

Muita gente que carregava ódio e preconceito dentro de si, se viu representada com a eleição do atual presidente.

Mesmo antes de sua posse seus seguidores extremistas e até os mais ponderados já se sentiam no direito de agir conforme a fala do representante eleito.

Ele representa a estupidez que não se disfarça, a idiotice assumida e a conivência benevolentemente hipócrita. O falastrão lidera uma geração de idiotas!

Que se conste: não há ódio contra os apoiadores do bozo (inocentes, coniventes, ignorantes, medíocres, hipócritas...), o que de fato existe é um repúdio incomensurável e o asco diante de tanta merda proferida pelo líder e seus seguidores.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Ragnarök, Gênesis e Apocalipse.


O Ragnarök, destino final dos deuses segundo a mitologia nórdica, tem muito em comum coincidência com o Gênesis e o Apocalipse do cristianismo. A eterna batalha entre bem e mal que acontece no mesmo momento em que o mundo se consome em destruição são prenunciadas em ambos, tanto quanto o recomeço utópico que se dá após cada catástrofe. 


Através da particularidade de cada religião e crença, tudo nos leva a perceber que início e fim, vida e morte estão num contexto cíclico de eternidade sempre presente, aqui e agora. 

Viver apenas em busca da promessa de eternidade incorre no risco de roubar de si a chance de uma vida real e em liberdade.

Tudo e todos os que se aproveitam da inocência e fragilidade alheias para alienar e doutrinar, tirando a possibilidade da libertação plena e da liberdade do pensar, do descobrir e do agir, cerceando o senso-crítico individual e coletivo, não é nem digno de ser considerado religião nem religioso (a).