terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Reflexões sobre a vida, suas histórias, suas memórias e a morte



Já não vejo a morte com medo, nem como inimiga que um dia terei de enfrentar. Quanto mais o tempo de vida passa, mais tenho convicção de que estou cada vez mais perto dela. Não é melancolia, nem poesia mas uma certeza tranquilizadora que só a maturidade estabelecida pelo tempo me permite olhar para este horizonte sem medo e refletir sobre toda e qualquer possibilidade. 

A morte é um fato a se enfrentar, mas também a vivenciar. Não dá para parar a vida em função do medo que ela pode causar. Deixar de viver é morrer em vida. Pior do que a morte do corpo é passar pela vida sem ter vivido, sem ter experimentado sentimentos que só quem ama é capaz de entender. Família, filhos, amizades, o amor, todo tipo de amor. Amor é doação, é cuidado, é destemido, e capaz de enfrentar qualquer possível algoz, até a morte. 

A morte que faz sim parte da vida, como um ato último antes da travessia final, antes do fechar das cortinas. Imagino a solidão do artista quando a cortina se fecha e o plateia se esvazia. O coro de palmas vai ficando cada vez menor, menos intenso até que as luzes se apagam e então é só você, o protagonista e suas memórias. Nada mais. Há quem vá levar adiante suas falas, seus pensamentos, seus gestos e não vai deixar morrer aquele riso. E é isso que te deixará eterno no coração daqueles que você ama em reciprocidade. 

E a última morada para o corpo, hoje eu entendo, o cemitério como um recanto de sonhos adormecidos na eternidade. E, como todo sonho, carrega e guarda seus anseios, seus desejos, suas frustrações, seus medos não resolvidos, e romances muitas vezes não realizados bem como histórias de amor platônico, de amizades verdadeiras e de famílias imperfeitas mas alicerçadas de amor. As vezes, me pego a olhar para cada lápide e tento imaginar o que essa pessoa viveu, no tempo que ela permaneceu aqui neste plano, o que ela sonhou, quais foram suas lutas, por quais motivos sorriu e chorou... 

Eu sei que o tempo de esperas um dia vai ser de reencontros. Reencontro com quem já se foi, reencontro com as histórias, memórias, com o amor que em vida não se viveu, com as diversas personagens que o meu eu protagonista vivenciou e assim, explicar-me sobre cada ato que até então fugia do texto e do contexto, mas que no final de cada capítulo e de cada ciclo aparecia alguma resposta e uma compreensão. 

O tempo caminha para um horizonte infinito de possibilidades. A travessia não se acaba com a morte, hoje sei disso. Quanto mais esse caminho é trilhado, mais próximo eu me sinto dos abraços e afagos de quem precedeu a partida. Se é verdade que quem vai leva um pouquinho de você, tenho certeza de que sentirei-me em casa quando esse reencontro acontecer. 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Sabedoria do amor: reinvenção e saudade


Hoje lembrei-me da minha avó Iolanda. Ela fazia um pão frito ao ovo que era uma delícia. Tentei recriar o sabor da infância, reinventando sua prática. Incrementei com queijo fresco e temperos. Reinventar, recriar, reconstruir a partir de pontos que julgamos por vezes não conseguir mais, é algo que só o amor e a saudade permitem. E essa é a nossa vida, feita de encontros, reencontros e possibilidades que só o amor e a saudade podem entender...


domingo, 12 de dezembro de 2021

Entre o início e o fim: a travessia


Assim como o dia se finda na chegada da noite e a noite cede o céu para um novo dia, este ciclo infinito de partida e chegada, início e fim, eu morro e renasço entre luz e escuridão, entre meus anjos e demônios, ora me reencontrando em loucuras concretas, superando minhas mortes e amando o amor que meus olhos encontraram em cada instante dessa travessia, entre meus "antes e depois" da água da fonte...

 

Hoje eu vivo. Hoje eu, vivo. Hoje, eu, vivo... Sem saber se amanhã assim será. Apenas na certeza de que uma nova chance virá com o despertar. Sem poder mudar as palavras atiradas, mas ciente do que eu posso fazer. Sem esperar que algo aconteça, mas fazendo minha parte para chegar sobrevivido no fim com minhas marcas de luta e a chama da esperança. Entre meus "antes e depois", o que marca o passado e o presente, apenas sonho com o que há de melhor para a plena realização: a água que move a vida e o amor.


Entre o esperar, eu escolho o acontecer. Entre mirar a chegada, escolho viver a travessia. Entre as possibilidades, eu escolho a única certeza que me move: o amor. Porque a única certeza que a água tem é que não há obstáculos que a impeçam de chegar ao mar... E o encontro de céu e mar é a plena realização do ciclo, desejo e amor, sonho e luta, fé e esperança, sol e lua, dia e noite, início e fim... Eu e Você.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Sonho de luz



E na calada da noite quando o cansaço domina

A cama me acaricia e o lençol me abraça

Enquanto o sono arrebata o corpo

A rédeas do pensamento já se soltaram

Eis que a intensidade do sonho se torna marcante

Sonho é sonho, mas também pensamento

Dos detalhes vividos no auge de um romance

Entre idas e vindas, o sonho acontece

A liberdade refletida entre olhos e olhares

A felicidade estampada nos semblantes protagonizados 

Se dava mais forte que toda tentativa de separá-los

Quando a força contrária se deu conta de sua ineficiência

Restava compreender que o eterno não se acaba

Pois o sentimento imortalizado entre aqueles dois pares de olhos

Entre acaso ou destino, estava selado

Entre as cenas que vivenciei 

Durante a partida daquele lugar

De todo um jardim, me deparo com a única flor

Que me prende o olhar, a respiração e os compassos

Como numa dança, ela abre suas pétalas

Antes de minha necessária e breve partida

Me deparo com alguns lixos em cima do tapete no meio da sala

E ao descer as escadas, percebi algumas estruturas de madeira

Que estavam danificadas e comprometidas pelo tempo...

 

E de toda a novela vivenciada, meus pensamentos me levaram para duas partes: o lixo no meio da sala e as estruturas de madeira comprometidas. Há coisas que precisam ser retiradas de onde estão. Precisam de um fim adequado. Não se pode nem se deve carregar fardos desnecessários, ou acumular coisas sem sentido. As estruturas danificadas, que comprometiam a segurança da casa, ou precisaria ser consertada, reformada de forma geral, demolida para ser reconstruída, ou ainda, simplesmente deixada para trás. Acredito que a reconstrução, também pode se dar em outro lugar, com outros protagonistas. Nessa experiência eu entendi que precisava mostrar onde estavam as necessidades primordiais. Sonho é sonho, mas também experiência, sinal de luz.

 


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Escolhas entre o tempo

E o paradoxo entre a vida no tempo e o tempo na vida talvez se refine na busca por entender a questão de como vivê-la sob o tempo e do tempo dedicado em vivê-la. 

Entre as escolhas sob e sobre o tempo, o que perdura não é como vivê-lo, mas com quem. E as melhores escolhas sempre deixarão saudades. 

E por falar em saudades, saudade do que a gente ainda não viveu...