segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Potência e Autonomia de si



Nasce sob holofotes de silêncio, dor e solidão

O menino do reflexo no espelho que sorria

De um novo eu que já fora inteiro, 

Partiu em pedaços, tornou-se sobras

E que agora renasce entre escombros de castelos de areia

E paisagens desconhecidas e inabitadas rumo ao topo da montanha

Estações de travessias que registraram sentimentos

Ajuntando cacos, curando feridas e guardando cicatrizes

A dor do renascimento é maior que a do próprio parto

O medo da infância não supera o medo do desconhecido na experiência

Dentro dessa cela que me aprisiona em vidas

Esse novo eu é capaz de suportar traído e traidor, inocente e culpado

A luta é para permanecer vivo para alguém

Por amor, pelo amor, para o amor

Quero ser especialista de mim, desse eu de travessias

Desse eu transformado, marcado, dedicado

Que a beleza da tristeza seja sinônimo de força e sensibilidade

Coragem para as lutas

Em minhas pegadas pelas trilhas dessa jornada

Ficaram marcas vermelhas pelo caminho

Hora de amor, hora de sangue

As lágrimas do choro a só 

Era o mais puro e límpido que jorrava

Os meus inimigos sempre foram meus maiores mestres

E dentre estes, estava também o meu eu, 

O que ignorava minha realidade e sentimentos

Busco, luto, me derramo pela potência e autonomia de si

Numa espécie de libertação constante das prisões por onde passei

Meu ponto de desembarque final será tão somente

Quando não houver mais amor...

Enquanto isso...

"Ninguém deve deixar essa vida sem uma sensação de completude." (Sherlock Holmes)


Crítica: "Dahmer"



"Dahmer"... Respirar fundo é preciso...

Uma pausa para analisar a história recontada nessa série. É macabro, surreal, triste, carregado de angústia, dor, crueldade e ao mesmo tempo, com ausência de empatia, de sentimentos, de humanidade... Se é angustiante assistir, tento imaginar como deve ter sido a sobrevivência dos familiares das vítimas. Tento imaginar como cada uma delas passou suas últimas horas nas mãos de Jeffrey Dahmer. Porém, me abstenho de comentar o que já está bem explicitado em cada um dos 10 episódios da série da Netflix.

Em termos de estudo, para o aprendizado através das ciências que investigam comportamentos como o de Dahmer, vale a pena se atentar. Não dá para olhar com olhos clínicos somente sem se comover pelo lado humano. É um mix de sentimentos que envolvem ao telespectador. 

Da história em si guardo apenas o memorial de fotos das vítimas exposto no final do último episódio. 17 vidas ceifadas, carregadas de sonhos, desejos... Jovens que foram ludibriados por uma mente perturbada e ou maligna e a seguiram para um triste fim.

Atentei-me para um fato que foi contado nessa história e que, não sei se foi perceptível por outros olhares mas, o quanto algumas pessoas se sentiram envolvidas e atraídas por Dahmer após ele ter sido preso. A quantidade de cartas de pessoas que se declaravam como fãs e seguidores era enorme. A maldade também atrai adeptos, mesmo que seja uma maldade que esconde diversos transtornos. 

Transfiro agora para a atual realidade em que vivemos uma acirrada "briga" política. Pretendo ser objetivo em minhas colocações. O bem inspira o bem tanto quanto o mal conquista seguidores. Levando em consideração o tipo de discurso que ouvimos dos candidatos e seus seguidores é nítido entender quem prega paz e quem prega guerra, quem distribui valores e quem escancara manifestações de ódio. 

A exemplo de seus líderes, os seguidores tendem a extremizar aquilo que fica explícito nos discursos e nas ações. Até mesmo a forma de se referir ao adversário, de forma pejorativa e negativa, pode estimular de crianças a idosos. Como combater o bulling nas escolas se temos candidato que trata o outro com falta de respeito? Como combater a violência se o mesmo incita seus seguidores a "metralhar" os do adversário? Como lutar pelas minorias, pelas mulheres, se o mesmo faz piadas, desrespeita e passa um péssimo exemplo à sociedade?

Dahmer ficou conhecido como um serial killer que dopava suas vítimas, praticava alguns procedimentos considerados bárbaros e depois delas mortas praticava o canibalismo. Ainda assim, diante de tantas histórias de perversidade pelas quais suas vítimas passaram, encontrou fãs e seguidores que o idolatravam. 

Hoje, diante do que vemos e ouvimos através de uma análise de conjuntura na política nacional, bem como somos vistos por entidades internacionais de renome e até por líderes de outros países, podemos comparar que o mal, em suas mais diversas formas, atrai seguidores fiéis que estão dispostos a matar em nome de sua nefasta ideologia. 

Nessa era de explícita tecnologia, a desinformação é o carro chefe de quem joga sujo. A polarização chega ao ponto extremo de inventar mentiras para confundir quem não entende e ao mesmo ponto serve para escancarar o mal que habita no lado sombrio do humano mas que agora encontrou um porta-voz que dá liberdade e proteção para seus asseclas cometerem as mais diversas atrocidades. 

A diferença entre Dahmer e um certo candidato brasileiro é que o serial killer matou 17 pessoas enquanto que o "tal" pratica crimes de todas as formas possíveis, seja por ação, omissão, incentivo ao ódio que resulta em ataques contra opositores, acobertamento de seus comparsas, e uma ditadura velada, sem contar as ameaças às mais diversas instituições de poder. O crápula deixou um rastro de mortos, simplesmente por necessidade particular de boicotar as vacinas...


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Os demônios do pós-guerra


Um momento de pós-guerra. Essa é a sensação que mistura esperança e medo. Esperança de que tudo possa melhorar e medo de que as variações pandêmicas possam ressurgir e causar nova devassidão. Pois sim, fomos devastados, dizimados e derrotados em certo momento. Já estivemos no caos. As ruínas que ficaram não são herança de explosões causadas pela pólvora e tecnologias de guerra. São sentimentos de impotência frente a tantas vidas ceifadas. Tempos trancafiados em nosso próprio reduto, convivendo com todos os nossos demônios interiores, sem ter como fugir do ambiente para ao menos respirar um ar fresco, causou danos e trouxe à tona fragilidades e novos demônios. Não bastasse, em muitos ambientes o espaço era divido com outras pessoas, as quais também expunham seus próprios conflitos. Muitos não se abalaram, não sofreram, mantiveram seu status e nem sequer se compadeceram pelas vidas alheias. Retrato de um momento proporcionado por desumanos desalmados que detêm o poder para si. Políticos, religiosos, líderes sem empatia, que em seu cargo e posição a que foram destinados, utilizam tal poder em benefício próprio. Impossível permanecer igual. Impossível sair desse campo de batalha do jeito ao qual entramos. O pós-guerra deixa consequências, além de feridas incuráveis e cicatrizes eternas. Você até pode deixar o campo de batalha e a guerra em si, mas eles jamais sairão de você. É preciso reaprender a conviver com o caos, as perdas, as dores, as ruínas e a morte. É preciso reaprender a viver e isso é urgente. Pois, uma vez que isso não acontecer, estará fadado a continuar uma guerra solo dentro de você. A solidão a dois, a quatro ou mais pessoas, vivenciada no pico da guerra pandêmica foi uma experiência necessária pela sobrevivência e contenção de danos. Uma prisão com portas e janelas trancadas por dentro. Todos têm acesso mas ninguém pode sair. Não se deve sair. Fobias, transtornos e doenças várias que surgiram e ou cresceram junto com o medo e a incerteza. Abraçar nunca foi tão necessário e urgente. Máscaras externas para se proteger de um inimigo letal se contrapunham com as máscaras maquiadas de hipocrisia que os poderosos, oportunistas e medíocres deixaram cair propositalmente. Os demônios do pós-guerra ainda vivem, mesmo que silenciados em algum canto do nosso campo caótico. E, muitas vezes, para continuar a jornada será necessário retornar às ruínas da batalha e refazer o percurso. 

domingo, 4 de setembro de 2022

Crítica: "A desordem que ficou"



Professora: "Morrer é uma arte. Como tudo, eu faço isso excepcionalmente bem. Tão bem que parece o inferno. Tão bem que parece real. Suponho que poderia chamar de vocação." - Sylvia Plath.
- O que ela pretende com esses versos? Seria um grito de socorro? Está anunciando a sua morte?

O trecho acima refere-se à série "A desordem que ficou". As falas incitam curiosidade e pesquisa. A morte  em si causa espanto, curiosidade sobre o que vem depois e, óbvio, insegurança, medo. Até os mais céticos se rendem ao tema morte. As religiões explicam às suas maneiras e o que move as pessoas é a fé, a crença. 

Dentre tudo o que se expressa e afirmam por aí sobre a morte acredito que a arte é a maneira mais leve, pura e não deixa de ser uma verdade carregada de esperança para elucidar esse rito, esse mito, essa passagem. A poesia por exemplo é capaz de ir além do que a religião afirma e do que a ciência propõe. Ela pode caminhar sem peso nem culpa lado a lado com ambas e ainda assim tecer o seu próprio meio para explanar sua verdade.

Particularmente acredito que a morte não possa ser o fim de todas as coisas. Acredito também que a nossa memória persiste como um legado no coração daqueles que amamos. Tornamo-nos histórias recontadas entre risos e lágrimas que, com o tempo, vai se apagando lentamente neste plano. Em algum lugar, ainda nos encontraremos...

sábado, 3 de setembro de 2022

A rainha e o plebeu em Lótina



O conto era de fadas 
Mas somente quando a rainha fugia para a cabana de seu amante 
Uma vez que ela insinuou para ele ir vê-la, 
correndo todo tipo de risco por entre os cercados de seu castelo, 
mudou de ideia instantaneamente 
quando percebeu sua coragem ao nota-lo em sua porta 
Ignorou-o e o deixou ao relento
Rainha e plebeu ou a dama e o vagabundo, não importa! 
O que separa o verdadeiro do irreal ainda é o material. 
Esse fato sempre existiu e assim continua sendo...