segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

E por falar...



E por falar...

Já não sei falar de mim
Talvez nunca o soube fazê-lo
Falo melhor daquilo que gostaria de ser.
Entre o sonho e a realidade, existe um caminho
Uma travessia, longa travessia...
Não sei muito bem como expressar o amor!
Descrevê-lo como bem o imagino ser, ah!
Isso é poesia real e pura, sentida e vivida
Uma linha tênue entre o que se sente e o que se expõe
Separados pela vontade e o medo
E essa distância aumenta se as janelas não se abrem.
Vivo a realidade,
Sentindo a necessidade de melhorar o que realmente sou...
O desejo é mais gostoso que a conquista
E isso, a arte proporciona.
O romântico está no sentido de expressar a vontade,
Mesmo que isso signifique falar melhor do amor,
Bem mais do que realmente consigo e gostaria de vivê-lo...

E por falar em amor...
Simplesmente amo essa busca infinita de aprendê-lo...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Um capitalista disfarçado de cristão



E assim caminha a humanidade...

Empresário que se diz cristão, que se intitula evangélico, tipo dessas, da linhagem das recém criadas e com menos de dois anos de existência, fala com inteligência da Palavra de Deus e, como de praxe, explana com muita ênfase citando capítulos, versículos, parágrafos, negritos, pontos, editora e mais um pouco. Típico! Nada incomum!

Na experiência que tive com um dessa estirpe e fineza, durante um evento profissional, o nome de Deus era citado várias vezes em qualquer assunto e o nome do demônio em maior proporção. Assim como seus primos equidistantes e xerocados, os carismáticos, a maior ênfase é falar do submundo em volta do nome do demônio e o encontrá-lo em tudo quanto é canto e coisa do que propriamente exaltar o caminho das bem-aventuranças detalhado por Cristo Jesus.

Ainda nessa nebulosa experiência, tive a possibilidade de me encantar com o humano dito cristão. Sem barreiras institucionais o papo fluía de maneira ímpar. Mas, bastou retornar à realidade para que a água da verdade danificasse a máscara do doutor em falas bíblicas. A diferença entre o que se fala e o que se vive é gritante e isso fica nítido sem qualquer esforço para entender.

E, nessa realidade, já como empresário, cercado pelo capitalismo existente nos redutos que se esconde no dia a dia profissional, impregnado pelo desejo insaciável da vitória pessoal e vivendo escancaradamente a dita teologia da prosperidade, coisa de "primos siameses", a fera se revela à que veio. Homens e mulheres são contratados para que as vendas alavanquem. Mas, comercial tem coisas imprevisíveis, oscilações sazonais por exemplo. Por outro lado, chefia-dono-empresário não quer saber disso. Caiu a produção, baixou as vendas, já não serve mais. 

É vantajoso manter alguns funcionários mais chegados no quadro e ter outros que passam, abrem portas, prospectam clientes, fidelizam-nos e no final das contas, após um determinado tempo de casa, sejam convidados a não mais participar da equipe. Fácil assim, não acha? Pois é, os clientes ficam, as vendas continuam mas agora coordenados por uma(s) pessoa(s) dessa equipe dos chegados e o lucro para a empresa é ainda maior, ou seja, para o empresário que se diz cristão. 

Não existe a necessidade de vínculo empregatício. A promessa é linda! O jogo das palavras que empolgam e emocionam é literalmente profissional! O empresário... ah, esse é bem sucedido e dá lá sua esmola de caridade nos cultos semanais, fazendo sempre o marketing positivo para os que co-habitam em seu território ou próximos de sua zona de conforto. 

Escória do mundo! E como dizia o poeta: "a burguesia fede!" No meu conceito o empresário disfarçado de cristão, que usa o nome de Deus para sua prosperidade pessoal, que age com tamanha astúcia para aumentar seu patrimônio, que evoca o nome de Cristo para cada ato seu como se não fosse necessário mais nenhum outro tipo de questionamento ético, moral, profissional e principalmente cristão, ou seja, sua conduta é ilibada e acima de qualquer suspeita, isso sim, esse sim, não só fede mais, como também já se decompôs sua alma em vida.



E assim, entre empresários que se enricam em nome de Deus, entre inocentes que contribuem para a prosperidade desses decoradores de versículos, assim caminha a humanidade... entre classes, entre lobos, entre fábulas e em meio a muita hipocrisia.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Guerra dos Mundos - Parte III - Hierarquia: poder sem verdade




"A realeza inalcançável, a nobre corte inatingível, os vassalos, o povo e a Verdade."

Vivia a realeza inalcançável no seu castelo adornado de ouro, protegido por guardas e cercado de fieis sanguessugas, a nobre corte inatingível que apenas comandava de suas sub-salas secretas as decisões a serem tomadas mundo afora por além dos muros da fortaleza.

Os vassalos, espalhados pelo mundo, tratavam de difundir as regras impostas de cima para baixo. Os que ousavam questionar atos e atitudes ou gerar pensamentos que contestassem condutas impróprias e o próprio acúmulo de riquezas por parte da realeza e sua corte eram considerados desertores, subversivos e, por vezes, caçados, castigados e condenados às mais diversas formas de fogueira. 

O povo, sempre a caminhar por caminhos difíceis, entre alienadores, massificadores, exterminadores e poucos libertadores que, em sua maioria, sempre foram perseguidos pelo alto escalão do poder. Ele, sempre ficou à mercê das mais diversas formas de verdades deturpadas pelos, então, homens da fé. Poucos se libertaram, muitos se perderam, muito mais foram condenados por conta de discordarem. 

Os auto-elegidos e ditos detentores da verdade sempre mantiveram-se como única forma de verdade herdada diretamente do céu para a repassarem à terra e gozaram dessa reputação histórica para então extrapolar os limites do homem, manter o status de caminho seguro, manter inabalável a instituição hierárquica e pior, manter sob sua custódia a mente e a alma de cada ser vivente, massificados pelas palavras proferidas e oriundas do poder. A verdade, nesse patamar hierárquico, era muito mais vaidade e poder que palavra libertadora.

...E a verdade vos libertará! Longe da verdade mundana se igualar à verdadeira Palavra Libertadora do Homem de Nazaré. Longe desses doutores em leis, inquisidores auto-santificados em poder e ouro serem porta-voz da verdadeira Verdade! A vaidade assola, antes de qualquer coisa, ao coração de cada poderoso chefão. 

Um dia, essa realeza, sensata, descobriu o poder paralelo existente nos redutos do castelo. Poder este que brigava por mais poder e escondia a podridão dos homens que se diziam de boa fé. Então, ela renunciou... e deixou ao sucessor o dever da faxina geral... 


Avaliações póstumas



O que se vê? O que se fala?

Na verdade não sei, por vezes, se estou fazendo parte da mesma Igreja Católica que minha avó sempre participou e, Graças ao justo Deus, nunca deixou de me levar. Catequese, Vivência Cristã, Estudos Bíblicos, Novenas, Grupo de Canto, Grupo de Adolescente, Grupo de Jovens, Coordenações, Assessoria, enfim... para então se chegar num grau de experiência e apenas concluir: eu nada sei... estou aqui a caminhar... estou aqui para aprender... estou aqui para ser, no mínimo, protagonista de minha própria história, da minha própria vida, e se é Vida, não é à toa, não é por acaso. Cada respiro, cada segundo, cada gota valem a pena!

Na verdade não sei mesmo, se algumas celebrações são na verdade cópias dos cultos evangélicos ou se os cultos evangélicos que se propagam na mídia são xerox dessas mesmas celebrações de grupos católicos. Há pessoas, católicas, que já admitem sua religião como sendo o nome do grupo ou do movimento que participam. As coisas mudaram... Ou, na verdade se perderam no tempo e se deturparam.

Choros e/ou lágrimas - A maioria dos pregadores de plantão sempre usam do mesmo subterfúgio para levar a Palavra de Deus aos fiéis. Mas será que é esse o objetivo, o de levar a Palavra de Deus? Ou, ela é apenas o trampolim disfarçado para o status, a fama e um dia, também o poder? - Detalhe: nunca sei se estão querendo se levar através da Palavra de Deus, e assim tornar-se-ão reconhecidos em seu meio - "status/fama" - ou se toda a encenação é realmente necessária para levar a mensagem da verdade que liberta! -  Todos gritam, todos levantam a voz e esbravejam por vezes. Todos falam como se tivessem dando uma bronca. FALAM MUITO MAIS DA NECESSIDADE DE ENXERGAR E RECONHECER O CAPETA EM TUDO E EM TODOS QUE DA REAL IMPORTÂNCIA DE VIVER A EXPERIÊNCIA DO CRISTO, DE CAMINHAR NESSE CAMINHO JUSTO DE VERDADE E AMOR. Nunca vi tamanhas falácias sem estudo, sem formação e sem total preparação!

Falta de comprometimento - Grupos como esses não requerem esforços. Você vai apenas como telespectador. O palestrante grita, balbucia e depois grita de novo: "améinnn?!" E todos têm que responder "améinnn" senão ele grita mais alto ainda até ouvir uma resposta uníssona de ovelhas obedientes: "a-méééééé-inn!!" Ninguém mais quer assumir trabalhos. Tudo é só ôba ôba! "Levantem as mãos! Oh glória!" E, como não me canso de ver e ouvir isso nos cultos dos pastores charlatões. Credo!

No retiro que participei, enquanto um "pregador" (...) - "pregava, óbvio" - havia uma das organizadoras com o celular na mão esquerda trocando mensagens enquanto a mão direita levantada para frente, em direção ao palco (SIM, PALCO! pois nesses lugares o altar de Cristo fica meio que ... que... omisso!) em forma de oração, ou empurrando, ou ostentando, ou sei lá o que. De vez em quando ela fechava os olhos e: “simmmm, oh glória, améinnn!” Nossa, as orações estão tão modernas e tecnológicas, né?! Pessoas que se dizem estar intercedendo no momento da "pregadura", não precisam estar em sintonia. Ah, elas podem, pois são ungidas! São... especialmente dotadas de poderes que nós, reles cristãos e mortais, ainda não alcançamos! PALHAÇADA!!!

Fui falar com um "pregador" sobre a renúncia do Papa. Nada! Parecia que o cara estava fora de órbita! Fui falar com alguns organizadores da necessidade de uma reunião de avaliação, levando em conta que precisaria, para o próximo ano, um trabalho descentralizado onde todas as comunidades da Paróquia pudessem participar ativamente e que tudo fosse decidido entre todos. Esquivas e esquivas! Fugiram da raia e já deixaram claro que não haveria necessidade de avaliar nada! Os donos do evento não pretendem abrir mão do formato "neo-pentecolístico" da coisa.

Sua forma de "apregoar" a Palavra de Deus não vem com senso de partilha. Usam-na de maneira arcaica como arma de condenação. Alienação! Só! Saí de lá sem nada ter-me acrescido, com exceção das Missas que com certeza foram momentos únicos de sã participação em comunidade e dos trabalhos que tive a oportunidade e honradez de contribuir com algumas pessoas.

Nas reuniões de pré-paração foi-se falado da necessidade de deixar espaço para se falar da CAMPANHA DA FRATERNIDADE e JMJ. Nada houve! O esquema do retiro já veio definido em começo, meio e fim pelos irmãos da pregadura. Na verdade, entendo que fizeram um evento, para que todos pudessem apreciar suas obras, fossem elas de pregações, de show's nos palcos, na organização enfim. Pessoas de outras comunidades que participaram foram peões de obra! Graças a Deus e, agora sim, com honras e glórias!!! Parabéns aos que contribuíram de maneira omissa, humilde e sem holofotes, amém!

"NÃO HÁ FALA MAIOR QUE A PRESENÇA DO CORPO DE CRISTO!" - Para bons entendedores essa frase não requer explanações nem explicações!

SUGESTÕES:
- Reunião de avaliação;
- Formação de uma equipe, onde hajam pelo menos duas pessoas de cada comunidade da Paróquia para que o próximo não seja apenas um evento centralizado e manco: um show para a plateia comunitária.

Considerações finais:
Retiro tem que ser participativo e não simplesmente assistido com palmas e forçação de lágrimas. As tais dramatizações gritantes, sem nexo, sem formação e fotocopiadas dos neo-pentecostais são evasivas, repetitivas, redundantes e chatas. Se assistirmos um servo do Edir Macedo, do Waldomiro, ou outro da mesma estirpe, veremos a semelhança. As vezes, penso que me incluem nesse pasto, onde as vaquinhas de presépio nada fazem, nem pastam também. Tô fora! Gritar não gera formação, nem leva informação alguma! Esse tipo de evento serve apenas para massificar, alienar e dificultar no aprendizado, na catequese e na caminhada pessoal e comunitária. Contribui tão só para o individualismo e o egoísmo.

O que se viu, eu não sei! O que se falou, sei menos ainda! Mas... o que ficou, isso é claro: não foi nada, pois nem mesmo o ego dos ungidos foi contemplado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Além do horizonte


Seja aprendiz!
Escute o corpo... na batida e no compasso.
Andares que vem
Trazendo olhares do alem
Prosas ao redor da mesa
Assim se firma o enlace
Tão despretensioso, sem impasse
Sem jogos, nem jogadas
Em comum as crises, as luzes,
talvez as cruzes
Muito alem, os sonhos também
pensamentos, vontades,
papos e verdades...
O andar que se solta
por sobre as pistas que se abrem
quando desfilas em qualquer calçada
por sobre os voos que alças
tão firme, decidida em postura
acalenta com o olhar,
tão penetrante, devagar
tão puro olhar...
Vaidade no ar
Magia, alegria,
Estripulia, rebeldia,
Ousadia, tudo em sintonia
Que se cruza nos caminhos
que nos guiam, nos guiaram até aqui
Tão perto, tão longe
Meu mundo, seu mundo
Maturidade sem limites
Em estilo e delirante
De atenção impactante
Radical e serenidade
Uma química de opostos
ou melhor, de extremos
Intensidade total em quaisquer das extremidades...