O que nos causa boas recordações? O que nos faz viajar pelo tempo e permitir suspirar a fragrância da saudade? O que nos conecta com as lembranças do passado onde a vida tinha uma significância mais simples mas que saciava a alma?
Não há resposta exata. Cada um que se ousar a refletir, percorrerá pelas entranhas de seu próprio pensamento em busca de uma essência de valor. O resultado se dará por sentimentos... Hoje eu fiz esse trajeto enquanto enamorava uma dama da noite. É um cheiro que dava as boas vindas na frente da casa de meus avós Joaquim e Iolanda. Ambos amavam todo o tipo de planta e flores e por isso tinham o seu próprio jardim e sua pequena horta no quintal, esta que foi o grande palco de minha infância.
O rústico, o improvisado, o artesanal, o inventado, a natureza, os bichos, enfim, o simples, são coisas que saciam uma parte do meu coração pois fazem parte da vida que tive junto deles. Os ensinamentos muitas vezes não se davam com palavras ou sermões, mas no olhar atento que eu tinha quando assistia meu avô trabalhando no quintal. Seu amor pela natureza me ensinou mais que as cadeiras acadêmicas.
O fascínio pelas flores, em especial, é algo natural. Elas me encantam e me prendem o olhar. Sou capaz de permanecer estático em plena contemplação e vislumbre, no silêncio absoluto, sem me importar com o tempo. E nessa conexão eu sinto meus avós vivos em meu coração, na lembrança. Eu simplesmente resgato um amor puro.
A dama da noite foi plantada na calçada. Com o tempo, por conta das folhas que forravam o chão, minha avó pediu para meu avô cortar. Mas nunca ficou sem um verde para ornamentar e sombrear a frente da casa. Meu quarto tinha a janela voltada para a rua. O cheiro penetrava em seu interior. Admirar as plantas é cultivar o respeito que meus avós tinham para com a natureza. Isso é amor, é lembrança, é saudade, é ensinamento, é legado...
Dama da noite e sua fragrância seduzente, hoje me conectaram com a essência da minha vida...
O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
#PensamentoTretado:02
"Se o resultado de sua ação é positivo então foi Deus que te iluminou. Mas se o resultado for negativo, foi uma influência do maligno? E o livre-arbítrio fica onde? Se Deus pode intervir para o bem, porque não faz o mesmo para evitar o mal?"
#PensamentoTretado:01
"Sem a obrigação dos protocolos festivos. É assim que me sinto. Foi uma opção que me tirou fardos. Muito bom festejar quando se tem clima. Para quem passa o ano em pé de guerra, cumprir com o ritual das ceias é o mesmo que usar máscara... Sem essa! Façamos o que temos vontade, de peito aberto e consciência tranquila. O que passar disso é protocolo."
sábado, 24 de dezembro de 2016
Nada demais não
Eu?
Ah!
Quero nada demais não
Apenas minha rede
Violão e cantoria
Fogueira e poesia
Lua cheia seja bem vinda
Gente boa reunida
Sou desmedido da medida
Não sou mandado
Nem comandado
Faço o que quero
Na razão que eu espero
Sou água mas sou leito
Sou pedra mas sou terra
Sou mato mas sou bicho
Sou vida atrevida
Por isso quero nada demais não...
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Eu e o Tempo
Não
é mais o tempo futuro
Nem
tampouco o passado
Esperança
descrita num talvez
Sonhos
de outrora deixados
A
espera tornou os dias duros
E
a ausência nunca se desfez
Sem
promessas para o amanhã
Sem
discursos no fim do ciclo
Sem
lamentos sobre o inatingido
Hei
de continuar no meu divã
À
luz de um silêncio irrestrito
E
subentenderei o que não foi dito
Desejos
de um tempo de paz
De
um olheiro de pensamento orante
Em
busca da resposta dos dias
Eterno
amor que não se desfaz
Na
alma e na oração pensante
Que
de tão vivo virou poesia
Nada
muda, tudo muda
O
invisível, assim continua
Em
laços que no tempo se dissolvem
A
esperança é uma velha surda
A
espera é uma dádiva da lua
Mas,
não é o tempo, é o homem...
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