terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mãos e Pés...




“De mãos estendidas
O vejo pelo caminho onde passa
A curar feridas
Com toques e gestos sublimes
A misturar cuspi e terra
E do barro fazer o cego enxergar

De pés descalços
O vejo a caminhar...
Caminhando vai,
Rumo ao destino de amor
Sangue, suor, lágrimas e dor
Pés que deixaram marcas por onde pisaram
E de seus passos um longo caminho se abriu

De mãos e pés chagados
Peito aberto
Coração transpassado
Admiro, hesito, suspiro...
Entrebalanço o olhar no silêncio
De encontro ao mesmo olhar
Voltado àquela que seria apedrejada
Vítima de seus pecados
E de uma sociedade excludente
E percebo mais uma vez que
No toque piedoso de sua mão
No andar copioso de seus pés
E no seu olhar sublime
Existe uma mística revelada
A cada dia, em cada passo, em cada toque, em cada olhar
De um próximo, às vezes, insignificante
Aos olhares da sociedade...”

sábado, 14 de janeiro de 2012

Nas águas do Teu mar

Nas ondas que o mundo formou
Nas correntezas que ele criou
Subi e desci como folha ao vento
E sobre mim ele se quebrou
Deixando as marcas do sofrimento

Terras tão distante vislumbrei
Esqueci de olhar o céu ao meu redor
Em águas tão paradas adentrei
Eram lamas que eu mergulhei
Só agora as águas do Teu mar avistei

Porto seguro só em Ti, meu Senhor
Navego tranquilo em Teu mar
O Teu sangue derramado por amor
É a fonte que me faz velejar
Pra sempre nas águas do Teu mar

Lava e purifica minh’alma
Derrama tua água pura em mim
Reconstrói o alicerce do meu coração
Nas águas do Teu mar, quero mergulhar
Nas águas do Teu mar, quero mergulhar
Minha vida vem purificar
Teu corpo e Teu sangue Senhor, vai me alimentar
E pra sempre em Tuas águas, quero velejar...


“Dedico esta poesia à todos aqueles que um dia se sentiram perdidos na vida, sem caminho, sem esperança, sem amigos, sem nada... e por águas tão sujas navegaram... Mas, como a aurora que precede o nascer do sol, reencontram sua Força e Fé aos pés Daquele que, de braços abertos, derramou seu sangue e se entregou por amor, Aquele que nos resgatou da sujeira e nas Águas do Teu Mar nos purificou...”

Ailton Domingues de Oliveira
14/01/12

Senhor, deixa eu te abraçar!

Andei por aí, sem caminho a seguir,
Pelas sujeiras do mundo
Injustiça e ganância eu conheci
Males que me levaram ao fundo...

Senhor, deixa eu te abraçar
Senhor, deixa eu repousar na Tua sombra
Senhor, come comigo em minha casa
Me dê teu perdão, tua luz
Eu quero seguir teu caminho, Jesus!

A lama atravessei, Tua voz não escutei,
Preferi esbanjar a riqueza
Amizades que me derrubaram
Acordei sem nada e na tristeza...

Meus irmãos maltratei, Tua fortuna esbanjei
Só vivi nos prazeres da vida
A ninguém estendi minha mão
Agora peço: cura minha ferida!


Ailton Domingues de Oliveira
14/01/12

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cheirinho de guardado...


Domingo, oito de janeiro de dois mil e doze. Abri a porta do guarda-roupas e retirei um cobertor. Como de costume, e nem sei o porquê, cheirei-o. Estranho. Por alguns segundos viajei no tempo e na distância. Fui parar na casa da minha avó. Pude vê-la repetindo os gestos de maneira lenta, caminhando até o quarto onde eu costumava ficar, abrindo a porta do guarda-roupas antigo, olhando com atenção e paciência e por fim retirando aquele cobertor...
Engraçado. Como que o cheiro nos remete à lembranças, de dores, tristezas, alegrias, momentos especiais, mas este era de saudade. E que saudade doída!!!
Em março de mil novecentos e noventa e três participei de um encontro sobre sexualidade. Durante três dias, eu e mais tantos adolescentes, ouvimos palestras, participamos de debates e discussões em grupos entre outras tantas coisas mais. Algo que me marcou e hoje, dezenove anos depois, ainda percebo a verdade contida naquela informação, foi: “Nossa pele seria como uma caixinha registradora que consegue assimilar cada toque, cada contato... Pode passar tempo, mas quando repetimos aquele toque nossa memória será ativada e a lembrança florirá.”
Bom, descrevi, de maneira grosseira, de forma que posso imaginar que seja, afinal fazem dezenove anos.
Neste dia, neste domingo, pude reviver essa frase ao sentir o cheiro e tocar naquele cobertor... O cheirinho de guardado acredito que esteja muito mais guardado no nosso inconsciente, na nossa lembrança, que propriamente por estar num determinado lugar, trancado a tempos.
Todos nós temos alguns pertences que possuem tal característica. Esse cheiro, coisa de pele, química, lembrança, cheiro de casa de mãe e de vó, cheiro que não se encontra nas melhores perfumarias que conhecemos, cheiro de saudade e de solidão, cheiro de conquista e de derrota, cheiro de tempo, ao tempo, no tempo... Cheiro que nos gera um êxtase no pensamento, lágrimas, questionamentos...
Cheirinho de guardado, tem cheiro nosso, tem cheiro de nossa história, tem cheiro apimentado, cheiro saudoso, cheiro poético, cheiro profético. Cheirinho de guardado é alegria, nostalgia, fé.
Mais uma vez, o tempo, que guarda na lembrança e na poeira, na química, no toque  e na pele, o gosto saudoso do cheirinho de guardado, e por ora muito bem guardado no coração.


Ailton Domingues de Oliveira
09/01/12

sábado, 7 de janeiro de 2012

Doce Anjo


Tão sonhada,
Tão formosa e bela,
Tão menina
Tão cheia de graça,
Diante de tamanha pequenez
Doce anjo
Tesouro divino
Raio de luz
Eis que chegaste
Trazendo alegria
Eis que, em tua espera, ansiosos
Acompanhávamos o tempo regresso
Seu mundo, nossos olhos
Nossos olhos são à você
Perfeição do Artista
O que há de mais belo nesta obra que o Criador pintou a dedo?
Toque de magia, magia celestial
Seja bem vinda, doce anjo
Abençoada desde sempre,
Lara.


Ailton Domingues de Oliveira
07/01/12