sexta-feira, 6 de julho de 2012

Eu, hoje, queria estar aí...

"Eu, hoje,
Só queria andar pelas ruas e avenidas desta cidade
Que diante de tanto tempo e distância me arrebata em saudades
Queria apreciar as belas praças
A criançada nas ruas fazendo pirraça

Eu, hoje,
Queria ver as roseiras na frente da casa da vó
Meu avô fazendo dos grãos de café o pó
A agitação de final de ano que lota a cidade
Amigos, colegas, parentes, pessoas de todas as idades

Eu, hoje,
Queria estar adentro das grandes brigas
Pelas boas causas sociais em prol da vida
Apoiar os homens e mulheres de bem
Que não se arredam, não se corrompem e não se detém

Eu, hoje,
Queria brindar com cada um dos conhecidos
Nos bares e esquinas, de ponto ou esquecidos
O valor da vida, da amizade e do tempo
Que bem ou mal, se eternizam em cada momento

Eu, hoje,
Queria sentar de frente pro rio a cantar
De coração e alma nesse sol a raiar
Canções e poesias da alma
Que somente o som em seu leito me acalma

Eu, hoje,
Só queria... em tom de nostalgia e alegria
Acordar em Ti, num belo dia...
Só queria estar perto de Tu
Ó minha maravilhosa e saudosa Piraju"

"Que os homens e mulheres de boa vontade
Não se cansem, não se rendam e não se entreguem jamais
Que a cada lágrima ou gota de suor
Que valha mais e fale mais alto sua fé, seu coração e seu amor
Por Ti, ó cidade e berço eterno..."

Ailton Domingues de Oliveira
06/07/12

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Nos mistérios de cada olhar...


"Daqui pra' li
Dali pra cá
As pessoas andam, zanzam, perambulam
Olhares certos, incertos
Com destino traçado, hora marcada
Ou, esquecidos, sem nada a esperar ou por quem esperar...

Nos cruzamentos pelas calçadas a fora
Onde a praça é o ponto
Ponto de chegada e de partida
Ponto de ônibus e de táxi
Ponto de droga e camelôs
Ponto onde se lê a sorte nas mãos
Ponto onde se alguém diz que prega a palavra
Ponto de encontro e desencontro
Ponto onde a malandragem corre solta
Ponto onde o menino solta pipa
Ponto de fronte à Igreja, a Cruz, a torre e o sino

Lá vão todos, acelerados
ou retardados pelo tempo
Apressados para o fim
Estressados com o atraso
Agitados com o barulho
Interessados, tão apenas, consigo mesmo

Os olhares se cruzam despretensiosamente
Ou em busca de direção
Ou de algo... que nem se sabe o que é...
Pelas ruas, pelas praças e calçadas
Pessoas, andam, desandam
Alinham e se perdem
Sem perceber que tudo gira em torno de um fim

A rotina, que já não se vê como vida nem como divina
É quase um sistema implantado
E não percebido, que tira a essência do que é simples
No olhar perdido, por mais direcionado que esteja
Existe o mistério divino, o toque sublime
Do Autor da vida

Pessoas grã-finas que tentam passar desapercebidas
Pessoas mal intencionadas que se fazem percebidas
Pessoas que não mais se vêem com pessoas
Pessoas simples de alma e de vida
Pessoas pobre de alma e de vida
Pessoas perdidas e disfarçadas
Pessoas agraciadas e encontradas

O universo íntimo de cada olhar
O mistério vivo em cada caminhar
O sagrado aflorado em todo ser
A vida bendita desde o amanhecer
O sentido único de cada vida
Só será morte eterna
Se não tiver um vivo sentido

Sublime, indescritível, andar e enxergar
Em cada rosto, em cada olhar
O toque sublime de Deus
Em cada filho seu
No amor humanamente divino e infinito
De Jesus, o Salvador, o revolucionário
A humildade e sabedoria escancaradas em seu olhar
Sempre me ponho a pensar
Qual o sentido da vida
Se não a de entender e se dedicar ao próximo?

Nas vias de mãos diversas
Os olhares dispersos
Sempre me ponham a refletir
Sobre a sua essência e seu mistério
Universo a ser descoberto

Que a vida jamais se finde
Sem que a última gota de suor
De amor e quem sabe de dor
Tenham encontrado um sentido maior..."

Ailton Domingues de Oliveira
04/07/12

terça-feira, 3 de julho de 2012

Reservas da Vida...

"Hoje, daria tudo por um puxão de orelhas dos meus avós
Um grito da minha mãe no pé do ouvido,
brava por eu ter deixado os chinelos fora do lugar
E a toalha em cima da cama...
Sentiria feliz, restabelecido, confortável,
por ver meu pai adentrando a casa na hora do almoço
E ver meu avô chegando do seu trabalho no final da tarde,
subindo a rua devagarinho com seus pertences na mochila
E o meu outro avô levantando cedinho pra fazer o café.
Minha avó me chamando e chamando, já brava,
pra eu levantar e me aprontar para a Missa de domingo
E minha outra avó preparando a macarronada de domingo
E o frango de panela... As asas eram só minhas!

Hoje, muita coisa não faria de novo...
Brindaria mais e mais a cada vez que sentássemos ao redor da mesa
Momento sagrado que marca e envolve a família no seu seio
Tiraria as meias suadas dos meus avôs sem reclamar
E faria mais, lavaria seus pés em sinal de amor e respeito.
Ajudaria minhas avós no preparo das refeições
Cantaria músicas enquanto a família não se reunia
Ao som de um violão invocaria a presença de Deus...
Talvez, não fizesse muita diferença
mas estaria mais e mais e mais perto...

Hoje, só queria sentir o cheirinho de vó
O carinho de vô
A segurança de mãe
E a fortaleza de pai

Muita coisa já não é mais possível
Mas, na missão que a vida ainda reserva
Levo cada lição, cada lágrima,
A dor da ausência e a saudade
No fundo do coração
E o transmito na maior emoção
Ao meu eterno legado,
Presente de Deus,
Eternizado em meu filho..."

Ailton Domingues de Oliveira
03/07/12

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Missa é Missa! show é show!


Fulanodetal & Cia Ltda:"Queria um espaço pra apresentar o nosso trabalho."

Caramba! O, nem sei mais de que maneira expressar! Tá difícil de se fazer entender... Mas, vamos lá, vamos tentar mais uma vez desenhar pra turminha do ôba-ôba que "ALTAR NÃO É PALCO!" E ponto!!!

Querem transformar a Celebração Eucarística, a Missa em si, num showzinho particular. Falam que amam e adoram a Jesus Cristo, mas querem se aparecer mais que MOTIVO PRINCIPAL daquele momento.

Não sou especialista no assunto, mas por boas razões vou ousar delinear alguns pontos. Cada Missa em especial, de acordo com cada tempo, data, momento, tem a sua particularidade, bem como seus cantos, liturgia e ornamentações previamente preparadas. Chegar de qualquer jeito e escolher cantos de introspecção, sem ter nenhuma co-relação com a Missa, é mais que anti-litúrgico, é sintoma de falta de preparo e/ou que está ali pra outro fim que não a Celebração.

Irmãos e irmãs, companheiros e companheiras, vamos deixar a insensatez de lado. Vamos nos dedicar um pouquinho ao estudo e à preparação das celebrações em nossa comunidade. Missa é Missa! Show é Show! Existe espaço para todos mas cada qual no seu momento e lugar oportunos.

Noto que existe muita vontade de fazer coisas diferentes, porém pouquíssimo estudo e dedicação ao preparo. Fazer as coisas no "bate-estaca", ou seja, de sopetão, já eram! Colocar músicas melodiosas, introspectivas, sem pé nem cabeça é o que mais ocorre.

"Há um tempo certo pra cada coisa de baixo dos céus." E tenham certeza, Missa não é show e altar não é palco! E mais, a partir do momento que esses valores se invertem, Jesus Cristo deixa de ser o motivo principal pelo qual estamos e fazemos parte da comunidade e o estar ali nada mais é que estar para o vazio da vontade humana. Se Deus realmente está em primeiro lugar, então deixe o lugar de primeiro à ELE.

Ah, defronte à igreja existe uma praça, local ideal para se montar um palco e atrair muita gente com shows cristãos.

PS.: Este texto foi escrito única e exclusivamente por conta de um episódio não relacionado à Comunidade Imaculada Conceição, a qual faço parte. Pessoas de outros lugares, no intuito de apenas e tão somente divulgar seu trabalho, queriam usar da Celebração Eucarística para tal. Em virtude disso eis a minha repudia demonstrada nas linhas e entrelinhas acima...  



Ailton Domingues de Oliveira
02/07/12

Relacionar é uma arte, ceder é a ferramenta.

Numa das gravações ao vivo do Legião Urbana o lendário vocalista Renato Russo assim disse: "Vocês querem uma resposta mas eu nem sei qual é a pergunta!!!" Começo a partir deste ponto. Exigir o máximo quando não estamos prontos a dar nem metade

Relações são vias de duas mãos. Às vezes, numa delas o acesso está liberado e fluindo bem enquanto que a outra está cheia de obstáculos. Relacionar-se é estar preparado para ceder, principalmente.

O quesito relação é extenso. Do momento que acordamos até na hora de dormir estamos em constante relação. Com a família (filhos, pais, avôs), namorada (o) ou esposa (o), com os colegas de trabalho e escola, com os vizinhos, com a comunidade e, também, principalmente com Deus.

Comercialmente nos relacionamos enquanto profissionais ou enquanto clientes. Por vezes notamos que certas pessoas são péssimas no atendimento profissional e excessivamente exigentes quando clientes.

Nada dura através da força da imposição. Nada. O "aceitar" ao próximo é, antes de qualquer coisa, engolir aquilo que ele tem mas que considero como maior atrapalho para uma relação, seja ela qual for. Relacionar é uma arte. Encontrar pontos positivos em alguém que por vezes não tolero se quer o seu tom de voz ou sua maneira atravessada de expressar opiniões que divergem da minha são tarefas e lições a serem aprimoradas com o tempo e a paciência. E por falar em paciência, sou fã de quem as encontrou mais cedo. É um exercício diário pra vida inteira. Saudades da minha avó...

Uma das coisas que hoje acho fascinante é a relação dos enamorados. O tempo passa e aos poucos, como diz Pe. Fábio de Melo, as máscaras caem. Os defeitos aparecem bem como as manias e tudo acaba por virar desentendimento ou incômodo. A paciência é quase uma visita anual no mundo a dois. Então, eis que surge de ambas as partes a necessidade de ser entendido e compreendido. O problema, além da urgência que isso aconteça, é que o(a) outro(a) adivinhe justamente aquilo que estou pensando e precisando para aquele determinado momento. E olha que têm momentos que é "o momento".

Deixar de ser o dono da razão não é simplesmente e somente ser submisso. Olhando pela outra via, a de retorno, é também aprender. Aprender sobre si mesmo. Isso não significa calar-se e assim morrer em si, sem reagir diante de qualquer atitude. Os intolerantes e impacientes entenderão muito bem este conceito.

O mundo é assim. Somos donos das nossas verdades. Nascemos para ser os melhores sempre e assim sobressair sobre qualquer ala que esteja acima, ao nosso lado e/ou principalmente abaixo de nós. Justamente por isso a frieza e a superficialidade impera em qualquer tipo de relação. Antes mesmo de exigir entendimento e compreensão existe a grande lacuna a ser preenchida: "a importância de se fazer entender".

Faço-me entender, dou liberdade para que isso ocorra na outra via, a da pessoa em questão, despojo-me do egoísmo do "tudo ao meu jeito" e assim gero espaço para o crescimento de uma relação alicerçada.

Relacionar é uma arte, ceder é a ferramenta.


Ailton Domingues de Oliveira
(02/07/12)