terça-feira, 19 de julho de 2016

Na militância do destino

Se a vida sorriu em céus
As estrelas se tombaram em véu
E o sol descortinou-se pela manhã
Enquanto a lua repousara em seu divã
Tomo as rédeas da direção
E vou passando por toda estação
Das ruas e becos me livrando
Nos desertos e matas me lançando
Deus me livre do traçado destino
Não sigo, não faço, sou traquino
Sigo porque quero
Faço o que considero
Desatino com a hierarquia
Improviso com a simples estripulia
Na militância dessa vida
Tão feliz e tão bandida
Morro sonhando nas andanças
Renasço lutando em esperança
Mas, se do palco a luz se apagar 
Se da lida a morte me tirar
Estarei no desfecho da travessia
Certo de ter vivido com alegria
A luz se apaga mas a continuidade bate asa
E o menino enfim volta pra casa

sábado, 16 de julho de 2016

Guerrilha por Deus sem Deus

"Dá-me teus pertences
É Deus que te ordena
Dá-me teus bens
Dá-me teu suor
Dá-me teu sangue
DÁ-ME TUA VIDA!
Não ouses desobedecer
Não atreva-se a questionar
Ele há de castigar os subversivos
Ao fogo eterno do inferno
Portanto, não relute
DEUS QUER TUA VIDA!"

É isto que se escuta por aí
É isto que se comercializa nos templos dos algozes
Toca de lobos, forasteiros, carniceiros
Fábrica de massificação
Manipulação de mentes
Ópio maldito
Alienação de famintos

Essa guerrilha moderna
Que se destrava escandalosamente
Em nome de Deus
Jamais teve Deus 
Em seu cerne, apenas bandeiras
Do dinheiro, da ganância, do poder
Em nome de Deus, a exploração inescrupulosa...

Revolução das almas


Cansadas de suas cascas
Suas casas, suas matas
Casamatas sem luz
Caso morras sem viver
Roupagens embutidas
Máscaras maquiadas
Sentença indeferida
Liberdade esperada

Inquieta-te neste forte
A soltar-te da mordaça
No revez de toda sorte
E da hipocrisia que desgraça
Subverta-te ao imposto destino
Livra-te desta trama
Lave o sangue do rosto
E liberta desta cela a tua alma

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Rios em verso's

Nasce e renasce em cada passada de suas águas
Lava, leva, arrasta e limpa por onde passas
Lava a alma
Leva a vida
Arrasta em seu leito, perfeito, o sentimento
Limpa o caminho, enriquece o alimento
Transborda-se de si
Desforra do que lhe roubaram
Eleva-se ao céu
Devolve-se à terra
Doce e pobre rio que segue para o fim
Não é o fim
Seu encontro derradeiro
Tão único quanto primeiro
Não é morte
É continuação, transformação, resignação
Missão cumprida
De sua nascente partida
À entrega despojada
Atira-se sem pesares
E mistura-se aos mares
Creio assim
Que a morte não é o fim
É o voltar para o todo
É misturar-se ao universo
No ciclo natural
Ora em frente
Ora em ondas e verso's...
Um dia como nascente
Uma vida em travessia
Percorrendo, enveredando e transbordando 
E uma certeza vou levando
O mar é o meu destino...
No final, independente de nossas nascentes
Percursos e aventuras

Seremos todos mar...

Um dedo de prosa em versos


Achegue-se mais para um dedo de prosa
Falemos dos bichos, das flores, da vida
Alegremos pela terra e pela água tão límpida
Sorrimos ao céu, às estrelas, às rosas

Ao voltares das guerras, civis, sociais ou urbanas
Descarregue-se das armas, munições e desesperanças
Desnude-se da farda, das imposições e lembranças
Banhe-se no aconchego familiar, recanto de águas calmas

Assente-se mais perto, tão perto que eu lhe possa escutar
Conte-me de seus devaneios, aventuras e caminhares
Suas noites geladas sem céu, suas canções, seus altares
Olhe-me nos olhos, tão mais fundo que eu possa tocar

Saudosos tempos idos que perduram na memória
Que levou nossa vivência pra tão longe essa correria
Que fez a amizade sucumbir na ausência do dia a dia
Mas ainda nos deu a chance deste dedo de prosa se eternizar na história...

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