Por trás da cortina
o palhaço chora. Encerra-se o espetáculo. As risadas dão lugar ao
silêncio. Sepulcro da solidão do artista. É hora de protagonizar sua
própria vida. Desembarcar do mundo das alegrias e sem dores para confrontar a
realidade nua. Por trás da maquiagem que sorri estão as lágrimas
cristalizadas. Estas que aguardam o toque de recolher do palhaço para escorrer
pelos vincos faciais do humano. Na peça da vida, a vida torna-se uma peça.
Sentidos dessentidos, não sentidos, sem sentido talvez. Se o mundo fosse
verdadeiro a alegria dos palcos seria desnecessária. Prefiro deleitar-me
com a realidade que as cenas levam ao palco a perder-me na inquietude que o
mundo falseia em alegria. Por trás de cada ato, ecoa a imensidão do
abstrato que o palhaço eterniza para o mundo.
O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
#1008grau
Fez-se necessário uma NOTA AUTO-DESENHADA-EXPLICATIVA acerca do texto anterior #1007grau. Entre dúvidas, controvérsias e pessoas acreditando em "indiretas já" percebi uma tristeza digitalizando-se na tela à minha frente. Então, lá vai:
1) A era virtual é uma realidade que não tem volta. Entre os positivos e negativos que a tecnologia nos trouxe estão a aproximação das pessoas geograficamente distantes e consequentemente o distanciamento das geograficamente próximas.
2) A necessidade da exposição do sentimento do momento encontrou nas redes sociais uma forma de extravasar, de comunicar e de encontrar olhos e ouvidos virtualmente prontos para a lida e para a escuta. Expor-se é praticamente um mal necessário para ser notado, ser visto, ser curtido. O número de curtidas simboliza o grau de interatividade e para alguns de amizade.
3) A vida se tornou uma vitrine em tela cheia. E como quem não vê cara não vê coração, as declarações rolam em alto e bom tom. A falsidade também. Há quem viva parte do dia em postagens de indiretas na tentativa de acertar em cheio a cara de fulano e na outra parte do dia passa compartilhando frases de bate-pronto dos religiosos e santos de plantão.
4) E pra finalizar essa bagaça, só quis deixar relatado aquilo que vejo diariamente nas vitrines da vida e que não é novidade para ninguém. Nada mais. Não foi um recado, tampouco uma indireta, até porque os protagonistas da minha inspiração estão aquém de entender o meu pensamento e conectarem as ideias a si mesmos. Não se atentaram na vida real, quiçá na virtual!
Entendeu ou quer que pinte também?
1) A era virtual é uma realidade que não tem volta. Entre os positivos e negativos que a tecnologia nos trouxe estão a aproximação das pessoas geograficamente distantes e consequentemente o distanciamento das geograficamente próximas.
2) A necessidade da exposição do sentimento do momento encontrou nas redes sociais uma forma de extravasar, de comunicar e de encontrar olhos e ouvidos virtualmente prontos para a lida e para a escuta. Expor-se é praticamente um mal necessário para ser notado, ser visto, ser curtido. O número de curtidas simboliza o grau de interatividade e para alguns de amizade.
3) A vida se tornou uma vitrine em tela cheia. E como quem não vê cara não vê coração, as declarações rolam em alto e bom tom. A falsidade também. Há quem viva parte do dia em postagens de indiretas na tentativa de acertar em cheio a cara de fulano e na outra parte do dia passa compartilhando frases de bate-pronto dos religiosos e santos de plantão.
4) E pra finalizar essa bagaça, só quis deixar relatado aquilo que vejo diariamente nas vitrines da vida e que não é novidade para ninguém. Nada mais. Não foi um recado, tampouco uma indireta, até porque os protagonistas da minha inspiração estão aquém de entender o meu pensamento e conectarem as ideias a si mesmos. Não se atentaram na vida real, quiçá na virtual!
Entendeu ou quer que pinte também?
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
#1007grau
"Se sentindo feliz. Se sentindo triste. Se sentindo entendiado. Se sentindo vitorioso. Se sentindo abençoado. Se sentindo milionário..." Êpa! Esse último não deu certo. Vou tentar com mais vontade: "SE SENTINDO MILIONÁÁÁÁRIOOOOOO!!!" Putz! Tudo do mesmo jeito. É... não deu! Tá ruim mas tá bão! Vamo que vamo!
Hilário as tantas caras e bocas estatizadas na linha do tempo virtual, são bonitas, engraçadas, tristes, tem de tudo e para todos os públicos fiéis. Mas o que mais me chama a atenção são alguns fatos típicos dessa era virtualística em que as máscaras são calçadas para uma pose e um click somente. Pós evento, tudo volta ao normal, inclusive o telefone sem fio.
Nos comentários de cada foto estão as melhores declarações de amor incondicional. Eis um ponto positivo desse tempo: as pessoas estão mais encorajadas a expressarem o seu sentimento. Da mesma forma também estão mais aptas para usarem o momento como um gancho para dar um pitaco de falsidade. Óbvio!
Alguns posts vêm acompanhados de velhas frases de guerra. Aquelas com uma mensagem subliminar de paz, ou de amor, ou de família (kkkk). É... de família é complicado! Engraçado a fulanagem que sofre síndrome de rejeição e precisa se auto afirmar o tempo todo na vitrine do "face". Num determinado momento está possuidamente em guerra com o além, pois estão comentando de sua vida. Ninguém nunca viu a cara do comentarista que ousou falar mal da cara de vaca, mas a pessoa afirma que existe. Noutro, são só anjinhos do senhor pairando sobre sua cabeçona de ogro.
É... eis o estado de espírito num click: tudo tão perfeito seria se tão verdadeiro fosse!
Embriagada noite
Embriaga a noite de meus sonhos
A esperar-te sob a sombra das estrelas
Encontrando-te nas trincheiras
enluaradas
Longe do alcance da mira dos holofotes
A caminharmos descalços pelo relento
Em ciranda de carícias desritmadas
Na linguagem eloquente que o corpo
incita
Ao som de desprovidas canções
eternizadas
A embriagada noite desteme o compassar
do tempo
Sobre a terra de uma verdejante
encosta
Na sensualidade sutil da água
escorrendo pela pedra
Numa orquestra de bichos e matos
refrescantes
Que se comprazem na melodia dos
corações
Suor e orvalho se misturam sobre os
corpos
Enquanto as bocas sucumbem ao beijo
molhado
E no ar se paira a essência exalada do
desejo incontido
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Hoje, ontem, amanhã
Hoje,
Trago flores
Descarregado de pedras
Desprovido de dores
Após tantas esperas
Após tantas amores
Hoje,
Embriago-me de paz
Num copo sem cachaça
Largo a tristeza para trás
Deixo de lado a desgraça
O resto tanto faz
Ontem,
Afoguei-me na desesperança
E numa labuta inquietante adormeceu
Aquela latente lembrança
Da saudade do que não se viveu
Na eterna alma de criança
Amanhã,
O sol voltará a brilhar
Frio ou calor, sorrirei
A noite terá luar
Palco de estrelas, cantarei
E assim poderei amar
E assim poderei amar
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