quinta-feira, 5 de julho de 2018

Reflexos do tempo



De repente, parei no agora, e são tantos repentes que a vida encarou, saudades, vaidades, oportunidades, felicidades, que o agora foi parte do sonho num tal de antigamente.

As respostas que eu buscava incessantemente, que se tornaram um verdadeiro alvo no infinito, se dissiparam ao me deparar com a incerteza ou, talvez, a inexistência das questões.

Muitas dúvidas sucumbiram no tempo, no meu tempo. Elas deram espaço para a vida que, sendo vivida em cada dia deste tempo, me propiciou encontrar alvos mais concretos.

O mundo?! O mundo é uma realização da vaidade Divina. Deus?! Deus se tornou uma realização da vaidade humana que as religiões teimam em monopolizar e comercializar.

Viver por quem vale a pena viver e com quem esteja disposto a encarar suas piores tempestades de pensamento, humor, dúvida, astral, sofrimento e lona. Porque quando a maré virar calmaria é fácil velejar.



"Por que tanta matança?"


A pergunta do título é de autoria de um estrangeiro que fazia intercâmbio, segundo informações dadas pela internet, aqui no Brasil, especificamente em Uberlândia. Em uma carta encontrada no armário da empresa em que trabalhava o africano, cujo país de origem é a República do Congo, havia uma reflexão questionando o porquê de tanta crueldade e matança entres os seres humanos, que ainda segundo ele muitas pessoas precisam ridicularizar e humilhar a sua própria espécia para se dar bem na vida. Acredito que até já o tenha visto pelas ruas e por motivos diversos, o nome não será revelado aqui uma vez que outras mídias já o fizeram, basta apenas saber que mais uma vida foi tirada de forma violenta.

Tenho enorme respeito pelos que realizam suas travessias pela vida e pelo mundo. Não é fácil deixar sua Pátria e partir, na maioria das vezes rumo a um destino incerto, em busca de um sonho que muitas vezes torna-se um pesadelo. No bairro onde moro existem várias residências de estrangeiros. São pessoas alegres, extrovertidas, imigrantes que ousaram arriscar a sorte noutro lugar acreditando que lá fora, além das fronteiras, bastaria apenas a oportunidade de se dedicar a algo para que sua vida mudasse. 

Como já mencionei, a travessia não é fácil. São muitos os percalços que pairam no caminho e dificultam a continuidade do caminhar. Tive a oportunidade, ou melhor, a ousadia e determinação de realizar as minhas sendo que a mais difícil foi deixar minha cidade natal rumo à capital. O medo, óbvio que não deixou de me acompanhar, mas o sonho e a fé me encorajaram a seguir na luta. Cá estou. E por isso, por todo um contexto que não cabe em palavras, quando vejo ou conheço pessoas que fizeram algo parecido ou ainda maior, simplesmente ressalto meu respeito. 

Até onde pesquisei, ainda não se sabia se o corpo do jovem imigrante seria enterrado em Uberlândia ou voltaria para seu país de origem. Penso na dor da perda que os seus familiares, que lá ficaram, estão sentindo e, pior, sem saber os motivos pelos quais sua vida foi ceifada. A investigação sobre o crime seguirá por mais um tempo e talvez os assassinos nem serão encontrados. O caso será esquecido bem antes de um próximo jogo de futebol e a dor dos seus será um sepulcro aberto em seus corações que a cada dia enterrarão um pouquinho daquele que deixou saudades.

E com essa frase, também de autoria do jovem estrangeiro, finalizo esse texto: "Para quem tem fé, a vida nunca tem fim".

sábado, 16 de junho de 2018

Palavra & Honra


E a palavra de ordem do dia é: "Palavra tem que ser no fio do bigode", já dizia o meu avô Joaquim. Pra quem o conheceu, sabe bem o estilo daquele mineiro baixinho, entroncado, de poucas palavras, analfabeto porém muito sábio, justo, íntegro e que acima de qualquer coisa, deixava bem claro que sua palavra valia mais que um contrato. Afinal, palavra e nome, como ele também fazia questão de afirmar, andavam sempre juntos: "Tenha palavra e terá um nome. Nunca desonre esse nome porque você desonrará não só a você."




quarta-feira, 23 de maio de 2018

A maior religião de todas


Todo templo é solo sagrado. Merece respeito. A ideia central de sua fundação parte do pressuposto objetivo de propiciar um caminho de salvação aos seus fiéis. Para seguir por este caminho de salvação e fazer parte da seleta gama de merecedores da eternidade celestial é preciso seguir as regras institucionais a risca.

No caso das religiões cristãs, em especial a Católica, uma questão que sempre se mantém no auge das discussões são os fundamentos por detrás das tais regras, principalmente quando confrontadas com o evangelho pregado em único tom maior: amor. Historicamente Jesus confrontou a religião de sua época que, não por acaso, estava conivente com o sistema político. Sua perseguição e morte são o resultado de seu questionamento público e de sua luta para mostrar um caminho alternativo, despojado de alienações institucionais e de falsas morais.

Calaram o homem, mas seus feitos ressoam pelo tempo e a história não deixa estancar o som de sua voz. Para ser seguidor das palavras deste Homem não é necessário hastear nenhuma bandeira institucional, tampouco fazer apologia ao uso abusivo das regras moralmente religiosas em nome dos bons costumes ou de um Deus castigador. Se Sua palavra última sempre foi "amor", então o respeito, o bom senso, a justiça, a igualdade e a luta pela paz são as palavras de ordem que seguem fielmente essa nota. O que parte fora disso é uma pseudotentativa de institucionalizar, manipular e alienar a fé alheia.

Para fazer parte de uma religião não é necessário fazer discurso de salvação, ou de moral religiosa, ou de diabos e tentações, usando como subterfúgio descabido o método de denegrir a fé alheia, principalmente quando a religião do próximo faz parte de uma minoria perseguida historicamente e o autor do pseudodiscurso é um midiático religioso.

Sou Católico, de berço, ainda. Gosto da minha religião. Acredito que seus princípios originais ainda permanecem no coração de uns poucos homens e mulheres de boa fé que agregam as características descritas acima (3ª frase). Esses poucos (as) também não deixam de ser uma minoria, porém consciente, dentro de um amplo contexto que se perde entre o tradicionalismo, o medievalismo, o extremismo, o fanatismo e outros ismos mais. A inocência, a ignorância ou a conivência (ou todas as opções anteriores) são características da maioria e, nesse caso, apontar o que de fato existe "dentro" de casa é o mesmo que anunciar uma guerra.

Mas entre calar em nome de uma pseudopaz institucional, que impõe silêncio aos fiéis e que não aceita questionamento ou contestações, e denunciar os absurdos em nome da religião, de suas regras institucionais ou do Deus castigador usado por ela, com certeza me coloco entre os que se mantêm em frente de batalha e alinhados com a necessidade de mostrar que todo humano é sagrado. Essa é a maior religião de todas.

Enxergar o sagrado no humano é mais do que obrigação religiosa, é o papel de quem hasteia qualquer bandeira de fé. Quer contribuir para um mundo melhor? Acolha, conheça, pesquise, procure saber a origem da religião, sua origem, sua história, seus ritos, aí, quem sabe, passamos a compreender a religiosidade que ali existe e deixamos de caçar um diabo que é apenas fruto de uma imposição histórica e uma perseguição religiosa.

Tempo é passagem e nós os passageiros


O tempo ensina, sempre ensina. A truculência juvenil dá espaço para a contemplação na maturidade. É uma verdadeira arte saber compreender esse tempo, essa travessia conectada ao universo. Entre ter razão e calar, a segunda opção me permite sobrevida, saúde e paz. Nem sempre é possível, mas é possível tentar sempre. Discordar do que não se gosta já não é deselegante. E quando me questionam se não sou capaz de ceder, de reconhecer e mudar, apenas direi que sou o que sou por tantas mudanças necessárias, tantos pontos de vistas equivocados, tantos passos mal dados. Sou passageiro em travessia, repleto de mudanças, de passagens e de paisagens. Sou o resultado de minhas escolhas. Sou o reconhecimento dos meus erros. Sou a possibilidade de reconhecer-me tão humano quanto falho, tão frágil quanto disposto a tentar e encontrar a força necessária para levantar-me e prosseguir... Afinal, o tempo é passagem e nós somos meros passageiros.