Hoje lembrei-me da minha avó
Iolanda. Ela fazia um pão frito ao ovo que era uma delícia. Tentei recriar o
sabor da infância, reinventando sua prática. Incrementei com queijo fresco e
temperos. Reinventar, recriar, reconstruir a partir de pontos que julgamos por
vezes não conseguir mais, é algo que só o amor e a saudade permitem. E essa é a
nossa vida, feita de encontros, reencontros e possibilidades que só o amor e a
saudade podem entender...
O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2021
Sabedoria do amor: reinvenção e saudade
domingo, 12 de dezembro de 2021
Entre o início e o fim: a travessia
Assim como o dia se finda na chegada da
noite e a noite cede o céu para um novo dia, este ciclo infinito de partida e
chegada, início e fim, eu morro e renasço entre luz e escuridão, entre meus
anjos e demônios, ora me reencontrando em loucuras concretas, superando minhas
mortes e amando o amor que meus olhos encontraram em cada instante dessa
travessia, entre meus "antes e depois" da água da fonte...
Hoje eu vivo. Hoje eu, vivo. Hoje, eu,
vivo... Sem saber se amanhã assim será. Apenas na certeza de que uma nova
chance virá com o despertar. Sem poder mudar as palavras atiradas, mas ciente
do que eu posso fazer. Sem esperar que algo aconteça, mas fazendo minha parte
para chegar sobrevivido no fim com minhas marcas de luta e a chama da
esperança. Entre meus "antes e depois", o que marca o passado e o
presente, apenas sonho com o que há de melhor para a plena realização: a água
que move a vida e o amor.
Entre o esperar, eu escolho o acontecer. Entre mirar a chegada, escolho viver a travessia. Entre as possibilidades, eu escolho a única certeza que me move: o amor. Porque a única certeza que a água tem é que não há obstáculos que a impeçam de chegar ao mar... E o encontro de céu e mar é a plena realização do ciclo, desejo e amor, sonho e luta, fé e esperança, sol e lua, dia e noite, início e fim... Eu e Você.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
Sonho de luz
E na calada da noite quando o cansaço
domina
A cama me acaricia e o lençol me abraça
Enquanto o sono arrebata o corpo
A rédeas do pensamento já se soltaram
Eis que a intensidade do sonho se torna
marcante
Sonho é sonho, mas também pensamento
Dos detalhes vividos no auge de um
romance
Entre idas e vindas, o sonho acontece
A liberdade refletida entre olhos e
olhares
A felicidade estampada nos semblantes
protagonizados
Se dava mais forte que toda tentativa
de separá-los
Quando a força contrária se deu conta
de sua ineficiência
Restava compreender que o eterno não se
acaba
Pois o sentimento imortalizado entre
aqueles dois pares de olhos
Entre acaso ou destino, estava selado
Entre as cenas que vivenciei
Durante a partida daquele lugar
De todo um jardim, me deparo com a
única flor
Que me prende o olhar, a respiração e
os compassos
Como numa dança, ela abre suas pétalas
Antes de minha necessária e breve
partida
Me deparo com alguns lixos em cima do
tapete no meio da sala
E ao descer as escadas, percebi algumas
estruturas de madeira
Que estavam danificadas e comprometidas
pelo tempo...
E de toda a novela vivenciada, meus pensamentos me levaram para duas
partes: o lixo no meio da sala e as estruturas de madeira comprometidas. Há
coisas que precisam ser retiradas de onde estão. Precisam de um fim adequado.
Não se pode nem se deve carregar fardos desnecessários, ou acumular coisas sem
sentido. As estruturas danificadas, que comprometiam a segurança da casa, ou
precisaria ser consertada, reformada de forma geral, demolida para ser
reconstruída, ou ainda, simplesmente deixada para trás. Acredito que a
reconstrução, também pode se dar em outro lugar, com outros protagonistas.
Nessa experiência eu entendi que precisava mostrar onde estavam as necessidades
primordiais. Sonho é sonho, mas também experiência, sinal de luz.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Escolhas entre o tempo
Entre as escolhas sob e sobre o tempo, o que perdura não é como vivê-lo, mas com quem. E as melhores escolhas sempre deixarão saudades.
E por falar em saudades, saudade do que a gente
ainda não viveu...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
Cores, fragmentos e psicologia
Escrever o sentimento numa óptica que vai além e também aquém de quem teceu sua imaginação no papel é uma tarefa difícil. Ao mesmo tempo é gratificante para o autor imaginar, saber e sentir que sua obra pode ser vista, analisada, refletida e retratada sob vários olhares, pensamentos e vertentes. Nenhuma obra se finda somente na fonte de seu criador. Toda obra é travessia, é rio que permite vários cenários, várias paisagens, vários percursos.
Sobre a obra da minha amiga Renata, a primeira imagem que me veio à cabeça foi a de um palhaço. Os círculos em específico e as cores vibrantes e alegres me remeteram a alegria do palhaço. E uma frase de Charles Chaplin me veio à memória: "Se você tivesse acreditado nas minhas brincadeiras de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Eu falei muitas vezes como poeta mas nunca desacreditei da seriedade da plateia que sorria."
A cor laranja traz um pouco do quente do sol, do sertão, o horizonte e a esperança. O azul que remete ao céu, ao mar e fortalece a aventura e a alegria. O rosa, que de acordo com um romance do colegial, segundo a psicologia, é uma cor que acalma. O amarelo vibrante que traz um toque de ousadia. E o cinza que dá a sensação da terra firme. Uma conexão de cores que expressam muito mais sentimentos e atitudes do que propriamente exibem um simbolismo oculto.
A forma que cada espaço foi colorido demonstra a paciência e dedicação da autora, do cuidado e da visão de conexão entre curvas, círculos, espaços e fragmentos que se formam dentro de um retângulo.
Num plano mais geral, representa aos
meus olhos diversas fases da nossa travessia ao longo dos dias e da vida. Dias
coloridos, dias felizes e dias sem expressão. Altos e baixos, silêncios e
atitudes, paz e guerra. "Dias de luta, dias de glória" (Chorão).
