domingo, 13 de janeiro de 2013

O poder precisa das mazelas!



"Desce daí, vem pra perto
Vem lutar conosco
Vem sonhar o sonho da vida
Vivida e unida em Cristo
Com o povo que clama a liberdade
A liberdade pela vida!

Vem, desce do trono...
Se ponha em caminhada

Com o povo que dizes tu ser o representante dele..."

"O poder continua inventando bruxas. Ele precisa das mazelas para que sua soberania se instale, se impunha e dilacere as estruturas sociais, ao mesmo tempo que lança iscas e mascara a libertação, colocando-a como mera utopia."

"O poder precisa da existência e continuidade dos oprimidos para que a instituição os defenda sob holofotes, sempre, apenas... Se um dia não haver mais excluídos e oprimidos a hierarquia, o poder e o trono serão dispensáveis."


No sangue dos profetas...



"Sou mais o sangue de Cristo que corre nas veias dos profetas como Pedro Casaldáliga e Helder Camara que esses podres batinados, mascarados e maquiados que almejam apenas o trono, o status e o poder!"

"Por que tanta riqueza em ouro, concentrados nas profundezas e por sobre as paredes que cercam a realeza e a nobre corte da instituição? O poder da riqueza nas mãos dos elegidos, que por sinal os mantém inatingíveis no topo da pirâmide, é o mesmo que extermina os eleitos pela Verdade Única, os oprimidos que Jesus Cristo defende."

"Amo a religião e a religiosidade mas me oponho à hierárquica e poderosa instituição que vive num paralelo ausente além da realidade que os eleitos sobrevivem."

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

4+centão!!!



Quatrocentos escritos??? Ufa!!!
Não foi lá um sacrifício, não! Ao contrário, foi terapia, alegria, sentimento, saudade, partilha...

Só me pergunto, desde a origem de tudo isso, o que mudou, o que continuou e o que deixou de existir? Sim, muitas mudanças pessoais, profissionais, aterrizadas, eternizadas, utópicas, filosóficas, proféticas, poéticas, fervorosas... Tudo junto e misturado! Separado e acrescido...

Escrever já era prazeroso, e viera a se confundir com um vício... Uma fuga no tempo entre o tempo que vivo, o que vivi, o que viverei e o que deixei de fazê-lo. Mas, jamais uma fuga da realidade para esquecer das dores e tropeços.

Longe de carregar qualquer título, principalmente o de poeta! Quero ser eu mesmo, para assim, continuar a falar-escrevendo nas linhas do espaço e da vida, ora poetizando, ora anunciando e muito mais denunciando!

Nem tudo são flores, nem tudo são amores. Espinhos e dores fazem parte do cenário. É preciso ferir-se para que o corpo use de seus anticorpos no processo de cura e cicatrização. É preciso sentir o peso da mão adversária e, por vezes, olhar a lona de cara para baixo, para assim perceber a necessidade de superar-se nos treinos e na vida...

E quando tudo isso acabar? E quanto eu tiver de parar? E por que haveria de assim fazê-lo? Óbvio que aqui não é um mundo de ilusões. Apesar de conter altas doses de poesia e nostalgia, amor e saudade, a realidade é sempre a mesma.

A vida inspira poesia. Poesia é vida a todo momento, cantada, proseada, chorada, sofrida, declamada... Viver a cada dia como se o nascimento acontecesse em cada manhã acordada.

Enquanto o tempo de parar não vem, continuo a destilar esse antídoto compartilhado aos amigos, que para os desafetos tem sabor de veneno com efeitos colaterais que afetam a alma...

O sucesso consiste em ser e estar feliz em cada passo escolhido que se trilha. Aos 36 anos de idade entendo que preciso mesmo é estar perto de pessoas que amo. Compartilhar sonhos, fé e lutas ao lado de bons companheiros e companheiras. Correr atrás do objetivo é fazer o que gosto, o que gera satisfação, animação, rende frutos e marca a história, a história de sua própria vida...

400 escritos não foi uma marca buscada enfaticamente. Aconteceu naturalmente. Alguns amigos perguntaram-me onde arrumo tanto assunto e confesso que não sei. A resposta mais coerente que posso deixar é que apenas tomei gosto em observar a vida e amor em vivenciar a cada segundo.

Poesia é vida e viver é agora, sem demora...

Apenas... poesia



Quando estou cansado do ócio do mundo
Quando estou entediado com a corrida monótona
Quando estou insatisfeito com as questões à minha volta
Quando estou triste pelas imperfeições de meus atos
Quando desacredito do sonho, minha fé se abala e minha luta enfraquece
Paro tudo... respiro poesia... escrevo em linhas sinuosas
O que minha fala sem som ressoa na janela do coração

Quando passo a ver a maquiagem das máscaras
Muito mais que a enxergar o volume da essência
Quando ouço os eloquentes devaneios e tolos pensamentos
Muito mais que as canções em prosa e verso
Quando sinto o gosto daquilo que não tem mais sabor
Paro tudo... ingiro poesia... poetizo minhas angústias
Em linhas contínuas de desabafo que me trarão assim o paladar da vida

Quando corro não sei pra onde
Quando pulo de cima do muro
Quando voo nas asas da imaginação
Quando sofro pelo que ainda haverei de viver
Quando encontro o sorriso maroto, menino, levado
Paro tudo... canto poesia... em tom de alegria
Sorrindo ao mundo, amigo e profano, bandido e antídoto

E nas estações por onde passei, 
As amizades que lá deixei,
Os sonhos que também plantei,
Os romances que já vivenciei,
A saudade que sempre carreguei,
As lutas que já travei,
A fé que me sustentou,
Nas lonas que já tombei,
Das mãos que me sacudiram,
A dor que calado suportei,
As lágrimas que não escorreram,

Só tu, poesia e amiga, pode contemplar
Cada fração, cada razão, cada emoção
De segundo vivido
E nos intervalos de cada escrita
Poesia respirava
Poesia exalava
Poesia chorava e cantava
Poesia sentia
Poesia ouvia
Poesia sorria e alegria

Sempre companheira
De todas as horas...
Poesia, que é vida...

Olhares




Nos tolos e devaneios olhares
Deturpados, singulares
Esconde-se o mortal combate
A linguagem que não precisa de escrita
Nem de fala
Mesmo ao que se cala
Em cada piscar
Reluz o que há de pensar

Nos olhos que destilam
Que se iludem, que brilham
O mistério romântico
O desejo insano
A dor que se derrama em prantos
A fúria que se instaura

Eis o reflexo da alma
Exposto em raios invisíveis
Amor e dor
Ódio ou rancor
Os olhos falam
Traem os mais donos de si

Eis o brilho do sentimento
Que o coração combina
Em tons de descompasso
Por onde entra o nítido
Escapa o quase imperceptível
Amigos da verdade

Os olhos que sentem
A dor de suas lágrimas
Os olhos que perseguem
As asas do sentimento
Os olhos que falam
A linguagem do amor
Os olhos que não se calam
Que sonham mas lutam
Os olhares que vem e que vão
Do corpo, da alma e do coração

Ah, esses olhares...