terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Recortes & Rascunhos II - Lágrimas



Chuvas e lágrimas

Chuva cai lá fora

Minhas lágrimas aqui dentro

Ambos escorrem

Lavam

Levam dores

Regam lembranças

 

Tempo e desconstrução

Eu, por um momento 

Volto no tempo

Desconstruindo maldades

Com sólidas verdades

Preenchendo o vazio

Com amor

 

Mágoas e lutas

Mágoas geram dores

Que geram sofrimentos

Que criam raízes

Que corrói e destrói

Que enlouquece

Mas o morto ainda vive

E luta

 

Fria e seca

Não nasci pra esse mundo

De covardes e mentirosos

A ****@ fria e seca

Jogou o jogo da mentira

Manipulação e morte

Porque nunca teve amor

Nem de berço

Nem o meu

 


Recortes & Rascunhos III - Partidas e Despedidas



O equilibrista

A vida vale a pena 

Mas eu entendo a dor e a necessidade

De quem antecipa sua partida

 

Travessia

Pego o trem 

Desta vez da partida

E parto como se já não precisasse chegar

Meu lugar não está na partida

Nem na chegada

Vivo o pouco que me resta

No meio dessa louca travessia

 



Recortes & Rascunhos IV - Amore's



Êxtase

Minha pior e maior embriaguez 

Foi a de amor

A melhor também...

 

Vento

Bate o vento sobre a pele

São toques sutis 

Que a saudade me trouxe

 

O equilibrista II

Entre a dor e o amor

Entre a saudade e a solidão

Amar e não poder amar

Desejar e realizar

Somente no sonho

Ao morrer para a realidade

 

Solitude

Amo em silêncio

Na solidão de meus desertos

Sorrio em meio às dores

Choro quando as luzes se apagam

É aí que eu me acabo

Morro

E por destino, insistência ou penitência,

Às vezes renasço

 

Águas

Pudera eu simplesmente ser água

Seguir para o rio

Do rio para o mar, 

Ser eu em meio a tantos 

E de repente

Nessa imensidão de água

Te encontrar 

E me afogar

 

Vida por trás das vidas

A dor que o sorriso esconde

O tempo do amor que espera

São vidas paralelas e de essência

Em meio ao caos da aparência

 

 

 


quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Amor não se cria, ou se tem ou é vazia



Vagueia perdida entre os escombros da vida

Minh' alma que se recupera das lutas vividas

Na escaldante solidão dos desertos incertos 

Em que no sonho irreal a dor é o concreto 

O grito interrompido pela espera no tempo

As lágrimas que banham minha face ardente

Face ao veneno trazido escondido

Nas facetas da vil e ardilosa frieza

Que sem pudor usurpou sem meu consentimento

Cenas e capítulos da minha "pequena" alegria

Jogou injúrias e calúnias ao vento

Mas jamais teve a impetuosa destreza

Para punir a quem de fato lhe causou sofrimento

E cobrar a quem lhe virou as costas no momento

Preferiu transferir a sentença

Por saber que seu próprio jeito frio de ser

Ao meu amor jamais conseguiria fazer frente

Pois a mim que fui criado no amor e na simplicidade

Daria e dou minha vida a bem da verdade

Mas para aquela que nunca soube amar

Porque nunca fora amada

Sobrou-lhe da vida a desilusão

E mesmo que tenha lutado 

Para viver uma vida ao meu lado

Não passava de mentira inventada

Para realizar seus caprichos

Às custas do amor que tenho aos meus

Mas para aquela que nunca soube amar

Porque nunca fora amada

Pois ao invés de ser protegida e cuidada

Por aqueles que deveriam

Fora simplesmente abusada e desacreditada

E um dia será desmascarada

O preço justo no tempo pagando

E em seu próprio veneno se afogando

A vida dá, a vida ensina

A vida tira, a vida é traquina

Se tem algo que o ser humano pode é poder

Mas o que ele não pode é ferir para se satisfazer

Passe o tempo que passar

Que eu tenha que morrer

Um dia a cobrança irá lhe chegar

E onde quer que eu esteja 

Estarei assistindo sua derrocada com certeza

Brindando com meu próprio sangue

À luz de vela, ou de minha alma...

Tentou inventar amor mas falhou sem alegria

Amor não se cria, ou se tem ou é vazia


Fragmentos de vida e de morte


E como seria "uma vida pós suicídio"? 

Seria esse um tema para se discorrer após a partida antecipada? 

Causada pela injusta e cruel desumanidade e frieza?

Ninguém nunca saberá quem de fato

Ou o que de fato, aconteceu aqui dentro...

Minha vida sempre será uma incógnita... talvez!? 

Meus amores, minhas dores, em fragmentos, em porções 

Só se revelam por inteiro a quem de fato o amor merece: 

Meus filhos e àquela que me tentaram proibir...

Mas dentro das prisões que nos cercavam 

Nós fomos libertados em cada minuto de conversa, 

De olhar, de encontros 

Possíveis encontros que nos transportavam

Para uma dimensão única

De alegria, de paz, de amor

De deleite e desejo, paixão, de trocas e cumplicidade 

Em que nenhuma atmosfera externa podia nos afetar...

Dentro dos meus fragmentos eu sou inteiro, 

Eu me refaço, me multiplico

Em doses de amor para quem eu amo, 

Ou em doses de ódio para os meus algozes 

E a ela que jogou o jogo mais sujo

Por ter sido vítima de seu próprio pseudo-herói

O meu total desprezo

Quem vê apenas meus recortes

Estampados em sorrisos e olhares

Jamais consegue enxergar meus cortes...

Quantos cortes existem aqui dentro...

Quantas dores, 

Quantas batalhas, 

Quantas lágrimas empoçadas 

Lá no fundo da alma

Que talvez só a dor da morte

Para a plena libertação para vida...