sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Doce reencontro


Foi assim
Foste meu
Foste tudo
O alicerce e o muro
Até que desfez o meu mundo

Foste para mim
O bom homem e amigo
O versátil e sabido
Tão justo e tranquilo
Meu herói mas também bandido

Na solidão do deserto
Em que te quis tão perto
E me trancafiava em pensamento
Entre sua ausência e meus lamentos
Aguardando um desfecho incerto

Quis pagar-lhe em vida a minha morte
Tamanha minha dor de ti nesse corte
Deixando-lhe na penumbra de sua (in) consciência encarcerada
Com os horrores do peso de sua ausência gelada
A lhe atormentar pelo o tempo de sua eterna jornada

Não quis assim a vida
Foi preciso virar a página sofrida
Aproximar do teu calor
Pra sentir outra vez o teu amor
E entender que tu jamais deixou de receber o meu valor

Não sei se foi uma religiosa profecia
Se foi o tempo, maturidade ou magia
Mas posso lhe dizer, meu pai, que a vida é poesia
E nesses versos que em monólogo eu proseio
Você foi partida, foi meu fim e é o meu precioso meio

Descobri nesse novo tempo
Que minhas dores e meus lamentos
Era a incerteza de querer teus braços
A saudade em nó sem laço
E tua figura pra reafirmar meus passos

Nosso reencontro foi mais que alegria
Foi conhecimento, foi respeito, cerveja e companhia
Foi crescimento, foi perdão, emoção e poesia
Que depois da espera do tempo sofrido
Valeu cada segundo vivido e merecido

Sou de ti, meu pai, um admirador
Que extraiu do silêncio e da dor
O que há de mais sincero para lhe dedicar meu amor
De ti, muito mais que lembrança e saudade
Novo tempo, esperança e amizade...


Ao meu pai Derci Domingues de Oliveira


 














quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O transgressor


Ser onde o necessário é ter
Sobrevivência maldita
Transgredir onde a imposição é conformar
Destorpecência benquista

Desmaqueia a tua máscara
Apontas por sobre tuas pobres e coloridas cascas
Desenterra-te a ti mesmo da lama
Reaviva tua alma

No esconderijo mais perdido
Jaz a demência do ego banido
Teu eu, tão só, tão meu
Se dissipa neste breu

No silêncio e na solidão me resguardo em poesia
Refaço o deserto com minhas utopias
Arregaço o meu mundo em segredo
Desfaço caminhos e reconstruo pontes sem medo

Uma arma apontada em minha direção
Insiste a me alvejar em nome do amor ou da dor
Hipócritas! Desejam a posse do livre coração
Idiotas! Esqueceram: sou poeta, sou louco, sou transgressor!!!



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Arando sonhos


No sentido de cada sonho se faz sertão
Onde o arado segue ajeitando o chão
O vento abana, arranca mas também ara o céu 
E assenta a terra em brisa feito véu

Na ternura do amor sem vaidade
No canteiro onde se cultivava rosas
Aprendi nos causos de cada prosa
Que a essência está na simplicidade

Foi assim, arando sonhos e fazendo rimas
Que vi brotar no chão de cada linha 
A poesia que vem daquilo que não se vê
Aonde muitos olhos não sentem o que se lê

Foi de Rosas, foi de Oliveiras
Que o sangue em minhas veias
Irrigou o solo do meu sertão
E deu asas ao coração

Enfim, vou costurando prosas e tecendo poesia 
E de cada encontro uma semente de alegria
De cada abraço uma flor plantada ao chão
De cada sonho uma semente ao coração

Quem tem alma, que se atire sem máscaras!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Jesus: sem mito, sem rito


Nazareno, filho de um carpinteiro, Jesus era conhecedor das leis que regiam a sociedade de sua época, por sinal, fortemente marcada pela religião.

Sendo judeu abominou as regras religiosas que serviam muito mais para segregar, sentenciar e excluir as pessoas do que para resgatá-las, acolhe-las e incluí-las.

Ao questionar a maneira que os doutos interpretavam e aplicavam a lei, favoreceu o humano em detrimento dos ritos. 

Chocou a sociedade ao defender a prostituta de um apedrejamento público, ao colher milhos e curar leproso em dia de sábado. 

E se Ele, o nazareno, o judeu, o filho do carpinteiro, o Cristo, questionou as leis de sua religião, descumprindo-as por diversas vezes para favorecer a dignidade humana, por que então usam o cristianismo para continuar fazendo acepção de pessoas e determinar quem é merecedor do céu ou do inferno?

(...)

Essa revolução que Ele peitou na sociedade religiosa de seu tempo custou-lhe muito caro. 

Mataram o homem mas prevaleceu, sem demagogia, a Vida pela vida. 

Sua voz ressoa...


"Denominações que criam leis para adestrar fieis não são religiões." 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Saldos e novas notas


A última folha de 2015 foi escrita com um gostinho de saudade e felicidade. 
Encontros que se firmaram.
Desencontros que foram esquecidos.
A vida possibilita assim.
A supremacia do amor é crucial, imperativo e inadiável. 
Tudo acontece por amor ou pela falta dele.
Folhas secas ao chão, no ciclo da natureza, também é por amor.
O saldo foi positivo.
E, se foi, também tem perspectivas de que possa permanecer em novas páginas.
O "eis-me aqui, Senhor" de outras folhas é sustentado em especial para as relações.
Afinal, é delas que fluem as melhores partes.
A essência que brota de dentro.
As notas das novas páginas se compõe em tom de paz e amor. 

Gratidão a quem partilhou e degustou "Cá de dentro",
aos que acreditaram, aos amigos, aos familiares,
e em especial ao meu pai Derci Domingues de Oliveira.