O sertão é o sozinho, é dentro da gente, está em todo lugar. Deus e eu no sertão.
terça-feira, 6 de abril de 2021
Dia 100
Poder X Dever
Para todo mal existe um bem maior que o derrubará.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Ecos
Entre as ruínas de meus mundos
Escombros de um pós-guerra
Cenário de devastação
Um palco de silêncio e solidão
Nas prateleiras, meus
livros
Que ainda visitam meus
pensamentos
E a poeira que o tempo acumulou
Sobre as imagens danificadas
De um passado de suor e de sangue
Todo o esforço não fora em vão
E todo o sangue pulsante
Foi a tinta necessária
Talvez insuficiente
Para compor cada verso
Os ecos do silêncio
Que explodem peito adentro
Se quebram feito ondas
Em muralhas reconstruídas
Entre olhares, mãos e ombros
De quem nunca duvidou
Da verdade única
Que o inimigo tentou sucumbir
Os ecos do tempo
Que causaram desfeitos
Forjados por mãos e mente
ardilosas
Levou tempo, roubou o meu tempo
Tentou intimidar
Atentou contra a vida
E até poderia tira-la
Mas jamais conseguiria
Uma gota de amor
Porque o amor vem da alma
E minha alma é livre
E o meu amor nunca foi seu
Os ecos da alma
Escondidos, encontrados,
escolhidos
Neles, entre lágrimas e feridas
Refaço meu caminho,
Reconstruo minha morada
Restauro meu alicerce
Bato asas pela vida
Me armo de amor
E deixo cada vez mais distante
Aquilo que nunca amei
Entre o desumano e a injustiça
Recrio meu jardim
De amigos, de família, de fé
E toda a injusta dor
Que um dia me quebrou
Me deixou mais humano
Fortalecendo o meu compromisso
Para com os meus
Esse é o meu cenário, o meu palco
O meu legado, de honra, dignidade
E um amor que não se destrói...
Entre o rio e o sertão
Entre o rio e o sertão
A distância e o tempo
Destinos e travessias
Contos e utopias
Meu rio que desce sem
fim
Sonha em cortar seu
sertão
Te encontrar,
namorar, dar vida
Uma história
prometida
Seu sertão que ecoa o
silêncio
Anseia por
declarações apaixonadas
Trazidas pelos raios
da lua
De um rio de alma nua
Meu rio que de tempos
em tempos
Se enche e transborda
o amor
Ou quase seca na dor
da saudade
Anseia teu cheiro de
terra que invade
Minhas águas compreendem tua sede
Seu calor conforta o meu leito
Nesse conto real entre rio e sertão
A lua testemunha o nosso coração
Entre o rio e o
sertão
A lua ilumina nossa
história
Meu rio que
atravessou cidades
No seu sertão
encontrou amor de verdade
Você, meu sertão e
calmaria
Companhia certa e
silenciosa
Minha fonte de
inspiração
Em toda e qualquer
estação
Entre águas que
invadem
E terras que se
molham
Nem mesmo o tempo
impede
Esse amor
que não se mede
domingo, 21 de março de 2021
Preces sob o tempo, sobre o rio, a Deus
Quando penso no tempo
No que já foi e no que há de vir
Sinto-me como um rio
Que passa por entre margens
Redescobrindo paisagens
Contornando obstáculos
Seguindo seu destino
Mesmo sem visualizar o caminho
Mas sabendo do fim
Reencontrando com o mar
Voltando para casa
Se o mar é Deus
Que minha casa seja o céu
E que lá, quando me achegar
Eu possa misturar-me com outras águas,
Almas antigas e queridas
Fartando-me de saudosos abraços
E de água, de lágrimas...
Quando penso no tempo
Olho pelo caminho das águas
Toda a travessia
Em noites enluaradas
Manhãs de sol
Bem como os dias sombrios
E as noites escaldantes
Momentos em que o rio
Quase agoniza
Sem forças para prosseguir
E em algum momento
Do céu vem o retorno
Vem água, a chuva, a esperança
E os leitos se enchem
E tornam a vida ao seu redor
Menos sofrida, mais alegre
Mais viva
Quando penso no tempo
Olho para o horizonte
E vislumbro novos sonhos
Sonhos repletos de sentimentos
Esses que não cabem no peito
No leito
E transbordam para além de si
Para além da terra, da alma
E o maior de todos os sonhos
É o de reencontrar-me
Com outras águas de minha própria fonte
Este que ainda corre pequeno
Inocente, sereno...
Quando penso no tempo
Nesse tempo de agora
Por vezes, sem forças
Nem coragem de prosseguir
Sigo também empurrado
Por outras águas, outras almas
Rios irmãos que correm comigo em
paralelo
Ora se cruzando na travessia
E dando força na correnteza
Ou apenas sendo minha única força e
certeza
Ora sendo conduzido pela memória e
esperança
Para fortalecer as águas
Que nasceram de minhas entranhas
E então seguirei em paz, pelo amor
Em todas as estações
Celebrando o reencontro
Reencantando-me com as águas dos
meus...







