sábado, 27 de maio de 2017

O fim das coisas

*Eu e minha irmã Cinthia na mesa de nossos avós, 
Joaquim e Iolanda
"Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim"
"Naquela mesa", música de Nelson Gonçalves


Tudo tem um fim, principalmente as coisas materiais...

De frente para uma mesa com quatro cadeiras, que foi presente de casamento dos meus avós maternos Joaquim e Iolanda e hoje repousa aqui na cozinha de casa, fiquei observando as marcas do tempo. Desgastes naturais e pelo uso. Algumas partes descascadas e sem o brilho do verniz. Marcas que podem facilmente desaparecer se forem restauradas. Não será o caso.

Os objetos que foram de pessoas importantes sempre fiz questão de guardar e zelar. Olhar para eles é como abrir um álbum de fotografias na memória. A mesa e as cadeiras tem esse efeito. Lembro-me de meu avô sentado em uma ponta e eu de frente para ele. Minha avó em uma das laterais. Almoço de domingo era sempre assim...

Quantas conversas, quantas lições, quantas histórias eu ouvi sentado bem ali, juntinho deles... Coisas que o tempo não desgasta, não apaga. Dispensam restaurações. Momentos selados na história e na memória, eternizados no coração.

Eu mesmo poderia restaurar esse conjunto tão rústico e simples, mas senti a necessidade de permitir que tais objetos possam retornar também ao pó. É a lei da vida, o ciclo natural de todas as coisas. Nada é para sempre. Apenas o que vivemos, o fruto de nossas escolhas, ou o que deixamos de viver, isso sim será eterno.

Tudo merece o seu devido e respeitoso fim no tempo... As pessoas que produziram tal relíquia, bem como as que presentearam os meus avós, e eles próprios, já encontraram o seu descanso eterno. Ficaram as lembranças e a saudade...


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