terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Dama da noite

O que nos causa boas recordações? O que nos faz viajar pelo tempo e permitir suspirar a fragrância da saudade? O que nos conecta com as lembranças do passado onde a vida tinha uma significância mais simples mas que saciava a alma?

Não há resposta exata. Cada um que se ousar a refletir, percorrerá pelas entranhas de seu próprio pensamento em busca de uma essência de valor. O resultado se dará por sentimentos... Hoje eu fiz esse trajeto enquanto enamorava uma dama da noite. É um cheiro que dava as boas vindas na frente da casa de meus avós Joaquim e Iolanda. Ambos amavam todo o tipo de planta e flores e por isso tinham o seu próprio jardim e sua pequena horta no quintal, esta que foi o grande palco de minha infância.

O rústico, o improvisado, o artesanal, o inventado, a natureza, os bichos, enfim, o simples, são coisas que saciam uma parte do meu coração pois fazem parte da vida que tive junto deles. Os ensinamentos muitas vezes não se davam com palavras ou sermões, mas no olhar atento que eu tinha quando assistia meu avô trabalhando no quintal. Seu amor pela natureza me ensinou mais que as cadeiras acadêmicas.

O fascínio pelas flores, em especial, é algo natural. Elas me encantam e me prendem o olhar. Sou capaz de permanecer estático em plena contemplação e vislumbre, no silêncio absoluto, sem me importar com o tempo. E nessa conexão eu sinto meus avós vivos em meu coração, na lembrança. Eu simplesmente resgato um amor puro.

A dama da noite foi plantada na calçada. Com o tempo, por conta das folhas que forravam o chão, minha avó pediu para meu avô cortar. Mas nunca ficou sem um verde para ornamentar e sombrear a frente da casa.  Meu quarto tinha a janela voltada para a rua. O cheiro penetrava em seu interior. Admirar as plantas é cultivar o respeito que meus avós tinham para com a natureza. Isso é amor, é lembrança, é saudade, é ensinamento, é legado... 

Dama da noite e sua fragrância seduzente, hoje me conectaram com a essência da minha vida...

#PensamentoTretado:02

"Se o resultado de sua ação é positivo então foi Deus que te iluminou. Mas se o resultado for negativo, foi uma influência do maligno? E o livre-arbítrio fica onde? Se Deus pode intervir para o bem, porque não faz o mesmo para evitar o mal?"

#PensamentoTretado:01



"Sem a obrigação dos protocolos festivos. É assim que me sinto. Foi uma opção que me tirou fardos. Muito bom festejar quando se tem clima. Para quem passa o ano em pé de guerra, cumprir com o ritual das ceias é o mesmo que usar máscara... Sem essa! Façamos o que temos vontade, de peito aberto e consciência tranquila. O que passar disso é protocolo."

sábado, 24 de dezembro de 2016

Nada demais não


Eu?
Ah!
Quero nada demais não
Apenas minha rede
Violão e cantoria
Fogueira e poesia
Lua cheia seja bem vinda
Gente boa reunida
Sou desmedido da medida
Não sou mandado
Nem comandado
Faço o que quero
Na razão que eu espero
Sou água mas sou leito
Sou pedra mas sou terra
Sou mato mas sou bicho
Sou vida atrevida
Por isso quero nada demais não...

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Eu e o Tempo


Não é mais o tempo futuro 
Nem tampouco o passado
Esperança descrita num talvez
Sonhos de outrora deixados
A espera tornou os dias duros
E a ausência nunca se desfez

Sem promessas para o amanhã
Sem discursos no fim do ciclo
Sem lamentos sobre o inatingido
Hei de continuar no meu divã
À luz de um silêncio irrestrito
E subentenderei o que não foi dito

Desejos de um tempo de paz
De um olheiro de pensamento orante
Em busca da resposta dos dias
Eterno amor que não se desfaz
Na alma e na oração pensante
Que de tão vivo virou poesia 

Nada muda, tudo muda
O invisível, assim continua
Em laços que no tempo se dissolvem
A esperança é uma velha surda
A espera é uma dádiva da lua
Mas, não é o tempo, é o homem...

domingo, 18 de dezembro de 2016

Músicas e Flores


"Amigo é coisa pra se guardar

Do lado esquerdo do peito..."


E foi assim que tudo começou, com "Músicas e Flores". Essas foram suas primeiras palavras que, de alguma maneira, já nos regava com o seu gosto expressado com canto e encanto: a arte e a beleza no sagrado.


Sem desmérito com os que já passaram por aqui, mas o senhor preencheu um espaço que até então não havíamos dado conta de que ele existia. Sua presença nos trouxe uma espiritualidade diferente, inclusiva e desalienada. A simplicidade das coisas, em cada gesto e em cada trabalho, são pontos fortes que já estão marcados em nossos corações.

A incerteza do amanhã é regada de esperança e sofrimento. Esperança pelas sementes que o senhor plantou em nosso meio e pelo legado deixado em cada palavra e em cada gesto fraterno. Sofrimento nosso, pela despedida de um irmão, um amigo que caminhou junto com os seus e agora precisa cantar e perfumar em outras estradas e moradas...

Chegadas e partidas fazem parte de nossa caminhada em comunidade. Essa é a grande travessia que se faz nos campos e desertos da vida. O senhor foi mais que um sacerdote, foi companheiro sempre presente nessa jornada em toda a Paróquia de São Gaspar Bertoni. Jornada essa que continuará revivendo suas palavras e sua dedicação à esta comunidade que tanto o senhor dedicou seu amor e sua vocação...

Frei Geovane, o senhor é uma raridade! Sentimos uma imensa honra por tê-lo conosco. A alegria e a dor se misturam nesse momento. Alegria por saber que a comunidade para a qual o senhor irá estará bem amparada e em ótimas mãos. E dor... dor de saudade e tristeza por não termos sua presença aqui conosco em cada celebração, em cada festividade, em cada momento de nossa comunidade. Mas lembre-se, o senhor sempre estará em nossas orações.

Eternizado já está em nossos corações e no seio de nossa comunidade... Obrigado, nosso querido, Frei Geovane. Que o senhor sempre possa regar e perfumar a vida das pessoas e da comunidade para onde vai com "Músicas e Flores". Que Deus te abençoe, te proteja e te dê a paz.


Uma amizade que se eterniza para além da travessia...
Meu querido amigo, Frei Geovane...

















quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A pequenez sob o céu


Observando o mundo através da lente de uma câmera encontrei cores e vida que até então não percebia. Se via, não dava atenção. Coisas pequenas, comuns, acabam não tendo significância em nosso espaço e tempo.

Plantas que brotam em todo canto de terra, entre pedras, entre muros, no asfalto, em qualquer espaço, em qualquer tempo. Espécies desprezadas, ora pragas, ora matos, selvagens, indefesas, insistentes... coloridas, bonitas...

Da derivação dos verdes às miniaturas das flores descobri o universo da pequenez, uma contramão do mundo que exige de nós o esforço pelas coisas grandes, de renome, de retorno, de status... 

Nenhuma pequenez é insignificante. Todo detalhe tem sua importância. Depende apenas do olhar que descobre e registra o tempo. 

"Sob este céu, toda vida tem sua significância...
Sob este céu, somos todos pequenos, 
Somos obra do Criador..."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Na medida justa


Entre cores e matos
Instala-se o imperceptível
É também a vida no diminutivo
Jamais no pejorativo
Faltam fragrâncias
Extrapolam-se em essências
Nem demais, nem de menos
Na medida justa para o olhar
E o olhar dispensa palavras
O que se sente não se explica
Eis que isso poderia se aplicar ao amor...
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