quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Otariano Bour-Scariotes



Otariano era um cara mediano nas convicções. Usava de modéstia para destilar uma simplicidade forçosamente teatral. Culto e intelectual eram os adjetivos que gostava de ouvir na boca dos alunos. Ah, atuava como professor. Suas aulas teatrais eram uma mistura de pensamentos modernos e antigos, regados de boas palavras e repetidas poesias. Nada de novo ou anormal para quem entendia e compreendia a pseudoemoção entre os tons e subtons de suas prosas, que se tornaram meras falácias. Tinha o dom de manipular o clima do ambiente, mas não por muito tempo. Tornara-se cansativo o assistir numa espécie de palco e holofotes que ele se dava ao luxo de produzir e se sentir o maestro da vez. Tolo! Não passou de um indivíduo cheio de manias, uma escória deprimente de um ser que denigre uma classe. Não merecia tantas considerações, tampouco estar ali. Um lobo bem disfarçado. Um judas moderno. Um falso ser escondido entre olhos, boca, ouvidos e casca. Um cara repugnante digno de todo o asco. E tamanha eram suas falcatruas que Otariano simplesmente se fodeu de verde-amarelo, num desfecho hilariante que ao mesmo tempo lavou a alma de muita gente. A ele, o meu total desprezo. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Tempo: solidão e utopia

Já faz tempo...

Tanto tempo faz que as cores desbotaram
Naquela praça já não tem mais crianças
As escadarias foram cercadas com grade
Ali, onde se entoavam cantos 
Nas noites de céu estrelado
Hoje apenas o vazio mórbido
Como sinal de novos tempos
O que sobreviveu está apenas nas lembranças
Nas fotografias recortadas
A utopia, a inocência e a saudade

Já faz tempo... 

Tanto tempo faz que finquei raízes no mundo
Em busca desses novos tempos
Cortei meus sonhos de quintal
Voei de verdade rumo à capital
Mudei de casa, de cidade e de sonhos
Desacreditei dos discursos prontos
E valorizei a simplicidade da inteligência
Mudei meus mundos, meus risos
E senti na pele que tudo enfim muda
Os valores, os conceitos, os amigos
As dores, os amores, e as passadas

Já faz tempo 
Que o tempo não para
Tanto tempo faz
Que para o mundo parar
Meus sonhos tiveram de acordar


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Inquietações do mundo, desconstruções em mim


Em alguns instantes de puro devaneio várias questões me tiraram a leveza do descomprometimento universal. Sim, universal, pois esforcei-me para passar despercebido ao mesmo tempo em que nada quis enxergar. Tolo engano. Não tenho essa frieza viral dos donos do jogo sistêmico. Eles detêm as regras além do controle do tempo de jogo, bem como as cartas, os jogadores, a torcida, os juízes e tudo o mais que possam comprar ou usurpar. Esse tanto faz não me pertence.

Meus velhos fantasmas guerreiros ressurgiram e se rebelaram na fronteira do vácuo de meus pensamentos. Teimam eles em me interrogar sobre o sentido de estar aqui e agora. De modo massivo, questionam-me sobre o tipo de legado que estaríamos deixando, serão valores ou apenas instinto de sobrevivência que repassamos aos nossos? Dúvidas, incertezas, questionamentos, inquietudes...

Onde o ser humano existe irradia-se ambição, ganância, poder e destruição. Fato. E, à proporção com que isso se alastra, é descomunal e desproporcional ao se comparar com os poucos insurgentes que combatem o sistema armados apenas de esperança. Religiões de moral desvirtuadas e instituídas à base do sacrifício e da miséria humana formaram um verdadeiro império financeiro à custa da fé alheia. O resultado pode ser visto de algumas formas: para a massa, que tem sua fé manipulada e construída sem embasamento, custará o livre arbítrio e sua desobediência acarretará o castigo eterno (inferno); para os vendilhões e show-man's, que orquestram em seus palcos, altares ou púlpitos como instigadores do radicalismo institucional e do moralismo religioso, o resultado divide-se em poder, status, dinheiro e só.

E se elas (as religiões) continuam assim, o que se esperar de outros seguimentos como a política, por exemplo? Sim, as religiões não apenas "estão assim", elas "continuam assim" pois, desde os primórdios, sempre fizeram parte de algum golpe, alguma tragédia histórica, aconchavada com a política e com a elite interessada em poder, status e progresso, mesmo que tais ambições custem a vida e o sangue alheio.


Poucos são os que se revoltam com o que está imposto. Raros são os que ainda acreditam. Desapegar das instituições é um caminho não apenas de desconstrução que requer coragem, bom senso e, no mínimo, um pouco de esperança, mas não recear a solidão da estrada por onde andam todos os que se indispõem a conformar-se e a calar-se.

Acredito que, sendo devaneio, não tem começo nem fim. Não precisa ter uma resposta precisa diante de uma pergunta que nem sei qual é. Pouco me importa se a ala católica vai me excomungar por pensamentos que criticam o fanatismo doente da RCC, CN e outros afins, ou se ainda me indisponho e contrario os excessos moralistas incutidos nas entrelinhas dos documentos medievais... pouco me importa. Na verdade, foda-se! Aproveitando o gatilho, foda-se também os empresários da fé, de alas pentecostais, neopentecostais (primos mais velhos dos carismáticos católicos)...

Mais alguém? Vai um "foda-se" aí???

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Nossos risos


Eternizamos nossos momentos no tempo em que os vivemos
Desenterramos nossas memórias ao criarmos a nossa história
Desprezamos o impossível porque ele não se cria entre nós
Fortalecemos nossa coragem no olhar que depositamos um no outro
Geramos nossas próprias possibilidades de aventurarmos além da imaginação
Transpomos nossos limites, fadigas e cansaços num simples abraço que nos damos
Nossa relação ultrapassa laços, corpo, sangue e alma
Nossos risos brotam em cada segundo de nossa companhia

Hoje, em mais um dia especial, suamos e muito
Não perdemos o humor quando nossa brincadeira parou
Quando, por hora, perdemos a bola
Na dificuldade de escalar um muro alto
E descer do outro lado, ainda mais alto
Nos proporcionou lágrimas de risos
Improvisamos uma corda e a sua escalada, 
Entre esforço e graça, arranhões e risos
Marcamos em mais uma página do nosso tempo
Da nossa história, os nossos risos...































sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Medievalismo Religioso Contemporâneo


"O problema não está nas religiões, está nos ditos religiosos que ainda 
creem que a verdade é deles. Um desses, aprendiz de acólito, 
ressurgiu das cinzas medievais e baixou o santo por aqui. 
Haja armadura contra a hipocrisia! 
Valei-me santo, santo, sant..."


Tudo muda! Inclusive o número de idiotas que teimam em invocar Deus para castigar os opositores e questionadores da instituição alicerçada à base de uma fé medieval. Esse número aumenta constantemente. 

Li um texto, aliás, já li vários e em versões diferentes mas mantendo o mesmo sentido, em que o autor fala que Jesus foi subversivo, político, amigo dos ladrões e das putas. Alguma inverdade nisso? Tenho certeza que não! Mas tem um bocado de tapado que teima em manter Jesus num trono de ouro. 

Então, um certo aprendiz, que está na seleta lista dos que detêm a verdade para si, disse que o texto era uma ofensa à instituição religiosa e, por conta de tais desrespeitos, "o Sagrado Coração de Jesus sangra". 

Cri-cri-cri-cri-cri... (som de grilo, ok?!)

Pessoas com fome sangram, pessoas excluídas sangram, desrespeitar os diferentes faz sangrar... Creio que Jesus está nessas pessoas e não atrás de um monte de regras eclesiais.

Em outro momento, num grupo de "gentes" estudadas, dessas que estão sempre à frente de trabalhos comunitários-paroquianos-diocesanos, uma outra persona me questionou sobre o fato de eu ser contra um tal manifesto que tentava vetar a entrada de Judith Butler ao Brasil. Quem quiser conhecê-la e também as suas obras é só pesquisar no Google. Tirem suas conclusões! Os medievais falharam em sua insana missão. Ela veio ao Brasil, palestrou e não foi nada do que os gurus católicos previram. Chupa!!!

Os idiotas querem impor as trevas da idade média. São exímios oradores das regras institucionais e provam desconhecer profundamente o evangelho que liberta. São incapazes de fazer a leitura do tempo atual e congregar de forma a entender os diferentes. Ao contrário, sua imposição é antes de mais nada, uma sentença de morte para quem não segue as mesmas regras ou discorda delas. Para esses donos de sua verdade, ou você aceita e crê nessa sentença divina ou sofre as consequências: ex-comunhão; castigo imediato; castigo eterno; Xeol;Hades; Inferno. Modéstia parte, de Inferno a gente entende. 

Percebi que a maioria dos que sentenciam a vida de quem escolheu ser livre de amarras e dogmas, no fundo, são verdadeiros frustrados que queriam ter a coragem de viver feliz a sua liberdade. 
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