quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cá de Dentro - O Livro

 
* Imagem: Gilson Rocha

Escrever sempre foi não só uma arte apaixonante mas um caminho alternativo e com estilo próprio. Sinto também como um desbravar de horizontes e mundos ou, talvez, um refúgio, uma inquietude e um libertar-se. Com o tempo novas ressignificações surgiram e com estas a necessidade de materializar na história e na memória o fruto de mais de vinte anos de constantes ensaios.

Em tempo de tecnologias sofisticadas, onde um clique te coloca a par do que acontece do outro lado do mundo, os livros estão ficando em terceiro ou quarto plano. O público em geral é fiel às redes sociais e o que surte efeito são as frases feitas, imagens e muita fofocaria (mistura de fofoca com porcaria). Escrever um livro nos dias de hoje é quase uma insana loucura. Mas, quem disse que eu gosto das coisas normais?! Essa quebra de paradigmas é simplesmente um desafio ao qual me permito e me dedico conscientemente.


Já me encheram de perguntas a respeito do livro, antes mesmo de lerem o conteúdo. As melhores foram: É um livro de Deus? É um livro de autoajuda? Qual o sentido daquilo que você escreveu? Estou ciente e tranquilo quanto aos que vão ler com olhos abertos e críticos e os que vão simplesmente concluir por osmose virtual. Faz parte!


Em primeiro lugar escrever é também um passa-tempo ao qual me dedico com prazer desde a época de colégio. Não é um livro de Deus, foi eu mesmo que escrevi e apesar de não terem perguntado ainda, não é uma autobiografia. Também não é um livro de autoajuda nem tampouco descobri uma fórmula de enricar. Poesia não é para ser entendida, é para ser sentida. E quanto à última pergunta que selecionei respondo com uma frase de Mário Quintana: "Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro."



Bem, no trajeto da preparação para esta ousada obra, contei com a ajuda extrema de um grande amigo ao qual tive o prazer de conhecer no curso de Teologia: Gilson Rocha. A começar pela capa, ilustrações, organização, diagramação até a impressão, o empenho e os devidos méritos são dele.

O título da obra, Cá de Dentro, foi um dos últimos itens escolhidos após exaustiva seleção e correção de conteúdo que contou com a ajuda dos Mestres Gelson Neri e Margarete Santos, ambos professores da Faculdade Católica de Uberlândia, os quais têm a minha eterna gratidão e respeito.


Comentem, critiquem, opinem, mas, antes de qualquer coisa, leiam destorpecidos da necessidade de interpretar o sentido de cada verso. Apenas deixem fluir e sintam. Do mais, não sei de nada, só sei que foi assim...


Obrigado!



Fotos: Gilson Rocha - 29/10/15






quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ruptura e irmandade - por Gelson Neri


O ar é irmão da águia e do gavião.
O mar é irmão das gaivotas, dos poetas e dos pescadores.
A terra é irmã dos índios.
Somos irmãos do sol e da lua
do besouro e da grama verde e seca
Companheiros da borboleta
Amigos do corvo e da vaca

Quando chegar o entardecer da nossa vida
Descobriremos que o mistério da vida não é continuidade.
É ruptura! E na ruptura está a nossa irmandade.

A mesma vida dos pensamentos é a que está na pedra
Nossos pensamentos não são melhores que os do golfinho.
A nossa essência é a ternura e irmandade com todas as coisas.
A nossa cultura não se iguala ao canto do pássaro,
não é melhor que o choro do elefante,
não se compara ao lamento da leoa,
não se equipara ao olhar triste da águia presa
não se iguala à dança das águas

Quando chegar o entardecer da nossa vida
Descobriremos que o mistério da vida não é continuidade.
É ruptura! E na ruptura está a nossa irmandade.

Créditos ao autor: Professor e Amigo Gelson Neri
Fonte: www.professorgelsonneri.blogspot.com.br

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Para onde caminha a igreja católica?



Para o abismo e para o céu. Tudo é uma questão de óptica. Tudo depende de onde se fala e sobre o que se fala. Olhares diferentes sobre o mesmo ponto mostram diversidade, mas também revelam os perfis dos que estão falando de maneira consciente e com conhecimento de causa e os que repetem frases soltas e sem noção de onde estão.

A começar do topo da hierarquia, nota-se que o Papa Francisco tem não só uma visão para as causas mais urgentes da atualidade, mas também, atitudes concretas que possibilitam abertura e diálogo, inclusão e resgate à dignidade da pessoa. O mesmo não ocorre com a elite do alto escalão romano que ainda está cegamente enraizada em suas normas estáticas que não acompanharam o tempo. É visivelmente destoante a linha de pensamento entre tais. A distância é ainda maior no quesito comportamento.

Se a sede romana, de onde parte toda a estrutura organizacional e emana o poder de decisões e ações, não caminha em sintonia, quiçá nos escalões inferiores: dioceses, paróquias, comunidades, pastorais e grupos. Sem contar que, na individualidade de cada católico, existe uma diretriz que lhe foi passada, sabe-se lá de qual forma, e que está arraigada em seu ser. Essa pessoa em si também destoa de todo o contexto hierárquico que vai do local aonde participa até aos pilares da Santa Sé Romana.

O exacerbado preciosismo que algumas tendências fundamentalistas de esquerda ou de direita possuem em suas correntes e posicionamentos é um agravante para as questões da unidade interna. O liberalismo a qualquer custo e o apego às normas acima da pessoa humana se confrontam cotidianamente. Dessa batalha, novas subtendências se criam e se multiplicam. As bandeiras da paz e da unidade permanecem num local inatingível.

Se o abismo começa pelo topo hierárquico, o céu também pode estar mais centrado na base da estrutura institucional. Independente das decisões tomadas lá em Roma é a base que movimenta, sustenta e tem as ferramentas para mudar o cenário pessoal e coletivo. E a base referida, engrenagem viva e operante desse sistema religioso, é a Paróquia e suas Comunidades.

Os procedimentos adotados pelo alto da instituição Católica são digeridos e repassados até suas instâncias de base. O entendimento e aceitação do que vem de cima vai depender da liderança que repassa as informações e principalmente como as repassa. Daí, cada líder vai pintar conforme o seu gosto.

Neste disparate divergente entre polos distintos, abismo e céu, a comunidade católica caminha ciente de um comandante de mãos fortes que se empenha para uma igreja coerente com os ensinamentos de Jesus, comprometida com as causas imediatas e de suma importância como a fome, meio ambiente, vida, família, e noutras vezes cega, surda e muda quando as correntes oposicionistas, por vezes sensacionalistas, insurgem com os velhos discursos farisaicos e fadados de hipocrisia simplesmente porque existe uma lei que "proíbe colher milhos com as mãos em dia de sábado para comer".

Essa não é uma guerra santa. É uma batalha moderna e virtualmente infernal mas que interfere na realidade individual e coletiva. Bem e mal se misturam e trocam de lado conforme suas convicções ou necessidades. A individualidade do ser fica à mercê dos altos e baixos dos lados da mesma moeda, a dúbia igreja de olhares múltiplos com suas nuances para a estética, maquiagem, glamour e status e, em menor proporção e em segundo plano e voz, com outras para a vida, a paz e o bem.

Independente por qual caminho ela vai, simplesmente, ela se vai.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Receba os conteúdos por email