quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

#SustenidoNatalino


Então tá, né 
Já é natal
Pois é
Passando a régua em outro calendário
Troca de presentes
Dívidas para o próximo ano
Lindeza
Maravilhesa
Eita coisa esquisita viu
Encharcamento com bebida
Empanturração de comida
Colesterol bombando no metabolismo
E aquelas trocas de mensagens clichezão
"Vamos nos unir pelo planeta"
Phodástico demais
Bom, vou me preparar para a falsidade das #festasfindiano
"Feliz Natal aê!"


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Vamos fugir


Vamos fugir
Para além do tempo...
Deixando o pobre diabo a (re) bater-se
E queimando no deserto de seus dias
Reaprenderá a sobreviver
Pois, sua flagelação é espontânea
Não sabe cuidar-se
Nem tampouco socializar-se

Vamos fugir
Deste corpo e coração
Onde os olhos são cúmplices
A boca é conivente
E os ouvidos dementes

Vamos fugir
Nos libertar desses algozes
Tão próximos e ferozes
Tão íntimos e inconsequentes
Libertemo-nos, alma e pensamento
Assim, libertados, viveremos eternamente

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O culpado


Culpado!
Em todos as instâncias!
Pelas ações contra si mesmo, ter permitido!
Pelas razões da vida não ter ouvido!
Pelas emoções sem explicação ter mentido!
Pelas dores generalizadas, então, ter sentido!


Condenado!
A morrer todo dia, em cada dia!
Caminhando feito um errante solitário!
Onde a solidão será sua paga, seu salário!
O deserto lhe será o seu carrasco autoritário! 
E a sofreguidão sua única companhia solidária!

Exilado!
Para além de qualquer visão!
Para onde não existe o pensamento!
No vale das lágrimas e do não-tempo!
Onde a alma lhe vagueia em tormento!
E os teus dias lhe restarão sem sentimento!

Eu te condeno, "coração": culpado!
Você foi atrevido, bandido. 
Mentiu, trapaceou, iludiu e roubou.
És um risco pra si mesmo.
Esteja banido para além do tempo!
Exilado sejas...


sábado, 19 de dezembro de 2015

Feliz Natal (...)


Desejo a todos e todas, amigos, conhecidos e família, um Natal consciente! 

Que a verdadeira celebração não seja apenas mais uma festa de encontros

Que a grandeza desse momento não se deturpe e não se perca em brindes

Que o brilho da Estrela maior não seja ofuscada pelo show de luzes

Que o verdadeiro Presente, nós o permitamos nascer em nossos corações

Feliz Natal...

Feliz Natal (...) - II



Feliz Natal!!!
Chegou a época de trocar os presentes
Momentos ímpares entre os seus
A gente estoura uma champagne entre os nossos
Brindamos a vida, a alegria do encontro
Desejamos saúde, paz, amor, dinheiro no bolso (sempre!)
Após nos empanturrarmos de comida e nos encharcarmos de bebida, aguardamos os fogos de artifício que anunciam a entrada exata na data comemorativa
Então a gente se abraça fortemente
Choramos de saudade pelas ausências
E novamente brindamos...
Enfim, encerramos o ciclo de mais um ano
vencido, superado, as vezes, ferrado também
Por que não?
Afinal, durante o ano tivemos nossos obstáculos.

Mas, apesar dos pesares 
Que não falte paz nos lares...

Que não falte pão nas mesas...

Que não falte...gente alguma

E quem não tem lar?
E quem não tem nem o chão, quiçá o pão?
E quem não tem nem mesmo o nada?
Feliz Natal pra quem mesmo?!?!?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dá-me o teu sorriso


Nessas noites sem luar
Eu procuro o que não vejo
Céu escuro a retumbar
A saudade do teu beijo

Clareia o manto escuro do meu céu
E traz de volta o que eu preciso
Quero o brilho dos teus olhos, doce fel
Dá-me em dolo o teu sorriso

Tua brisa acaricia sem razão
Em teu colo, destemido sou refém
Tua voz me entorpece o coração
Ao teu lado sou coragem com desdém

Paguei caro e dou de graça a liberdade
Mas, dá-me o que eu preciso
Ou me amas ou me mata a saudade
(...) Devolva-me o teu sorriso

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Cenários atuais, esse é o meu


Discursos moralísticos e carregados da palavra ética fazem parte das pautas diárias de todo boteco que se preze. Gente que se diz cidadão de bem mas que burla as leis, não paga o imposto devido e dá sempre o jeitinho brasileiro para obter benefícios em causa própria são os mais doutos a manter esse assunto em alta. #hipocrisia


O cara grita "não à corrupção", "fora corruptos" mas apoia os meliantes que manipulam esse golpe antidemocrático com tarjas de impeachment. #blábláblá

Destituir o Governo, com fortes apelos pelo retorno da ditadura, com o apoio do Cunha, do Paulinho da Força, do Feliciano, do Bolsonaro (já citado para candidato à presidência) virou moda virtual. Tudo gente boa que nada deve, nada teme! #escória

Não sou esquerda, muito menos direita e não concordo com algumas medidas tomadas pelo Governo. Porém, longe de incitar uma crise forjada e elitizada em prol de uma banda que não soube perder democraticamente. #babaquice

Conheço cada figura que cacareja aos quatro ventos sem base e sem fundamento que só não é mais chacota por falta de oportunidade. #acordaotário

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O filho do carroceiro - II


Ele só queria uma manga.

Nos dias que aconteceram a limpeza do terreno, podas de árvores, retirada de matos e as viagens que o carroceiro puxava em sua carroça, outra vez estive frente a frente com uma situação tocante.

No terceiro dia o homem com seu filho de onze anos carregavam os galhos e folhas. Num determinado momento, o menino pediu uma manga. Entreguei-lhe uma sacola com várias que já havia recolhido anteriormente.

A surpresa veio quando o garoto implorou-me para não contar que ele havia pedido, caso contrário seu pai ficaria muito bravo.

Esperei o senhor se aproximar e lhe disse que estava dando a sacola com as frutas para eles. Agradeceu simplesmente.

O menino não estuda. Perguntei-lhe. Não conseguiu vaga, essa foi a resposta. Mas, completou cheio de esperança que, no ano que vem vai estudar de qualquer jeito. O pai nada disse.

Algumas vezes elogiei o esforço do filho para o pai, levando em conta que estava fazendo serviço pesado de gente adulta. O homem respondeu que o filho é danado e dá muito trabalho.

Pra bom entendedor: "não dá pra dar moleza pra moleque que senão ele apronta." Essa foi a minha conclusão.

Uma criança que pega no batente durante sua infância, não estuda regularmente, teme ao pai que com certeza deve ser bruto na educação, e deve desconhecer quase tudo dessa era digital, infelizmente faz parte de uma estatística desconhecida por muitos.

O garoto mencionado já tem suas pequenas mãos calejadas. Eu vi, percebi. O tempo que ele não dedica aos estudos o coloca cada vez mais aquém da margem social.

Porém, o que demonstra pelo pai vai além de medo. Existe respeito! Respeito que não se vê por aí, principalmente nas escolas. A mídia moderna mostra isso constantemente ao divulgar vídeos de crianças e adolescentes agredindo professores, por exemplo.

O que se pode esperar eu não sei, mas posso dizer o que senti no olhar dessa criança. A obediência, a cumplicidade, o respeito, a responsabilidade tão cedo adquirida, muito sonho contido e esperança de um futuro melhor.

Ele tem qualidades cada vez mais em extinção nos filhos dessa era digital. Tenho plena convicção de que isso será um diferencial em sua vida...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

De volta pra casa


Nascer tem um sentido: viver.
Morrer é certo. 
Certo?! 
Será?!

Seria a morte um retorno? 
"A morte é uma pausa da individualidade e a volta para o todo." (*)

Ou uma continuidade?
"É crível, é possível. 
Uma travessia para a eternidade.
Um retorno para casa. 
Uma continuidade sem chronos. 
Se a morte é irmã, como dizia Francisco de Assis, a eternidade é mãe. 
Deus é amor. 
Deus é eterno. 
Deus é mãe. 
Estaremos bem, de volta pra casa." (**)

A poesia permite esse tráfego de pensamento louco.
Desordenado para os padrões atuais.
Pensar ainda pode. 
A morte assusta.
Assustador pensar sobre a morte.

De qualquer forma
Estamos sempre partindo
"De volta pra casa..." (***)


(*) Sandra Silva Arantes - comentários em "Pra quando for a hora" - www.escritosemtempos.blogspot.com.br

(**) Ailton Domingues de Oliveira - (Idem, Ibid)

(***) Cássia Éller - "Por equanto"

domingo, 6 de dezembro de 2015

Superficialização

 (*)

Ao entregar o livro "Cá de dentro" a moça abriu-o e disse que precisava de um lugar assim, como o poema "Apenas um lugar" descrevia, sem conexão com a tecnologia.
De certa forma ta todo mundo perdendo o contato, o calor humano.
As relações estão superficiais, virtuais.
As pessoas estão acostumadas com tragédias cada vez mais violentas expostas nas redes sociais. 
Nada mais comove. 
Nada mais emociona.
Estamos numa era de maquiagem virtual.
Todo mundo é lindo.
As declarações de amor explodem por aí, de lá pra cá, daqui pra lá.
Na vida real, nada acontece.
Pessoas distantes que se fazem próximas.
Pessoas próximas que se distanciam.
É a vida.
São as pessoas. 
É a tecnologia. 
É a frieza humana.
Estamos mergulhados na era do superficial.
Pena.
O que será num futuro próximo?
Será?

(*) Foto de uma flor artificial, daquelas que ornam as lápides.

Aos mestres com carinho - III



Professor. Professores. Então, após dar um passeio no tempo e recordar com saudade sobre os primeiros passos da alfabetização mergulho no presente dessa semana. Dois momentos ímpares que me fizeram pensativo. Ainda mais. Agradecido também.

Segunda feira, último dia de novembro. Estávamos na cantina da faculdade, eu, alguns amigos e o professor Márcio Fernandes, doutorando em Filosofia na USP, que abre o livro "Cá de dentro" e nos lê o poema "Ecos do Tempo". Indescritível a sensação de ouvir o seu pensamento recitado pela boca de um Mestre. Interessante o sentimento que ele depositou ao encontrar-se nessas linhas. Gratificante tudo isso.

Já na terça feira, primeiro dia de dezembro, aconteceu a última avaliação do 5º período do curso de Teologia. Ao me dirigir para entregar a prova o professor Antonio Jacaúna me disse que precisava de umas "Doses diárias" de poesia, de Drumonnd, Quintana. Imaginei que sua vontade tivesse sido despertada ao ler alguns dos meus poemas. A surpresa maior foi quando ele olhou em meus olhos e disse "escrevo porque escrevo". Assim caiu a ficha que ele estava literalmente me dizendo frases do meu livro "Cá de dentro". Fiquei sem palavras e só soube sorrir desconcertado. Gratidão!

No texto anterior citei as minhas primeiras professoras. Neste, comentei sobre dois professores do meu atual curso. Em comum, eu estava apenas escutando. E justamente por isso a frase do Rubem Alves no final deste escrito. Creio que a mesma surpresa ao conseguir escrever e ler as primeiras letras se deu neste outro momento que ouvi minhas poesias recitadas em outras vozes.


Minha admiração é eterna por todos os professores. Admiração! Óbvio que empatia é algo à parte que não se impõe, apenas flui natural ou não.  Encontrei profissionais, mestres, doutores aos quais tive a oportunidade de partilhar meus escritos. A todos vocês, professores do curso de Teologia, que dividiram momentos ímpares em nosso espaço sagrado, simplesmente meu muito obrigado!



sábado, 5 de dezembro de 2015

Aos mestres com carinho - II



Professor. É arte. É dedicação. É amor. Há quem assim nasceu. Dom total. Há quem se esforce para ser bom profissional nessa arte. As vezes dá certo. Em sua maioria não. 

A experiência dessa semana me remeteu ao passado. Começo então pelo passado para achegar-me ao presente. Antes de aprender a ler e a escrever a gente ouvia o professor ensinar. Há também quem teve um apoio extra em casa para o início da alfabetização mas nada comparado aos professores. Esses são mágicos, místicos, tem poderes. Creio que a tarefa mais difícil se deu no pré e no antigo primeiro ano. Minhas professoras foram Márcia Leão e Leni, respectivamente.

O que se via na lousa da Escola Moreira Porto não passavam de rabiscos. Era interessante, legal, e por vezes complicado fazer o contorno adequado conforme cada letra desenhada no quadro. Os primeiro garranchos eram os piores. Muito tempo depois eu me recordo com saudade daquela época, das artes e dos meus ídolos. Sim, são ídolos. E por ter tido o privilégio de tê-los em minha vida, em vários momentos quis fazer o que eles fizeram: ensinar com arte e amor. 

Mas, hoje concluo que talvez não seria uma boa ser professor. Não quero ser ídolo. Quero tê-los apenas. São únicos e a eles me reverencio toda vez que penso na minha história de educação escolar, quando os encontro e também nas possibilidades que a vida me proporciona de conhecer outros mestres nessas doces travessias. 

Gratidão eterna!

* Continua no próximo sobre o "presente".




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Descontruções


E neste processo
Quem tá longe se faz perto
E quem tá perto
Não te quer sentindo
Tantos amigos que eu ganhei de novo e sorrindo
Tanta gente que chegou saindo

A gente espanta
Com essa coisa braba
De quem não quer nada com nada
E não se perde a oportunidade
De usar a língua com vontade
Solta o verbo e não se cansa

Desconstruir-se faz sentido
Eu que já fui encontrado
Vou me fazendo perdido
E buscando razões em outros lados
Escrevendo certo onde tava errado
Retornando em terra que já fui banido

Minhas desconstruções serão eternas
Se Deus quiser serão
Enquanto estiver bem das pernas
Vou reaprendendo a desamarrar
Onde o ensino foi imposição
Vou reconstruir com outro olhar

A certeza certa e imediata
É não se limitar atrás do muro
Deste lado o cego-surdo-mudo
Segue a sua trilha obediente
Precisa agora de um destorpecente
Pra encontrar o rumo de sua jornada

Sigo a vida navegando
Em outras águas me encontrando
Beijando em sonho a minha rosa
Fazendo verso, tramando prosa
Sobrevivo à guerra sem razão
Reaprendendo em minha desconstrução

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pra quando for a hora...


Eu vejo mensagens de despedida
Para quem partiu desta vida
Vejo declarações comoventes
Com imagens de um luto indecente

Eu vejo o adeus na boca do humano 
Tão vazio, sem sagrado, sem profano
Vejo, porém, atitudes idealmente surreais
Quando se trata de outros animais

De minhas quimeras, que se façam partes
Em cinzas, me devolvam com arte
À terra, um pouco sob a lápide fria
Para as rezas e os ritos, silêncio da travessia

Outra parte, aos pés de uma roseira
Às águas do Panema, meu rio, uma terceira
E por último nas águas desta terra em que estou
Aonde amei o amor e o amor me amou

Eu sugiro uma bela canção
Nas vozes dos meus amigos do coração
Recitem versos, os meus preferidos
E dispensem aquelas falácias dos meus esquecidos

Abominarei, de onde estiver, e vou
Qualquer menção de quem nunca se importou
E o velho discurso de que fora uma pena não ter ficado
Mais pena é saber de que em vida não fora lembrado

Expulsem a chicote os ausentes
Deixem-me em paz com os meus presentes
Não permitam, eu peço, por favor
Nenhuma lágrima de falsa dor

A herança será o que eu fui, a minha história
E nas entrelinhas jazerá a minha memória
Travessia de um deserto penoso e feliz em flor
Vou aonde há de ser, com fé, saudade e amor

* Para este dia dispensem as tecnologias!

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