quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

#SustenidoNatalino


Então tá, né 
Já é natal
Pois é
Passando a régua em outro calendário
Troca de presentes
Dívidas para o próximo ano
Lindeza
Maravilhesa
Eita coisa esquisita viu
Encharcamento com bebida
Empanturração de comida
Colesterol bombando no metabolismo
E aquelas trocas de mensagens clichezão
"Vamos nos unir pelo planeta"
Phodástico demais
Bom, vou me preparar para a falsidade das #festasfindiano
"Feliz Natal aê!"


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Vamos fugir


Vamos fugir
Para além do tempo...
Deixando o pobre diabo a (re) bater-se
E queimando no deserto de seus dias
Reaprenderá a sobreviver
Pois, sua flagelação é espontânea
Não sabe cuidar-se
Nem tampouco socializar-se

Vamos fugir
Deste corpo e coração
Onde os olhos são cúmplices
A boca é conivente
E os ouvidos dementes

Vamos fugir
Nos libertar desses algozes
Tão próximos e ferozes
Tão íntimos e inconsequentes
Libertemo-nos, alma e pensamento
Assim, libertados, viveremos eternamente

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O culpado


Culpado!
Em todos as instâncias!
Pelas ações contra si mesmo, ter permitido!
Pelas razões da vida não ter ouvido!
Pelas emoções sem explicação ter mentido!
Pelas dores generalizadas, então, ter sentido!


Condenado!
A morrer todo dia, em cada dia!
Caminhando feito um errante solitário!
Onde a solidão será sua paga, seu salário!
O deserto lhe será o seu carrasco autoritário! 
E a sofreguidão sua única companhia solidária!

Exilado!
Para além de qualquer visão!
Para onde não existe o pensamento!
No vale das lágrimas e do não-tempo!
Onde a alma lhe vagueia em tormento!
E os teus dias lhe restarão sem sentimento!

Eu te condeno, "coração": culpado!
Você foi atrevido, bandido. 
Mentiu, trapaceou, iludiu e roubou.
És um risco pra si mesmo.
Esteja banido para além do tempo!
Exilado sejas...


sábado, 19 de dezembro de 2015

Feliz Natal (...)


Desejo a todos e todas, amigos, conhecidos e família, um Natal consciente! 

Que a verdadeira celebração não seja apenas mais uma festa de encontros

Que a grandeza desse momento não se deturpe e não se perca em brindes

Que o brilho da Estrela maior não seja ofuscada pelo show de luzes

Que o verdadeiro Presente, nós o permitamos nascer em nossos corações

Feliz Natal...

Feliz Natal (...) - II



Feliz Natal!!!
Chegou a época de trocar os presentes
Momentos ímpares entre os seus
A gente estoura uma champagne entre os nossos
Brindamos a vida, a alegria do encontro
Desejamos saúde, paz, amor, dinheiro no bolso (sempre!)
Após nos empanturrarmos de comida e nos encharcarmos de bebida, aguardamos os fogos de artifício que anunciam a entrada exata na data comemorativa
Então a gente se abraça fortemente
Choramos de saudade pelas ausências
E novamente brindamos...
Enfim, encerramos o ciclo de mais um ano
vencido, superado, as vezes, ferrado também
Por que não?
Afinal, durante o ano tivemos nossos obstáculos.

Mas, apesar dos pesares 
Que não falte paz nos lares...

Que não falte pão nas mesas...

Que não falte...gente alguma

E quem não tem lar?
E quem não tem nem o chão, quiçá o pão?
E quem não tem nem mesmo o nada?
Feliz Natal pra quem mesmo?!?!?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dá-me o teu sorriso


Nessas noites sem luar
Eu procuro o que não vejo
Céu escuro a retumbar
A saudade do teu beijo

Clareia o manto escuro do meu céu
E traz de volta o que eu preciso
Quero o brilho dos teus olhos, doce fel
Dá-me em dolo o teu sorriso

Tua brisa acaricia sem razão
Em teu colo, destemido sou refém
Tua voz me entorpece o coração
Ao teu lado sou coragem com desdém

Paguei caro e dou de graça a liberdade
Mas, dá-me o que eu preciso
Ou me amas ou me mata a saudade
(...) Devolva-me o teu sorriso

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Cenários atuais, esse é o meu


Discursos moralísticos e carregados da palavra ética fazem parte das pautas diárias de todo boteco que se preze. Gente que se diz cidadão de bem mas que burla as leis, não paga o imposto devido e dá sempre o jeitinho brasileiro para obter benefícios em causa própria são os mais doutos a manter esse assunto em alta. #hipocrisia


O cara grita "não à corrupção", "fora corruptos" mas apoia os meliantes que manipulam esse golpe antidemocrático com tarjas de impeachment. #blábláblá

Destituir o Governo, com fortes apelos pelo retorno da ditadura, com o apoio do Cunha, do Paulinho da Força, do Feliciano, do Bolsonaro (já citado para candidato à presidência) virou moda virtual. Tudo gente boa que nada deve, nada teme! #escória

Não sou esquerda, muito menos direita e não concordo com algumas medidas tomadas pelo Governo. Porém, longe de incitar uma crise forjada e elitizada em prol de uma banda que não soube perder democraticamente. #babaquice

Conheço cada figura que cacareja aos quatro ventos sem base e sem fundamento que só não é mais chacota por falta de oportunidade. #acordaotário

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O filho do carroceiro - II


Ele só queria uma manga.

Nos dias que aconteceram a limpeza do terreno, podas de árvores, retirada de matos e as viagens que o carroceiro puxava em sua carroça, outra vez estive frente a frente com uma situação tocante.

No terceiro dia o homem com seu filho de onze anos carregavam os galhos e folhas. Num determinado momento, o menino pediu uma manga. Entreguei-lhe uma sacola com várias que já havia recolhido anteriormente.

A surpresa veio quando o garoto implorou-me para não contar que ele havia pedido, caso contrário seu pai ficaria muito bravo.

Esperei o senhor se aproximar e lhe disse que estava dando a sacola com as frutas para eles. Agradeceu simplesmente.

O menino não estuda. Perguntei-lhe. Não conseguiu vaga, essa foi a resposta. Mas, completou cheio de esperança que, no ano que vem vai estudar de qualquer jeito. O pai nada disse.

Algumas vezes elogiei o esforço do filho para o pai, levando em conta que estava fazendo serviço pesado de gente adulta. O homem respondeu que o filho é danado e dá muito trabalho.

Pra bom entendedor: "não dá pra dar moleza pra moleque que senão ele apronta." Essa foi a minha conclusão.

Uma criança que pega no batente durante sua infância, não estuda regularmente, teme ao pai que com certeza deve ser bruto na educação, e deve desconhecer quase tudo dessa era digital, infelizmente faz parte de uma estatística desconhecida por muitos.

O garoto mencionado já tem suas pequenas mãos calejadas. Eu vi, percebi. O tempo que ele não dedica aos estudos o coloca cada vez mais aquém da margem social.

Porém, o que demonstra pelo pai vai além de medo. Existe respeito! Respeito que não se vê por aí, principalmente nas escolas. A mídia moderna mostra isso constantemente ao divulgar vídeos de crianças e adolescentes agredindo professores, por exemplo.

O que se pode esperar eu não sei, mas posso dizer o que senti no olhar dessa criança. A obediência, a cumplicidade, o respeito, a responsabilidade tão cedo adquirida, muito sonho contido e esperança de um futuro melhor.

Ele tem qualidades cada vez mais em extinção nos filhos dessa era digital. Tenho plena convicção de que isso será um diferencial em sua vida...

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

De volta pra casa


Nascer tem um sentido: viver.
Morrer é certo. 
Certo?! 
Será?!

Seria a morte um retorno? 
"A morte é uma pausa da individualidade e a volta para o todo." (*)

Ou uma continuidade?
"É crível, é possível. 
Uma travessia para a eternidade.
Um retorno para casa. 
Uma continuidade sem chronos. 
Se a morte é irmã, como dizia Francisco de Assis, a eternidade é mãe. 
Deus é amor. 
Deus é eterno. 
Deus é mãe. 
Estaremos bem, de volta pra casa." (**)

A poesia permite esse tráfego de pensamento louco.
Desordenado para os padrões atuais.
Pensar ainda pode. 
A morte assusta.
Assustador pensar sobre a morte.

De qualquer forma
Estamos sempre partindo
"De volta pra casa..." (***)


(*) Sandra Silva Arantes - comentários em "Pra quando for a hora" - www.escritosemtempos.blogspot.com.br

(**) Ailton Domingues de Oliveira - (Idem, Ibid)

(***) Cássia Éller - "Por equanto"

domingo, 6 de dezembro de 2015

Superficialização

 (*)

Ao entregar o livro "Cá de dentro" a moça abriu-o e disse que precisava de um lugar assim, como o poema "Apenas um lugar" descrevia, sem conexão com a tecnologia.
De certa forma ta todo mundo perdendo o contato, o calor humano.
As relações estão superficiais, virtuais.
As pessoas estão acostumadas com tragédias cada vez mais violentas expostas nas redes sociais. 
Nada mais comove. 
Nada mais emociona.
Estamos numa era de maquiagem virtual.
Todo mundo é lindo.
As declarações de amor explodem por aí, de lá pra cá, daqui pra lá.
Na vida real, nada acontece.
Pessoas distantes que se fazem próximas.
Pessoas próximas que se distanciam.
É a vida.
São as pessoas. 
É a tecnologia. 
É a frieza humana.
Estamos mergulhados na era do superficial.
Pena.
O que será num futuro próximo?
Será?

(*) Foto de uma flor artificial, daquelas que ornam as lápides.

Aos mestres com carinho - III



Professor. Professores. Então, após dar um passeio no tempo e recordar com saudade sobre os primeiros passos da alfabetização mergulho no presente dessa semana. Dois momentos ímpares que me fizeram pensativo. Ainda mais. Agradecido também.

Segunda feira, último dia de novembro. Estávamos na cantina da faculdade, eu, alguns amigos e o professor Márcio Fernandes, doutorando em Filosofia na USP, que abre o livro "Cá de dentro" e nos lê o poema "Ecos do Tempo". Indescritível a sensação de ouvir o seu pensamento recitado pela boca de um Mestre. Interessante o sentimento que ele depositou ao encontrar-se nessas linhas. Gratificante tudo isso.

Já na terça feira, primeiro dia de dezembro, aconteceu a última avaliação do 5º período do curso de Teologia. Ao me dirigir para entregar a prova o professor Antonio Jacaúna me disse que precisava de umas "Doses diárias" de poesia, de Drumonnd, Quintana. Imaginei que sua vontade tivesse sido despertada ao ler alguns dos meus poemas. A surpresa maior foi quando ele olhou em meus olhos e disse "escrevo porque escrevo". Assim caiu a ficha que ele estava literalmente me dizendo frases do meu livro "Cá de dentro". Fiquei sem palavras e só soube sorrir desconcertado. Gratidão!

No texto anterior citei as minhas primeiras professoras. Neste, comentei sobre dois professores do meu atual curso. Em comum, eu estava apenas escutando. E justamente por isso a frase do Rubem Alves no final deste escrito. Creio que a mesma surpresa ao conseguir escrever e ler as primeiras letras se deu neste outro momento que ouvi minhas poesias recitadas em outras vozes.


Minha admiração é eterna por todos os professores. Admiração! Óbvio que empatia é algo à parte que não se impõe, apenas flui natural ou não.  Encontrei profissionais, mestres, doutores aos quais tive a oportunidade de partilhar meus escritos. A todos vocês, professores do curso de Teologia, que dividiram momentos ímpares em nosso espaço sagrado, simplesmente meu muito obrigado!



sábado, 5 de dezembro de 2015

Aos mestres com carinho - II



Professor. É arte. É dedicação. É amor. Há quem assim nasceu. Dom total. Há quem se esforce para ser bom profissional nessa arte. As vezes dá certo. Em sua maioria não. 

A experiência dessa semana me remeteu ao passado. Começo então pelo passado para achegar-me ao presente. Antes de aprender a ler e a escrever a gente ouvia o professor ensinar. Há também quem teve um apoio extra em casa para o início da alfabetização mas nada comparado aos professores. Esses são mágicos, místicos, tem poderes. Creio que a tarefa mais difícil se deu no pré e no antigo primeiro ano. Minhas professoras foram Márcia Leão e Leni, respectivamente.

O que se via na lousa da Escola Moreira Porto não passavam de rabiscos. Era interessante, legal, e por vezes complicado fazer o contorno adequado conforme cada letra desenhada no quadro. Os primeiro garranchos eram os piores. Muito tempo depois eu me recordo com saudade daquela época, das artes e dos meus ídolos. Sim, são ídolos. E por ter tido o privilégio de tê-los em minha vida, em vários momentos quis fazer o que eles fizeram: ensinar com arte e amor. 

Mas, hoje concluo que talvez não seria uma boa ser professor. Não quero ser ídolo. Quero tê-los apenas. São únicos e a eles me reverencio toda vez que penso na minha história de educação escolar, quando os encontro e também nas possibilidades que a vida me proporciona de conhecer outros mestres nessas doces travessias. 

Gratidão eterna!

* Continua no próximo sobre o "presente".




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Descontruções


E neste processo
Quem tá longe se faz perto
E quem tá perto
Não te quer sentindo
Tantos amigos que eu ganhei de novo e sorrindo
Tanta gente que chegou saindo

A gente espanta
Com essa coisa braba
De quem não quer nada com nada
E não se perde a oportunidade
De usar a língua com vontade
Solta o verbo e não se cansa

Desconstruir-se faz sentido
Eu que já fui encontrado
Vou me fazendo perdido
E buscando razões em outros lados
Escrevendo certo onde tava errado
Retornando em terra que já fui banido

Minhas desconstruções serão eternas
Se Deus quiser serão
Enquanto estiver bem das pernas
Vou reaprendendo a desamarrar
Onde o ensino foi imposição
Vou reconstruir com outro olhar

A certeza certa e imediata
É não se limitar atrás do muro
Deste lado o cego-surdo-mudo
Segue a sua trilha obediente
Precisa agora de um destorpecente
Pra encontrar o rumo de sua jornada

Sigo a vida navegando
Em outras águas me encontrando
Beijando em sonho a minha rosa
Fazendo verso, tramando prosa
Sobrevivo à guerra sem razão
Reaprendendo em minha desconstrução

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pra quando for a hora...


Eu vejo mensagens de despedida
Para quem partiu desta vida
Vejo declarações comoventes
Com imagens de um luto indecente

Eu vejo o adeus na boca do humano 
Tão vazio, sem sagrado, sem profano
Vejo, porém, atitudes idealmente surreais
Quando se trata de outros animais

De minhas quimeras, que se façam partes
Em cinzas, me devolvam com arte
À terra, um pouco sob a lápide fria
Para as rezas e os ritos, silêncio da travessia

Outra parte, aos pés de uma roseira
Às águas do Panema, meu rio, uma terceira
E por último nas águas desta terra em que estou
Aonde amei o amor e o amor me amou

Eu sugiro uma bela canção
Nas vozes dos meus amigos do coração
Recitem versos, os meus preferidos
E dispensem aquelas falácias dos meus esquecidos

Abominarei, de onde estiver, e vou
Qualquer menção de quem nunca se importou
E o velho discurso de que fora uma pena não ter ficado
Mais pena é saber de que em vida não fora lembrado

Expulsem a chicote os ausentes
Deixem-me em paz com os meus presentes
Não permitam, eu peço, por favor
Nenhuma lágrima de falsa dor

A herança será o que eu fui, a minha história
E nas entrelinhas jazerá a minha memória
Travessia de um deserto penoso e feliz em flor
Vou aonde há de ser, com fé, saudade e amor

* Para este dia dispensem as tecnologias!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Receptividade e Interatividade


Quando comecei a escrever tinha vergonha de expor meus pensamentos. Eram repletos de erros gramaticais graves. O sentimento, por vezes, ficava perdido no meio das contradições inocentes acometidas pela inexperiência. Ainda assim, ousava partilhar com os mais próximos. Minha professora de Português do colegial, Ana Cristina, foi uma das primeiras a ler e incentivar.

Tudo era guardado em agendas que eu mesmo criava. Não gostava de nada pronto. Foram inúmeros os momentos que sentia aquela vontade de explodir em escritas e me faltavam palavras. Outras vezes acordava de um sonho na madrugada e anotava no meu caderno aqueles pensamentos desordenados para compor algo no dia seguinte. Se isso é loucura, era um louco feliz. Na verdade, sou!

Passado algum tempo, deixei as agendas artesanais, que duraram até o ano 1999, e entrei num período de abstinência da escrita quando, em 2000, parti para a capital paulista. Foram longos dez anos de deserto sem nenhuma referência escritológica, nenhum devaneio, nenhum pensamento na madrugada. Uma vida sem poesia não é vida. Em 2009, já em Uberlândia (MG), reencontrei-me. Passei a anotar em cadernos e foi neste mesmo ano que criei o blog "Escritos: cantos & encantos da vida", que posteriormente se chamaria "Escritos em tempos" permanecendo até hoje.

Conheci muitos blogueiros profissionais. Verdadeiros artistas das escritas. Aproximei-me de alguns e distanciei-me de outros. A interação entre escritor e leitor é essencial. Percebi isso quando alguns amigos próximos passaram a comentar o seu sentimento diante das minhas escritas. Em algumas situações eu nem tinha muito o que responder, uma vez que a partilha que me retornava tinha muito mais significado e emoção do que as minhas próprias linhas. Essa interação é fantástica pois permite a quem escreve conhecer-se pelos olhares de fora.

Dos pensadores que me distanciei encontrei essa lacuna, ou melhor, essa inacessibilidade. Há momentos que o contato direto se faz necessário para ambos, mas, nem todos tem paciência e humildade para as retóricas, ou não querem perder o tempo lendo opiniões sobre suas obras.

Percebi essa necessidade de interação quando os primeiros comentários surgiram sobre os meus escritos. Alguns mais próximos conversavam diretamente comigo. Hoje, as redes sociais, os emails, o próprio blog e outros aplicativos da modernidade proporcionam essa aproximação e diálogo. Há quem eu nunca tenha tido uma única conversa e mesmo assim fez questão de deixar um recado sobre determinado texto.

Sendo assim não poderia jamais deixar de ser receptível. Esse é o meu respeito e agradecimento para quem gastou um pouquinho de seu tempo a navegar nas águas dessas linhas e entrelinhas. 

Hoje a poesia pairou


Hoje a poesia pairou
Chegou pelo doce olhar da menina
Doce alma que peleja no deserto
Vagueando pelas ruelas de seu pensamento
Encontrou um atalho para o mar da vida
No reflexo das águas reencontrou-se
As ondas dançaram em sua homenagem
A brisa bateu-lhe em cortejo
O deserto sorriu em flores
O sol dançou para a lua
Sob o som das estrelas
O sonho tão sonhado acordou
E sua alma respirou o mundo

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Meus avós e eu

 

Não há como imaginar uma vida sem ter tido a presença dos meus avôs e avós. Cada um com sua particularidade, sua simplicidade e um jeitinho único de demonstrar amor sem precisar dizer uma só palavra. 

Não sei se tenho muita coisa pra passar adiante mas posso garantir que tenho histórias repletas de saudade pra contar. Causos que ouvi e lições que aprendi através do amor que recebi de cada um deles. 

Como dizem, e é bem verdade, tenho a impressão de que eles já nasceram assim, grandes, adultos. A resposta sempre calma para qualquer situação é algo que somente alguém com tamanha sabedoria é capaz de dar. 

Meus avós e eu sempre tivemos uma relação estreita de carinho e entendimento. Em vários momentos, desde que partiram, coloquei-me a pensar sobre como seria viver o hoje com a presença de cada um deles. Apenas me encho de saudade, alegria e orgulho... e no silêncio abraço a cada um...

Posso até imaginar como seriam os encontros de finais de semana, as festas, os aniversários, os nascimentos, os bisnetos correndo pela casa... Só amor, eu posso sentir.

E é esse amor que me alicerçou para a vida. Um sentimento admirável e inigualável. Assim, para os meus dias de solidão, desesperança e também de vitória, tento encontrar no tempo e na saudade aquelas vozes que sempre ecoaram em meus ouvidos. 

Que um dia possamos nos reencontrar na eternidade...

In Memorian:

Joaquim Rosa da Silva
Iolanda Fabrício Rosa

Benedito José de Oliveira
Maria Aparecida de Oliveira


Escrever-se


Existem três tópicos neste blog que perpetuarão nas minhas escritas. Sei que surgiram a partir de uma determinada situação vivenciada, presenciada e pensada. Cada texto de cada um dos tópicos tem sua particularidade e se torna parte independente dentro do bloco que os adjetiva. Máscaras Maquiadas e Guerra dos Mundos são constituídos de histórias que não se relacionam entre si e Cartas (do calabouço e para o calabouço) é uma troca de correspondências que cabe ao leitor posicionar-se de um lado, de outro ou ainda como expectador somente.

Não é meu feitio explicar o que cada escrito me representa e nem o que eu quis dizer com determinada citação. Óbvio que a escrita tem muito de seu criador, assim como acontece na pintura, na música e em outras artes. E quem entra em contato com a obra, por vezes, consegue uma terceira visão que mesmo quem pensou não conseguiu enxergar. Esse é um elo que coloca autor e leitor em sintonia. Essa é a magia que dispensa explicações. Basta ter sentimentos.

Máscaras Maquiadas surgiu a partir de um cartaz que anunciava um estrondoso evento para o público adolescente e jovem. Um palhaço com ar satânico dava a dimensão do que poderia acontecer no recinto durante os três dias de pura adrenalina e prazer. Era uma festa rave. Pra quem não conhece, sugiro uma rápida busca no google. Já escrevi cinco textos que entram nessa linhagem onde os principais ingredientes que inspiraram a criação foram falsidade, heresia, hipocrisia e ironia.

Guerra dos Mundos surgiu a partir de um contexto pessoal. As perguntas e respostas que só cabem a nós mesmos fazer e responder foram o combustível inicial. Ao total somam-se sete textos que colocam em confronto mundos opostos, seja no campo social, espiritual, material ou metafísico. São histórias que surgem a partir de um contexto de luta, inquietude e esperança.

Por último surgiram as Cartas - do calabouço e para o calabouço, que entre as trocas de confidências foram oito momentos. Essas porém são subjetivas e não cabe explicação mais detalhada. Posso adiantar que é um diálogo rico em experiências e novamente caberá aos olhos de quem ousar sentir.

Esses três blocos estão sempre presentes no cotidiano. Passamos por situações parecidas com o que está descrito mas não pensamos nisso. O que me propus foi apenas escrever de acordo com o sentido que me fez atentar para o fato. E quem escreve, escreve-se, liberta-se, aventura-se e irrompe de si mesmo. Portanto, como já dito acima, em cada linha, em cada verso, o sentimento corre solto.

Na coluna da direita deste blog encontram-se os três tópicos na Classificação. Arrisque-se!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Precisa-se: pregadô e cantô



Domingo. Dia em que acontece as mais variadas celebrações religiosas nos infinitos templos que se instauram da noite para o dia. Templos estes que vão desde os casebres mais modestos aos magnânimos palácios repletos de adornos. 

E foi exatamente no dia 22/11/15, que ao passar perto de um desses, escutei a seguinte pregadura, pela voz de um pastor, creio eu: "Precisamos de bom pregadô, de bom cantô (...)". Óbvio que é uma frase dita dentro de um determinado contexto ao qual não tenho conhecimento por completo. Como se diz, peguei o rabo da conversa

Nem sei na verdade o que de fato comentar sobre. Me esforço para ampliar os horizontes dessa frase e assim tentar entender a cabecinha do homem que verbalizava na tribuna. Em vão. Havia eloquência na pronúncia, tipo aquela que se vê e escuta nos shows milagreiros de fé. Nenhuma novidade nisso, uma vez que a maioria das denominações cristãs tem em seu portfólio o mesmo discurso, as mesmas práticas, os mesmos produtos que ao final ultrapassam o absurdo. Um absurdo sem a devida Graça. Apenas... show, onde a fé é o produto, os fiéis são os clientes, e quem não conhece que compre! 

Quem estiver qualificado para essas vagas de pregadô e cantô enviar curriculum vitae ou comparecer pessoalmente no local mais próximo de sua residência. 

A gente perde o amigo mas num perde o comentário. Améimmmm?!?!?



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

"Eu me recebo muito mais do que me faço"


Um reencontro com o que há de mais profundo, íntimo, sacramentado e desconhecido, eis a tarefa mística do ser humano ao dar-se conta da necessidade quase lógica de que somente em si terá, não só respostas para as questões mais incertas e descabidas, mas como também a luz na medida necessária para o caminho proposto a seguir. 

As experiências nos possibilitam uma avaliação cada vez mais apurada da trajetória e um olhar mais criterioso e destemido do horizonte. Desnudar-se das roupagens e embrenhar-se na natureza interior, sem temer riscos, intempéries e verdades não ditas é sinal de amadurecimento. Compreender que o sagrado e o profano, inerentes ao ser individual, é muito mais humano que sobrenatural e apocalíptico também faz parte das dádivas adquiridas pelos longos tempos idos.

Destorpecer. Desintoxicar. Destemer. Desamarrar. São inúmeras as palavras que me evocam a libertação e me refrescam com a sensação de liberdade. O que diferencia entre uns e outros é a coragem de ousar conhecer além do que os olhos veem. Há quem desteme os riscos do novo e há os que optam por não cortar cordões umbilicais.

Ninguém encontra a si se não se romper. Rompimento gera desconforto, dor, questionamento, dúvida, falta de sentido, mas é tudo passageiro quando a busca não se finda nesses sintomas. O que vem depois dos movimentos de agitadas águas de mares desconhecidos são novas paisagens, maresias, e infinitas possibilidades de novos frutos, saberes, autoconhecimento.

Na rota das passividades, seja de crescimento ou de diminuição, conforme ressignifica Teilhard Chardin, não há como escolher e santificar uma em detrimento de outra. Ambas participam do imenso universo desconhecido de cada ser. Uma mera semelhança entre causa e efeito ou também um equilíbrio natural entre as forças que atuam em nós, conforme a filosofia chinesa bem explica no Yin Yang: energias opostas, positivo e negativo. Resta a cada um buscar-se. Do mais, "Deus seja louvado"!

Escrito apresentado na disciplina de Teologia Sistemática V: Pneumatologia e Escatologia, 5º período de Teologia - FCU, com o Prof.º Gelson Beri - "O Capitão". Aluno: Ailton Domingues de Oliveira - 19/11/15.

"Eduque seus olhos para ver" - Por Gilson Rocha


A vida humana é marcada pelas intempéries das relações de alteridade, e a decadência se evidencia na finitude de nossa existência. Nisso, Deus nos educa e se desvela, VENDO para que nós possamos VER. 

No que a opaca ciência só visualiza um vulto de decadência, o exemplo chardiano de Jó – por seus olhos astutos -, enxerga resquícios de evolução. Isso mesmo: um paradoxo! Mas um paradoxo que é claro em o “Meio Divino”. 

Trata-se tão somente do esvaziar-se de nós mesmos para aproximarmo-nos do divino: é como a criança que precisa necessariamente cair para aprender a andar, e o incauto que plasma algo novo. 

Portanto, a partir dessa perspectiva trazida por Chardin, é imprescindível que o “ver” seja mais do que o simples “olhar”. E nesse processo de educação dos olhos, consideremos o deixar-se educar por Deus: esse Deus que muito mais oferece que espera.

Escrito apresentado pelo amigo Gilson Rocha, aluno do 5º período de Teologia - FCU, na disciplina de Teologia Sistemática V: Pneumatologia e Escatologia, com o Prof.º Gelson Beri - "O Capitão"




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