terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lá do interior

 * Vó Iolanda (in memoriam) e eu.

Eu sou lá do interior
Onde a gente era livre na rua
Não havia qualquer temor
Do raiar do sol à chegada da lua
E nessa rua que tinha de tudo e era bonita
Galo e galinha, cachorro e gato
Moleque soltando pipa
Esconde-esconde no meio do mato

Brincar de polícia e ladrão
Era a minha preferida
Mãe da rua e soltar balão
Rolimã sem freio na descida
Minha bicicleta era a Pantera
Pneus largos e pesada
A gente juntava uma galera
Apertava campainha e corria na pedalada

Eu sou lá do interior
Onde a rua era uma segunda casa
Quando chegava a noite no tempo de calor
A molecada sob a luz do poste se ajuntava
Jogava dama na calçada
Futebol no asfalto e amarelinha
Bom mesmo era o kichute na pelada
E uma corrida até a pracinha

Em toda casa tinha uma criança
Algumas tinham três ou mais
Conhecia toda a vizinhança
Suas casas e seus quintais
Não haviam muros entre as casas
Apenas cercas velhas com buraco
Por cima do muro se proseava
E ninguém invadia o espaço

Eu sou lá do interior
Onde tinha novena nas casas
Canto, prece e louvor
E a gente lá rezava
A rua era um universo em cor
De meninos correndo co'alegria
Cada um tinha seu sonho maior
E nunca faltava a estripulia 

Daqueles tempos tão saudosos
Guardo nomes e lembranças
Gente de coração bondoso
Que me viram tão criança
Aquela rua em que eu cresci
Guardo no pensamento de menino
Lá sim eu fui feliz
É a saudosa rua Delfino


* Minha bisavó Francisca (in memoriam)
eu e minha avó Iolanda (in memoriam)

Aos Jarrões

*Foto, da esquerda para a direita:
Parte superior: Gustavo, Ailton;
Em pé: Maycon, Alex, Fábio, Neyhilton
Retratista: Ricardo


Era uma turminha da pesada
Que na verdade eram duas
Da rua de cima e da de baixo
Cada uma na fachada sua

Corre daqui, corre de lá
Perseguidor e perseguido
Ora correndo feito mocinho
Outra vez como bandido

Não havia mistura nem papo
Mas sobravam esbarrões e encarada
Foram tantas tretas na rua
E uma hora acabou em porrada

Um dia, por fim, tudo parou
Tinha um centro que era de lazer
Como dizem as velhas frases
Foi o esporte que fez acontecer

Jogo de vôlei ao sol do meio dia
Só tinha água da torneira
Sem misturar as turmas da correria
Pra'guentar a tarde inteira

Os finais de semana se intensificaram
Não havia prosa entre as duplas
Não tinha mais briga de rua
Mas no vôlei permanecia a disputa

As barreiras se rompiam
À medida de cada partida
Já havia muitos sarrinhos
E a parceria pra toda vida

De arqui-inimigos a colegas
De amigos a irmãos
Essa tribo já tinha suas regras
Jogar vôlei e entornar o canecão

Uns comiam com farinha
Outros bebiam só um tantaço
Uns jogavam com bronzeador
Outros chapados e bebaços

O tempo passou e a amizade cresceu
Passeios, festas e baladas
E até nova correria aconteceu
Com as duas turmas do mesmo lado

Cada um seguiu seu caminho
E a turma então perdeu o contato
Mas o tempo não apagou
A história daquele retrato

O que um dia selou
Não tinha como se romper
O mesmo tempo que também separou
Fez de novo tudo acontecer

Ex-rivais, agora amigos
São irmãos do coração
São os frutos de uma era
É a Turma do Jarrão

* Foto, da esquerda para a direita:
Em pé: Neyhilton, Alex, Ailton, Fábio, Wilson, Gustavo;
Agachados: David, Ricardo;
Retratista: Maycon.

Chacoalhando geral


É... preocupante! Educação, respeito... cadê? Gente sem noção que deixou aflorar a falta de tudo. Manifestantes desinformados, ora alienados pela mídia golpista, e uma gangue de oportunistas aproveitando para se promover. Não demora muito e ainda escutaremos alguém desse meio dizer que Hitler tinha razão em suas práticas nazistas. Absurdo! (Sobre as manifestações ocorridas em 16/08/15)


Desfecho de mais uma santissíssima inquisição: Dom Aldo suspende o Padre Luiz Couto da Igreja Católica da Paraíba. Motivo: Couto, enquanto deputado, apoia as palavras de um Pastor, que também é vereador, e prega o diálogo frente ao fundamentalismo praticado pelos falsos mestres. Simbora defender um defensor de boas causas antes que a fogueira consuma suas entranhas carnais, já que a espiritual foi "comungada, tornou-se um perigo e incomodou". (Fonte: http://www.maispb.com.br/118749/dom-aldo-suspende-luiz-couto-da-igreja-catolica-da-paraiba-veja-motivo.html - 20/08/15)

Te amei




Te amei, 
Desesperadamente
Em cada ato, no tempo ou de imediato
Num dedo de verso, concreto ou abstrato

Te amei
Loucamente
No tempo em que o céu nos reservou
Na chuva, no frio, no mato e no calor

Te amei
Friamente
Diante do infortúnio que nos atrapalhou
Na espera louca que nos atrasou

Te amei
Sofridamente
Na incerteza de um futuro distante
No sonho, como seu eterno amado e amante

Te amei
Sorrateiramente
Na certeza de uma vida esperada
Esperando acabar a névoa gelada

Te amei
Certeiramente
Em cada canto do tempo encontrado
Como se fosse o último toque em seu corpo suado

Te amei
Cegamente
Não enxergando um mundo sem ti
Confiante que nossa vida a dois é aqui

Te amei
Simplesmente
Eu sei
Que te amei

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sem aviso


Ao final deste curso uma coisa é certa, apesar do diploma, não serei um expert em Teologia. Mas, por outro lado, carregarei uma enorme bagagem de bons amigos e muitas histórias. E é isso que valeu a pena! A Teologia? Ah, estará apenas começando na vida real... (11/08/15)

Sou amante da vida. Logo, ela também é minha amante e amada. Juntos formamos um par muito louco e livre. Damos o melhor de nós. Mas, e a morte? Qual papel lhe sobra? Ah, a morte é a prostituta invejosa e esperançosa que quer findar esse romance. Um dia, ela sabe, haverei de deitar-me em seus braços pela eternidade. Que se atrase muito este nosso encontro. (18/08/15)

E é por conta dessa correria, que a gente cisma em ter que fazer, que o tempo passa e a gente não vê. (21/08/15)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A loucura move tudo


"A arte de ser louco é jamais cometer 
a loucura de ser um sujeito normal."
Raul Seixas


Eu me considerava louco
por gostar de coisas muito loucas 
Ainda mais que não tinha medo
ou vergonha de expor essas loucuras
Com o tempo descobri
que existe gente mais louca do que eu 
Senti alívio ao perceber 
que a embarcação não estava vazia 
A solidão já podia ser sentida
em maior número de loucos 
Identifiquei-me com eles 
Tornei-me fã desses declarados
e solitários loucos
Em comum o fato maior 
Não digo a loucura 
Mas a assumição dessa doidura desvairada 
a sã demência de quem não é um falso normal
Isso contraria 
aos que não conseguem se apresentar sem máscaras 
Causa-lhes espanto
intimidação 
Um louco assumido
incomoda 10 falsos oportunistas 
É um perigo para esta classe sem QI
Melhor sobreviver entre os loucos
a conviver com os falsetas
Com o tempo
o meu achismo virou certeza 
A loucura move tudo
E percebi que tudo isso era bom



"Há na loucura um prazer que só os loucos conhecem." (John Dryden)

"Loucos sempre existiram e sempre existirão: como tal sou qualificado pelos meus adversários... Felizmente já estou velho e não tardará que encontre no túmulo o esquecimento dos vivos." (Cezar Zama)

"A verdadeira loucura talvez não seja mais do que a própria sabedoria que, cansada de descobrir as vergonhas do mundo, tomou a inteligente resolução de enlouquecer." (Henrich Heine)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pare: verdades loucas e pensantes!


É necessário o vírus para se vender o antivírus. É necessário a doença para se vender a cura. É necessário a miséria para que a elite prevaleça. É necessário o inferno para se vender o céu. É necessário o caos para sustentar o sistema. Conspirações? Não somente. Na verdade, são conspirações capitalísticas e capetológicas de um sistema prostituído e possuído pela ganância. (10/08/15)



Lei da atração ou "olho por olho, dente por dente"? Um dia o Pe. Marcelo Rossi se recusou a dividir o palco com "Vera-Verão". Chamou o artista de aberração. Dessa vez o padre foi vetado pelo ditador da Teologia da Prosperidade. Nessa briga de gente esquisita qualquer um que perder foi tarde. (16/08/15)


Olha a intervenção militar chegandooo! Cascavel (PR), um artista caracterizado de palhaço, fazendo da praça o seu picadeiro, foi preso ao dizer a verdade sobre o sistema ditatorial que rege o Estado. E tem gente que pede sem saber o quê! (16/08/15)

domingo, 16 de agosto de 2015

Qual o lugar de Deus no mundo?



"Deus é o lugar do mundo, afirma o Êxodo."

O mundo está em Deus, Ou, matematicamente, o mundo está contido em Deus tanto quanto Deus contém o mundo e o mundo pertence a Deus. Uma fórmula científica para atestar a relação teológica entre Deus e o espaço/lugar.

O ser faz parte do mundo, está totalmente inserido nele. Pela lógica, logo, cada ser está em Deus. Se cada um já está em Deus, não é necessário sair pelos lugares em busca Dele. A beleza Divina consiste em redescobrir-Lo em si mesmo.

Uma vez que esta certeza esteja compreendida, enxergar o Deus no próximo é uma questão de tempo.

Sendo Deus o lugar do mundo, de certa forma experimentamos aqui o Seu Reino. Podemos então enfatizar as ações no presente, considerando que a nossa estadia neste tempo/espaço/lugar perdurarão pela eternidade.

A íntima relação com tudo o que nos cerca é também uma relação com Deus. "Do pó viemos, ao pó voltaremos."


Trabalho apresentado na disciplina de Teologia Sistemática V: Pneumatologia e Escatologia.
Prof.º Gelson Beri
Teologia - 5º Período - FCU
Ailton Domingues de Oliveira - 06/08/15

sábado, 8 de agosto de 2015

Correlações da vida: poesia, teologia e comunhão



Ontem a noite terminei de ler um livro do Mário Quintana: Para viver com poesia. Muitas quintanices de um cara cheio de sabedoria. Poeta por excelência. Engraçado que, quando você começa a se enveredar, mata adentro, pela poesia, passa a respira-la e senti-la o tempo todo. E assim para de achar que a loucura é sua companhia certa e passa a ter certeza disso: sempre foi louco mas, agora, assumidamente e feliz.

Hoje, por questão de precisão, pulei mais cedo da cama. Como de costume fui no mercadinho do bairro comprar pães. Estava fechado. Esperar é complicado, mas sobrevivi firmemente. Enquanto isso saquei dois livros da mochila, outro do Quintana, compadre das falas certas e pra todas as horas, e o Chiquinho do povo, um homem despojado de vaidades. Na verdade, enquanto Papa, tem sido um grande líder sensível às causas de nosso tempo. Tão simples, quanto verdadeiro e profundo, seu exemplo ultrapassa as palavras. Para mim, um poeta fervoroso que reza, que sonha e que luta.

Optei deixar meu compadre esperando e então abri o Laudato Si - Louvado Sejas, encíclica mais recente de Francisco - na página 58, item 5: Uma comunhão universal. Tudo é muito profundo no contexto abordado pelo autor. Os sub-temas nos proporcionam uma bela e longa reflexão que não se encerra em si mesma. É apenas um começo. Este tópico, o 89, não poderia ser diferente: "As criaturas deste mundo não podem ser consideradas um bem sem dono: Todas são tuas, ó Senhor, que amas a vida (Sb, 11,26)."

Na aula de ontem, 06/08/15, Teologia Sistemática V com o Prof.º Gelson, refletimos sobre Deus é o lugar do mundo (Ex. 33,21). Em suma, concluí que se nós somos e fazemos parte do mundo, nós estamos diretamente em Deus. A correlação com a citação bíblica usada por Francisco confirma isso. Se estamos no mundo que está em Deus, todos estão Nele e ninguém merece ficar de fora. Somos um bem maior de um Deus que é amor. Palavras bonitas, poesia aos ouvidos mas, folhas ao vento quando não nos perpassa do campo da oratória e não atinge a realidade pela prática.

No momento que lia o início do tópico 89 da encíclica Laudato si, aproximou-se um rapaz, vestido para trabalhar, pedindo um passe de ônibus, pois havia perdido o seu cartão de passe. Eu só tinha uma nota ali e precisava trocar o dinheiro, porém tínhamos que esperar a mercearia abrir. Ele então agradeceu e foi conversar com uma senhora, que não lhe deu muita atenção, e depois foi até o ponto de ônibus. Não consegui ler mais nada. Fiquei apenas nessa primeira frase: Todas são tuas, ó Senhor, que amas a vida. Não havia como fazer de conta que nada ocorreu ali: Quintana, Francisco, poesia, teologia, eu, o rapaz e uma tempestade de pensamentos me impossibilitando de ficar inerte aos fatos.

Não demorou e as portas do mercadinho abriram. Comprei o pão, paguei e separei o suficiente para o rapaz. Esperava que ele estivesse no ponto. Aquilo estava angustiante para mim. A sensação de não ter nada no bolso não é das melhores. Coloquei-me em seu lugar (...). Quando pisei a calçada ele veio em minha direção. "Desculpa, senhor, mas não consegui o passe, será...(?)." Não deixei ele terminar a frase e entreguei-lhe o valor. Se, temos pelo menos um pouco de Deus, temos também um dever de gratidão para com Ele através de cada próximo. É isso. Era pouco o que eu tinha para oferecer naquele instante.

Não sei onde essa história poderia chegar. É um rio que não se cansa e não se finda. São muitas vias e contramãos que se cruzaram num determinado ponto. Gente que anda com cuidado e olhos atentos. Alguns desapercebidos, outros insensíveis e os que vivem para sugar ou atropelar. Gente que não é gente, sem escrúpulos por tamanha ganância. Vida que segue (...).

Aos olhos dos poetas que aqui compareceram, sensibilidade e amor é o que há de mais claro e comum. E quem ama cuida. Cuida com amor. Cuidar! Essa é a palavra que correlaciona e re-significa tudo. Cuidar do mundo é cuidar do que é nosso, é cuidar de Deus. O mundo está em Deus. Cuidar de mim, cuidar de quem está no mundo é cuidar de Deus. Nós estamos em Deus. Cuidar do próximo, cuidar da terra, cuidar para não tirar de ninguém a possibilidade de experimentar a vida. Vida que segue em Deus.

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