terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!


Desejo a todos e todas, amigos, conhecidos e família, um Natal consciente! 


Que a verdadeira celebração não seja apenas mais uma festa de encontros


Que a grandeza desse momento não se deturpe e não se perca em brindes


Que o brilho da Estrela maior não seja ofuscada pelo show de luzes


Que o verdadeiro Presente, nós o permitamos nascer em nossos corações


Feliz Natal!!!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Deixa-me


Deixa-me
seguir, incerto aos externos
inquieto, talvez esperto,
que meus passos caminhantes
sempre avante me levando
por vezes parando, tropeçando
caindo, levantando, retrocedendo
cambaleando, firmando, recomeçando...

Deixa-me
olhos turvos pelo tempo
firmes cores desbotadas
fotografias em preto e branco
papel manchado pelo pranto
marcas do passado
histórias relembradas, recontadas
na imensidão do céu azul
cortina de estrelas que eternizam sentimento

Deixa-me
sentir o que não se explica
amar o improvável
viver o impossível
que o coração almeja
e não requer destreza
simples, invisível, sensível,
no compasso do seu tempo
pulsa, repulsa, expulsa
mas bate, rebate, cambaleia e não se abate

Deixa-me
seguir o caminhar
e que, se preciso, seja no mar
a velejar outros mundos
de questões tão profundas
que eu possa me entregar
ofertar, correr ou ficar
fazer o que o sentido e o risco me levar
seja aqui, lá ou acolá
não me impeça de lutar
nem de viver, nem de chorar
quero apenas, então olhar
deixa-me...


A virtualização e o Natal


Mais um ciclo que se encerra no tempo das horas
Alegrias, dores, conquistas, derrotas
Tudo e nada que se findaram a seu momento
Travessias da vida
Os que chegaram e os que partiram
No tempo de hoje, o advento do Natal
Espera agraciada da chegada do Salvador
Tempo de paz e amor

Na virtualização do mundo
O sentimento segue tal como ele
Relações gélidas, fictícias
Tecnologia que encurtou a distância geográfica
Mas distanciou os corações, o calor humano
Tornamo-nos extensões de nossas máquinas
Conseguimos nos comunicar
Mas não mais nos experimentar verdadeiramente na essência

Esperar o que de um mundo realmente virtual?
Cobrar o que de quem não mais experimenta o calor do abraço?
Natal? É troca de presente, renovar o guarda-roupa,
para quem ainda pode fazê-lo
Supérfluo, superficial, banal...
Mas, jamais o Natal!!!
Valores somente ao que se reverte em grana
Interesses!

Que a estrela do oriente ao brilhar
Brilhe também no íntimo de cada coração
Que o espírito que rege esse momento ímpar
Consiga penetrar nas entranhas obscuras da humana virtualização
Que o tempo do Natal reacenda, reaqueça as relações com sua Luz
A paz sem guerra, por terra, por quimera, seja com amor
Que não seja virtual, não seja de momento o sentido do nascimento do Menino Jesus

Que seja sem igual, que seja único, o real momento do tempo da vinda do Senhor
  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Que saudade desse abraço!



Tá aí uma foto que marcou meu dia de ontem!!! nossa Que saudade dessa pessoa!!! uma tia, amiga, sempre aconselhando e cuidando de mim com muito carinho!! Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos... 

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... 

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados... 

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... 

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! 

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos... 

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... como sinto sua falta tia!!Emocionada!!! Que saudade desse abraço!!!

Por: Richeli Svencickos Rueda
https://www.facebook.com/richeli.svencickosrueda

"Obrigado prima, por tão belas palavras de carinho e puro sentimento. Não importa o quanto o tempo ou a distância ou quem sabe os fatos e caminhos da vida nos tenha separado, pois quando vemos fotos como essa, de uma certa forma trazemos para perto todos aqueles que amamos incondicionalmente. Lembramos dos amigos, os ex-amigos, os parentes de perto e de longe, os presentes e os ausentes, e principalmente aqueles que já se foram mas que deixaram em nós uma semente de vida, de alegria e de fé que nos norteia em nossa eterna travessia." Ailton Domingues de Oliveira

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Paga de santidade mas


E não é que as pessoas se incomodam quando percebem que foram desnudadas de suas máscaras? Tratam logo de sacudir o traje, recompor-se em fantasias ornamentais e re-maquiar suas máscaras enrijecidas de falsidade e hipocrisia. Sempre encerram um discurso com uma frase pronta, isso quando a frase pronta é seu único discurso. Vejam alguns exemplos: "Minha consciência está tranquila."; "Deus está comigo.", "Sou ungido do Senhor.", "Estou iluminado e amparado pelo Espírito Santo!"; "Deus é mais, é 10 e eu sou escolhido Dele!". Nunca vi Deus apoiar a falsidade! Se fosse assim, Judas não teria se arrependido e não teria se enforcado, após sua traição. Frases assim, em situações grotescas, são usadas como defesa em causa hipocritamente própria para justificar o que não tem explicação. Por vezes também encontramos os que postam salmos, copiados e colados sem um mínimo de entendimento, com a intenção de afastar os holofotes de sua máscara congelada pelo orgulho e inveja. Pior é que há quem compre essa ideia de "ungido", de "sou quase santo", "vivo para o Senhor", etc. As pessoas tem que assumir-se como homens ou mulheres, ter um mínimo de ombridade, dignidade, retidão, justiça e parar de esconder sua sujeira por sob os tapetes dos belos discursinhos, fajutos por sinal. Eu, particularmente, atento-me para os que ousam filosofar a vida quando se deparam com tanto besteirol numa só persona: "de gente boa e com consciência limpa o inferno está cheio!" Chupa essa manga!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O poder do Amor e o amor ao Poder



Quantas moedas valem uma palavra? Qual o seu preço? Com certeza a reposta deveria ser uníssona: "nenhuma, palavra não tem preço!" Não é bem assim que a coisa funciona. A palavra vale enquanto for conveniente. Amizade e lealdade são empecilhos no caminho de quem segue atropelando rumo ao sucesso.

Como já disse em outro artigo no período eleitoral de 2012, "palavra já fora no fio do bigode". Não é mais assim. O ser humano enlata seus princípios, se é que um dia houve algum, para ascender-se na trajetória materialista de poder. 

Uma jogatina de palavras e temos dois sentidos completamente diferentes. O poder do Amor, ao qual adjetivamos como paciente, compassivo, sem rancor, dom total e o amor ao Poder que simplesmente o identificamos em pessoas descomprometidas com o bem comum. Na verdade tais pessoas estão mais que comprometidas com sua causa própria. Não importa quantas é preciso tirar do caminho. Não importa às custas de quem chegar-se-á no objetivo final. Nada importa. Importante mesmo é chegar lá e revestir-se da armadura do status, do poder e regaliar-se dos adjetivos da conquista. Se dará conta do recado ou não... isso de nada importa!

A linha não é tênue. Pelo contrário, é facilmente identificada e os lados bem distinguidos. O interessante de se avaliar é que quem carrega um grande amor ao Poder tem sempre um discurso politiqueiro, uma cartinha de bom samaritano, um sorriso de amigo de todos e todas, e uma esbanjadora fantasia de hipocrisia que tomaria conta de uma avenida famosa durante o carnaval. 

O ponto extremo de todo o enredo é quando se houve a santa hipocrisia ostentar seu nobre título de cristão. Haja paciência e estômago. Ou estamos no barco errado ou tá tudo prostituído! Melhor buscar forças e acreditar que o ser humano, em sua maioria, não se vendeu, não se corrompeu, não amou mais o poder que a seu próximo... Mesmo que essa utópica maioria não faça parte de nosso ciclo de vida, ainda assim, há motivos para acreditar em nós mesmos e que de alguma forma seremos o diferencial nesse mundo desigual. 

Que a fé em Deus não nos seja abalada quando a esperança no homem tornar-se apenas uma mera lembrança em preto e branco. 


"Quando o poder do amor se sobrepor ao amor ao poder, o mundo conhecerá a paz." (Jimi Hendrix)

Busca interminável


O prazer que consiste no caminhar, 
na busca como um fim interminável 
e não no objetivo cumprido como tal...
Quando alcança-se o objetivo 
o ânimo do viver torna-se pacato. 
Controverso. 
O que se descobriu nesses anos 
é que existe uma necessidade 
ou razão maior: 
viver o sonho ou em busca dele (?).
Essa busca, 
essas dificuldades que assolam no caminho 
fazem parte do platônico,
talvez do irreal, 
talvez do impossível...
talvez, seja mero sonho,
esperança e motivação 
no ciclo da caminhada...


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Vila Cantizani - Gerações

O que eu vejo e sinto é que a Comunidade de Vila Cantizani foi um marco referencial na vida de quem por ali passou. São tantas pessoas, tantas histórias que se cruzaram... Amizades verdadeiras, amizades que criaram enlaces e frutificaram... Momentos de crescimento, uma verdadeira base na caminhada e mesmo que essa caminhada tenha se dado fora dos arredores da cidade, não há quem diga que não valeu a pena.

Catequese, grupos de adolescentes, grupos de jovens, a começar do JAC, creio eu tenha sida o primogênito da Cantizani. ASA (Zezinho e Elza Maria Leite), ABC (Paulo Donizetti Sara e Maria Lucia Almeida Sara), novamente outro ABC (Ailton e Érika) e depois o ÁGUIA.

Quando essas fotos ressurgem aqui com certeza nos faz sentir vivos, repletos de uma linda história de crescimento, de fé, de sonhos aos quais, com certeza, muitos deles já os realizamos, e de muita luta...

Saudade não resumiria a sensação. Alegria, poder olhar para trás e ver que há tijolos na base de nossa eterna construção com o nome "CANTIZANI" e ao mesmo tempo há também o nosso nome esculpido nos arredores da IGREJA DE NOSSA SENHORA APARECIDA, e que Ela continue a Rogar por Nós!!!

Paz e Bem!
















quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Desertos e Reflexões


"O vazio que angustia 
é o mesmo deserto da reflexão
Vale do silêncio que propicia 
o reencontro com a Luz 
Nem tão pedras, nem tão flores
Nem só dissabores, nem só amores
Caminho sinuoso de paisagens, 
passagens e travessias
O que as palavras não explicam
O tempo há de provar
Vale a pena esperar
Em cada estação o seu tempo chegar"


"No tempo que se vai
De onde se vem
Que não volta atrás
Em flash's pelo retrovisor
Se vê o foco desalinhar, 
distanciar, desaparecer
A distância que permeia este tempo
Afasta dolorosamente a visão
E o silêncio inquietante do deserto
Impõe seu grito ao coração
A busca sagrada do sentido
Da vida vivida, partilhada, engraçada
Sofrida, enganada, surrada
De bons frutos colhidos no caminho
De paisagens, miragens, espinhos
O que faz meu respirar feliz
É sentir que jamais estarei sozinho
Presença Divina que ilumina
sempre presente nos momentos
desse tempo
de água, de sol, de flores
e frutos..."

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

500


Quinhentinho
Quinhentos
Quinhentão
Quinhentona, sua linda! És tu? E agora?
500, não mais do descobrimento pelos portugas
apenas um marco nesse espaço
apenas 500 escritos, entre poemas, 
críticas, crônicas, músicas, sátiras, 
aventuras, brigas, elogios, denúncias, avaliações,
insinuações, alegrias, tristezas, indiretas,
concretas, abstratas, diretas, exatas, lógicas, diretas,
ao lenço, ao vento, ao tempo,
aos olhos, à alma, aos espírito, a Deus,
aos hipócritas, aos cretinos, aos velhacos, 
aos palhaços, artistas ou corruptos, 
aos colegas, aos amigos, aos adversários, 
aos anônimos e invisíveis inimigos, principalmente,
Enfim, foram tantas emoções!
De Agostinho, de Platão, de Boff, de Casaldáliga,
De Câmara, de Francisco de Assis, de um Papa Francisco,
De Drumonnd, de Coralina, de Rubem Alves, de Chaplin, 
Poesias eternamente vivas,
E principalmente, de um certo Jesus, Libertador e Crucificado,
Contestador e Homem honrado,
que seus passos me tem alumiado!
Inspirações das mais diversas, contidas, avessas, travessas
fundamentadas em tudo, em nada, em flores, em cores, em prosas,
em lágrimas, em saudade, em sentimentos, em momentos, 
no tempo!
Aqui, onde o nada se torna tudo e o tudo se torna nada
aos olhos do poeta, sorrateiro, maroto, traquino,
sangue de guerreiro e coração de menino,
olhar que vem das alturas, 
canções das fontes puras,
de palavras do profeta
que se canta em pensamento
que se vive a cada momento
como que se fosse o derradeiro
explosão de vontade certa
vontade da verdade que liberta
Olhares, andares, altares,
contra os lobos em pele de cordeiro
contra os algozes ferozes e feiticeiros
que habitam no interior de cada ser
hipócrita, idiota, malfeitor
não economizo nos verbetes
não me intimido com suas sinas
sua história, sua memória, são ruínas...
Ao que liberta, na alma do poeta, 
do profeta, do trovador, do professor,
do artista enrustido...
o caminho é longo, 
longo enquanto se viver, 
se viver é um bem,
que a estrada seja caminhada
vivida, sofrida se preciso for,
mas no topo, encontraremos
no mínimo o amor, a gratidão,
o reconhecimento, que seja próprio, 
de que valeu cada gota de suor
de lágrima, de sangue...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Sensibilidade exacerbada!



As pessoas andam com a sensibilidade exacerbada ou, em outras palavras, à flor da pele! Inflamam-se por poucas coisas. Minha avó falava que esse tipo de personalidade era o tal do "não me toque não me rele"! Pior, que, de tão sensíveis, criam reféns de seus pensares e o agrupamento vira um motim envolto de plumas sensibilíssimas.

Filtro. Falta uma filtragem quando se lê um artigo, uma crônica, uma fantasia real e até mesmo uma crítica argumentativa. O mundo individualista no qual algumas pessoas se enclausuram faz com que a arte do ler, interpretar e pensar seja vista sempre como um ataque terrorista em sua direção. Em outras palavras, esse exagero de sensibilidade faz parte do pensamento de quem acha que o mundo conspira contra si. 

Certa vez ouvi uma retórica de um profissional que "pessoas que têm sua sensibilidade exacerbada deveriam manter-se afastadas da civilização pois o mundo é uma inconstância e estamos sujeitos às mais variadas intempéries naturais ou criadas pelos maus civilizados." Esse é um fato real! Tem quem considera que tudo o que lê foi escrito para sua pessoa. Síndrome "de si para mim mesmo"!

As coisas são simples. Não gostou, argumenta! Não curtiu, comenta! Tem uma ideia melhor, escreva! Não gosta do pensamento de "A" ou de "B", não perca seu tempo lendo! Não tá satisfeito com as coisas ao seu redor, faça melhor, sugestione. Só não fique perdendo tempo "cochichando aos ventos". O telefone sem fio é uma arte perigosa. 

Os lugares andam repletos de adultos com mentes imaturas. E, não adianta revoltar com o que está escrito. Melhor é se reciclar! Detalhe: eu não escrevo diretamente para uma pessoa, ou para um determinado grupo de uma determinada comunidade. Não levo em consideração um fato isolado e nem perderia meu tempo com irrelevâncias esporádicas. Fatos como os que eu citei no escrito anterior acontecem por todo o Brasil. Aí vale a pena gastar um tempinho e umas letrinhas. Só não pode deixar passar do ponto, senão vira sopa!

Deixo aqui uma boa dica para quem sofre de síndrome de hipersensibilidade: se não sabe fazer uma leitura com olhos críticos e uma boa interpretação então pare de ler porque eu não vou parar de escrever!

Água de batata ou sopa de letrinhas?





Depois de "ÁGUA DE BATATA" agora é a vez de "SOPA DE LETRINHAS"! Não bastava ser sem gosto, precisava ser uma música evangélica na hora da comunhão! O resultado disso foi o pronunciamento da cantora gospel Aline Barros que criticou os católicos por usarem sua música para adorar um "pedaço de pão" durante a Missa! Uma especialista em Liturgia comentou que isso até demorou a acontecer.

"É preciso que o respeito ao Sagrado comece por nós mesmos. Basta que queiramos nos inteirar do assunto para que não cometamos erros chulos."

A Liturgia não é algo engessado. É para ser vivida e celebrada com e em comunidade. Os direcionamentos nos são repassados vias tradição e magistério. Geralmente quem se deixa levar pelas ondas melodiosas e individualistas inflamadas pelos movimentos desconhece a riqueza contida em nossa sacra liturgia, cantada ou orada. Ou, talvez, gosta mesmo é de formar "palavrinhas" no pratinho de sopa...

E por falar em música, aprendemos e repassamos que, dentro do ambiente litúrgico da Santa Missa, ela deve ser cantada com toda a comunidade. Não se pode nem se deve cantar para a comunidade apenas ouvir. Outro detalhe aprendido é que a música litúrgica sempre nos remete a uma vida em "comunidade", ou povo, o "Povo de Deus". Ela deve inflamar o "nosso" coração nesse sentido. Quando fala de forma individualista e mágica, ou seja, "eu e Deus", deixa de ter um sentido litúrgico de comunidade e portanto está sendo usada equivocadamente.

"Ninguém é tão sábio que não tenha nada a aprender e nem tão leigo que não tenha nada a ensinar." (Augusto Cury)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Primavera de 2013

Mudanças, andanças, lutanças 
Destemperanças, aliança, esperança
Nada poderia ser igual, 
e não fora
Sentia que o tempo era meu, 
A oportunidade, com ousadia e fé, me pertencia
De casa, de trabalho, de coragem
Dores que me fizeram reavaliar-me
E melhorar meus passos
Cuidar-me, sem quimeras
Afinal, de que valeriam os pensamentos
sem o corpo para praticá-los?
Eis um ano de primaveras!
Felicidade sem limites por inúmeras mudanças
As dores, como um verão, se passaram
Forçaram-me a "reinventar-me"
Ainda é possível ser melhor
Viver melhor!
Sempre é possível. 
A primavera deveria ser uma estação contínua.
As flores enfeitam, perfumam, 
Harmonizam todo e qualquer cenário
De luto à festa
Esse ano, fé e mística sem precedentes
Repleto de flores para a alma
Que os olhos do corpo não vêem
Mas os da alma sentem
Se comprazem 

Ao Deus que me cuida,
que me guia e me faz enxergar 
pelas janelas do pensamento,
o meu bem querer 
transformado em gratidão,
com amor, com ternura, com fé
com ousadia, alegria, travessia
pés no chão, pensamento inflamado
desejo aguçado no coração,
o de doar-me, a ser luz,
e assim cumprir meu papel
protagonizando aqui na terra
o que o Papai do Céu
legou em meu viver.

Aos 7 anos - medos



Estava na primeira série, antigo primeiro grau. Tinha 7 anos na época. Minha professora se chama Leni. Exigente. Eu a considerava brava. A gente tinha medo dos professores mas havia muito respeito. Caso houvesse reclamação por mau comportamento, com certeza o castigo da minha mãe seria escrever os números de 1 a 1000, perdendo assim o tempo de brincar. Que trauma!

Pior do que isso era pensar que meu pai poderia ficar bravo e me dar umas palmadas. Até essa idade eu só havia apanhado uma única vez por conta da birra no dia da quadrilha do pré. Eu queria cachorro quente antes de dançar. Ele só me daria após terminar a quadrilha. Devia ser para evitar que eu me sujasse todo. Enfim... odeio cachorro quente!


Engraçado como carregamos alguns medos durante toda a nossa vida. Um desses medos era o de ficar só. Desde pequeno ele me acompanhara. Quando tocava o sinal do Moreira Porto, que na verdade era um sino, eu já começava a me apavorar ao imaginar que ninguém da minha família estaria ali me esperando. Eram minutos que pareciam uma eternidade.

Alguns pais adentravam no pátio da escola. Outros aguardavam no portão. Fato era que eu tinha medo de ficar preso na escola. Imaginava a noite como devia ser assombroso ficar ali naquele complexo sem meus amiguinhos, sem professores, só e abandonado... 

Passavam mil coisas pela minha cabeça, nesse espaço de tempo que meus olhos percorriam cada centímetro daquele lugar, desde que pisava além da porta da sala de aula. Ficar trancado ali sem ninguém era um medo meu e não adiantava meus pais me garantirem na presença do diretor e de outros funcionários da escola, que ela não fecharia porque a noite haveria a turma do ginásio, antigas 5ª à 8ª séries. Não adiantava.

Eu saia em disparada e quanto mais eu corria em direção à saída maior a ansiedade e o medo. Era uma verdadeira manada de crianças fazendo esse mesmo trajeto. Claro que nem todas tinham esse medo e muito menos sabiam do meu. No portão eu via e sentia que em poucos minutos a escola se fecharia porque o movimento de crianças e pais diminuía. Era uma lógica natural na minha cabeça, por mais que insistiam em me explicar o contrário. A sensação de alívio e conforto se dava no momento que meus olhos encontravam um semblante familiar.

Um belo dia fazendo o mesmo trajeto, com os mesmos anseios e medo, da sala até o portão, após os badalos do sino nas mãos do Sr. Luís Teixeira ou da dona Iara, eis que a chuva caia. Da sala para o pátio do recreio. Do pátio até a porta da biblioteca, local onde se via claramente o portão de saída e aguardando, com as mãos no bolso da minha jaqueta de nailon de touca e com a mochila nas costas, o primeiro rosto familiar aparecer.

Acontecia naquele momento a realização do meu medo. As últimas crianças saindo e ninguém pra me apanhar. A chuva estava forte e a todo momento eu corria até o portão e voltava para a frente da biblioteca. De repente, só a responsável pela arrumação das salas andando de um lado para o outro. Eu tinha certeza de que ela me trancaria ali dentro e eu não voltaria mais pra casa naquele dia.


Fui até o portão e ali fiquei debaixo de chuva. Nesse momento, água da chuva lavava meu rosto de choro repleto de lágrimas. Uma angústia inexplicável. Vivia ali um pesadelo. Sentia-me abandonado. E agora, será que não verei minha família nunca mais? Fui caminhando até as árvores do outro lado da calçada. Descumpria ali a regra que meus pais me deram, de não sair da escola até a chegada deles. Eles também descumpriram a promessa que me fizeram, a de estar ali me esperando quando o sino badalasse. 

Já todo ensopado com aquela chuva, eu debruçava sobre meu braço e chorava encostado na árvore. Alguém que fora buscar seu filho na escola, que não faço ideia de quem seja, parou perto de mim e com pena se colocou pronto a me ajudar chegar até em casa. Naquele tempo eu nem sabia voltar pra casa sozinho.

No carro de um estranho, aguardava-o voltar com seu filho para que me levasse embora. Batendo o queixo, tremendo e já sem lágrimas imaginava como seria reencontrar minha família. Ele retorna e com um homem alto que me parecia familiar. Era meu pai... Nesse momento eu já não sabia qual medo era maior, o de ficar só e esquecido ali na escola ou da expressão de braveza que ele me dirigia. Não importava mais. Eu estava a salvo.

Entramos no carro e lá estava meu tio, seu irmão. Eu já estava todo sorridente, apesar de ter me acabado em lágrimas e chuva e quase ter ido embora com um estranho que naquele momento era um anjo. Meu pai, lembro-me bem, questionou-me tentando conter sua ira, o porquê de não tê-lo esperado la dentro. Apenas respondi que tinha medo de ficar trancado lá...


Esse fato, já passado a exatos 30 anos, reaparece na caixa da memória de forma clara e nítida. Medos que adquirimos ao longo da vida, desde o útero materno e durante toda a nossa travessia. Alguns, conseguimos despachar pelo caminho, enterrando ou afogando. Outros persistem, os controlamos ou deixamos que nos controlem. Não importa, medo é medo. Cada um tem o(s) seu(s). 

O que vale nessa reflexão é a devida atenção que dispensamos a quem está sob nosso cuidado. Não posso condenar meus pais por não terem compreendido melhor a dimensão desse medo de ficar trancado na escola. Hoje, isso é fato cômico a ser lembrado ao redor da mesa quando nos encontramos. Esse medo já não me perturba mais. Ficou pelo caminho, enterrado não sei onde. Tenho outros, com certeza, mas que não permito que dominem minha razão nem a emoção. Respeito meu ser, meu espaço, meu tempo e não forço o impossível para além dos meus limites. A superação de cada um se faz no momento certo, com entendimento e compreensão, paciência e persistência.

Sentidos da vida II


Pode ser que eu já esteja na metade da minha existência. Talvez mais... ou menos... Não sei e não vem ao caso! O tempo que se escorre feito areia nas mãos me põe a pensar cada vez mais no verdadeiro sentido da existência, principalmente o da minha.

Aos 36 anos de vida, considero que já vi e vivi muita coisa. Sempre consideramos e nos colocamos num patamar que já vimos de tudo. Não! Por mais que não nos espantemos com o sistema operante ao nosso redor ao qual somos protagonistas, cúmplices, encarcerados, cegos, surdos, mudos, ousados e as vezes questionadores, ainda assim não vimos nada, nem tampouco vivemos de tudo.

Sempre corremos em direção ao melhor. O prêmio, muitas vezes, é aquilo que economizamos tanto para adquirir e depois da conquista feita, vislumbramos o próximo item. Sim, item. O melhor a que buscamos, em 80% ou mais do nosso tempo, se refere a itens materiais. Claro, óbvio, que todos querem o melhor para sua sobrevivência e a dos seus.

O tempo de hoje me permite degustá-lo com outro olhar e com outro paladar. Permito-me o direito de dar descanso ao perfeccionista que co-habita aqui dentro. Livro-me do desafio de querer tudo ao mesmo tempo, ao meu tempo. Dou-me a auto-orientação da espera, com sabor de apreciação enquanto o esperado não acontece. Cuido-me para que eu não me torne refém, nem escravo dos meus algozes.

O tempo de agora me coloca em pontos estratégicos de reflexão. O degustar dos momentos nas mais variadas filas de espera é algo que jamais imaginava acontecer. O cumprimento do dever em tempo recorde sempre foi marco nos meus dias. Meu filho é assim. Tenho visto o meu próprio reflexo nele. Mais que isso, tenho cuidado para que ele valorize o tempo desde já.

O tempo que se foi virou lembrança. Lembrança de vitória e também de derrota; lembrança de alegria e também de dor; ganhos e perdas; simplesmente, lembranças... A saudade que aperta diante do que não volta mais é em relação ao tempo que talvez poderia ter sido degustado melhor.

Levando por essa óptica, questiono-me sobre o que me satisfaz de um modo geral, em todos os aspectos. É uma questão ampla, objetiva e também subjetiva. Importo-me então em não fazer correrias desnecessárias. Tudo a seu tempo, respeitando os limites e os espaços. É quase uma contradição, ou melhor, uma luta contra os instintos e vícios que não agregam.

Mas, e o tempo que virá? Falar de sonhos impossíveis e inalcançáveis em tom de utopia vale a pena? Sim! Com toda clareza e certeza vale muito a pena não só falar mas sonhar de pés no chão, ter convicção do que se almeja, acreditar na capacidade, não deixar abalar as estruturas da fé, engajar-se numa luta positiva, ou seja, sair da comodidade do lugar e se por a caminho rumo ao sonho. Sonhar por sonhar é vazio.

Então, o tempo do amanhã, do futuro, de horizontes desejados e caminhos variados, é algo que não se pode deixar ao acaso. O amanhã depende das estruturas do hoje. Não se importar com o que virá é desleixar-se com o momento que está.

O sentido da vida também sofre mudanças com o tempo, com o amadurecimento, com os pódios e também com os obstáculos, principalmente. Quando os problemas e as dificuldades batem a porta o que mais refletimos, além da busca para a solução, é sobre os tempos que não tínhamos tanta responsabilidade, dos momentos de aconchego familiar que muitas vezes era desapercebido.

Algo nos motiva, algo nos impulsiona, algo nos põe a caminho, algo nos obriga a cumprir tarefa. A vida pode ser uma rotina de horas e paisagens mas pode ter um sentido a cada dia. Basta que não tenhamos medo de silenciar e assim consigamos enxergar além, além das vidraças, além dos olhos, e a nós mesmos.

Entre cruzes e luzes, o sentido de cada um, para cada um, está ao alcance de quem ousar-se...

domingo, 25 de agosto de 2013

A melhor parte


A vida é feita de escolhas, como afirma o título do blog de uma grande amiga. Realmente, a todo momento nos encontramos em pontos de decisões, de atitudes, de escolhas. O livre-arbítrio deixado por Deus nos permite optar. Escolhemos então aquilo que melhor nos convém. Com o tempo e o amadurecimento aprendemos a escolher melhor... as vezes. E, aprendemos também a degustar cada coisa no momento oportuno e não simplesmente a ingerir sem saborear.


Uma das passagens do Evangelho que inquietou-me por vários dias e que me fez refletir sobre as coisas que tenho priorizado no dia-a-dia é a de Lucas 10, 38-42, sobre Marta e Maria que acolheram Jesus quando ele passava por aquele povoado. Como em outros tempos, uma mulher toma a iniciativa para hospedar o profeta Eliseu (2Rs 4,8-10). Também, desta vez é uma dona de casa que hospeda Jesus.

Marta, realiza o "normal", o que mandam as normas da acolhida e da hospitalidade; ela é símbolo dessa porção de povo que acredita que "cumprindo" a lei já está tudo preparado, e portanto o critério de julgamento para determinar o comportamento dos outros é se a cumprem ou não. Maria também cumpre o costume da acolhida e da hospitalidade, mas o faz de um modo diferente, com uma atitude de novidade que brota do coração, é a "melhor parte" que ninguém pode tirar.

Quando Marta se vê ocupada com muitas tarefas a fazer enquanto Maria escuta os ensinamentos de Jesus, aproxima-se e diz: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" Imagino a forma e a serenidade que Jesus tenha lhe respondido sem magoá-la e ao mesmo tempo fazendo-a meditar sobre a importância de cada coisa em seu tempo oportuno: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada."

Ao ler e reler a passagem em várias versões, contemplar e meditar, senti que o mais notável é que Jesus não menospreza o trabalho que Marta faz. Entende sua preocupação em organizar a casa e suas tarefas e ao mesmo tempo mostra com amor e humildade que ela pode estar gastando tempo com coisas irrelevantes e superficiais."Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas." Em nenhum momento disse que não era importante o trabalho que ela desenvolvia. "Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada."


"A melhor parte", tema deste escrito, é o que tenho meditado desde meados de julho. Será que tenho escolhido "a melhor parte"? Entre afazeres e rotinas tenho dispensado meus ouvidos e atenção aos familiares, amigos e companheiros de caminhada, colegas de trabalho e até estranhos que cruzam pelo meu caminho na correria do dia-a-dia? Ou simplesmente tenho dado mais atenção para o cumprimento das normas? Onde está "a melhor parte" na mística da relação com o próximo? 

Sempre queremos o melhor, buscamos realizar nossas tarefas em perfeita sincronia e sintonia para que haja êxito nos resultados. E quanto ao próximo, que muitas vezes está tão próximo que se torna objeto e rotina de nossa jornada diária, temos a mesma dedicação, paciência, destreza, respeito, amor? O mundo nos coloca como tais objetos que precisam acompanhar as mudanças e a modernização necessárias para a sobrevivência. O sistema nos robotiza e a tecnologia apaga a essência do que realmente somos. E a melhor parte acaba sendo apenas a vitória, a conquista, as metas alcançadas. 

Que ousemos mais! Que vivamos mais! Que intensifiquemos nossos olhos e ouvidos para a verdadeira essência da vida! Que saibamos ousar sem perder o valor! Que re-aprendamos a valorizar os que estão ao nosso redor! Que nossas relações sejam intensas, fraternas, eternas! Que abramos o coração ao Deus da Vida e que saibamos escolher cada vez mais "a melhor parte"!


Fontes: Bíblia do Peregrino; Bíblia de Jerusalém; Bíblia Edição Pastoral; Bíblia Edição CNBB; Bíblia de Estudos da Ave-Maria.
Leituras: Lc 10,38-42; 2Rs 4,8-10; At 16,14-15; At 20,35; Lc 8,14; Jo 11,1-44; Mt 6,9ss; Jo 12,1-3.

sábado, 24 de agosto de 2013

Pensamentos e lamentos


Quando o sofrimento alheio
tornar-se uma mera e cotidiana paisagem,
com certeza, os olhos da minh'alma,
estarão cerrados e cegados
talvez, corrompidos...
Quando nada mais me comover,
nem as noites enluaradas e de céu estrelado,
nem a sinceridade dos animais,
nem as flores, nem as paisagens,
nem os gestos de amor, 
nem as histórias de vida e de lutas,
estarei perdido num sistema,
vendido, banido, usado e descartado...
exilado num mundo inexistente
Mas,enquanto meu coração pulsar
pelas diferenças incompreensíveis,
enquanto, mesmo sem condições de mudar o cenário,
minha consciência inquietar-se e inconformar-se
com o próximo que vive à margem,
de uma sociedade a qual penso estar inserido,
enquanto a desigualdade for causa de tantos pensamentos,
lamentos, tormentos em minh'alma,
acredito que ainda sou humano,
sou homem, sou cristão...
E,
mesmo diante de tantas falhas,
persisto no caminho,
lutando contra meus algozes,
modestos, ferozes, de carne e de osso,
invisíveis, incompreensíveis, imaginários,
ou simplesmente que co-habitam em meu ser...
Quando,
a poesia deixar de existir nos sussurros dos meus escritos
tornei-me então um descrente da vida, do homem, de Deus...
Enquanto viver, que seja eterno,
acima de tudo, o amor...
Enquanto sonhar, que seja real,
na vida, no pensamento...
Enquanto houver canto, encanto,
haverá poesia, amor, vida,
fé, sonho e luta...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Reinventar-se


 Numa parada obrigatória eis que a dúvida surge: continuar no caminho, analisar um pouco mais ou retroceder? Repensar conceitos é sempre bom desde que para aprimorá-los. Difícil mesmo é quando nos damos conta de que essa parada deveria ter ocorrido naturalmente algum tempo atrás evitando assim possíveis percalços e, que o momento atual requer uma caminhada de volta até determinados pontos cruciais não observados anteriormente.

Caminhar de volta, acredito, não é desonroso. Engrandece. Dignifica. Mostra que existe alguém que pensa e antes mesmo de superar metas preocupa-se com a coerência, a transparência e o bem estar dos seus.

Acomodar diante da atual situação ou reinventar uma solução? O que aprendemos com o retrocesso? Este, que ocorre forçadamente, de certa forma nos servirá para mostrar novos rumos, novos horizontes e evitar possíveis obstáculos. 

Possibilidades! Vivemos sob essa variável. Não existe um caminho humanamente seguro. Existem metas, objetivos e opções saudáveis que nos propiciarão enxergar adiante quando estivermos dispostos a ouvir, dialogar, sonhar, acreditar e botar em prática. 

Mudar conceitos. Reconhecer limites. Recriar espaço. Romper barreiras. Reinventar-se!...
Há pouco tempo atrás ouvi numa entrevista pós luta do então ex-campeão mundial de M.M.A., o brasileiro Anderson Silva, após 8 anos consecutivos como campeão invicto em sua categoria e agora destituído de seu cinturão, que o seu maior rival fora ele mesmo. Perdeu para si. De início achei tamanha prepotência, arrogância e despeito. Hoje, analisando os fatos, revejo que ele pode estar totalmente certo. 


Após anos de vitórias e pódium, tratado como estrela, insuperável, único e imbatível muitos assédios podem tê-lo feito acreditar que de fato nada o surpreenderia. Óbvio que era o favorito e o mais cotado para levantar o cinturão mais uma vez. Fato também que o seu adversário não imaginava que conseguiria destroná-lo. Uma sucessão de erros, principalmente pelo excesso de auto-confiança. 

Existe, bem no fundo, uma voz que sempre nos alerta. Uns a chamam de consciência. Outros falam que é a voz da verdade do nosso coração. Muitos preferem crer que é o próprio Deus nos soprando no pé do ouvido aquilo que é correto ou não. Quando deixamos que os olhos apenas vejam o externo automaticamente cerramos os olhos da alma que verdadeiramente enxergam. 

Muitos fatores o levaram para sua derrota. Acredito que seu erro foi acreditar que era totalmente imbatível e invencível, tal como a mídia construíra sua imagem. Sim, imagem... Talvez ele tenha adentrado pra lutar apenas com a imagem e esquecera de se reciclar para o combate. Usando parte de seu pensamento, que achei muito oportuno e acrescentando mais uma pitada de bom-senso: "Somos o nosso próprio adversário a ser batido diariamente! Precisamos nos reinventar! Reinventar sem se corromper!"
"Há um tipo de coragem que a gente nunca imagina ter 
Até que chega o dia em que ela é tudo o que se tem!"(Filme: O poder de um jovem)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Ousadia do querer



Ah, este cheiro que me invade e me deixa
se apossa, acomoda e transforma sem queixa
Ah, este olhar que me ataca e me abraça
quase me escapa, maltrata e devassa

Ah, este jeito que me inspira e me apronta
me encanta, apaixona, me muda e desmonta
Ah, esta obra que, a mim, tu te tornaste, divina
teu cheiro, teu olhar, teu jeito de mulher e menina

Me queira e me tenha
Me encontre e me venha
Já tens o meu querer-te

Por um dia que seja hei de ter-te
E em cada gesto percorrer-te
O desejo, que nada o detenha

domingo, 11 de agosto de 2013

Porquês

Ainda me pergunto sobre tantos "porquês"...
O porquê da afeição?
O porquê da admiração?
 O porquê do encanto?
 O porquê da distância?
 O porquê de ser assim?...
 A vida é cruel, ou nos prega peças, nos põe ao contrário dos nossos sonhos?
Ou, talvez, em sua sabedoria Divina, Deus nos dá, com livre arbítrio, a oportunidade de lutarmos pelo que queremos, mesmo em meio a tantos conflitos, tantas divergências, tantos obstáculos...
Se sobrevivermos, se persistirmos, haverá o prêmio eterno...
Acredito no amor como tal prêmio!
Acredito na vida.

sábado, 10 de agosto de 2013

O sol despontou e trouxe esperança



Em tempos que se passaram,
a lembrança da superação,

da aceitação, do reconhecimento, dos méritos
e também das mágoas

No limiar da saudade,
a força valente de esperar por um novo dia

A dor petrificada que já não lateja mais,
agora é lembrança fria, mórbida, inerte
Tornei-me frio aos fatos
A essência, escondeu-se de mim
O brilho ofuscou-se com tamanhas pedras

O sol despontou...
entre nuvens lançou seus raios
Esperança, novo tempo, mudança
Com seu brilho, o cenário da manhã enfeitava
Aquecia o corpo, o coração e a alma
Aniquilando a dor, retirando as pedras
Não eram simples raios despercebidos
Olhar celestial lançado divinamente
Calor sagrado do Pai, dedicado

Passado, presente, futuro
Que se cruzam nas trilhas da história
E assim firmam um caminho no tempo e na memória
Saudades, lembranças, lutas, sonhos e fé
Ingredientes de superação e de sobrevivência
Coração, recanto oculto, fortaleza solitária
entre vidas que se vive, que se cruza
ele bate, apanha, explode, acelera, corre e também morre

Na dor petrificada

A saudade no tempo congelada
Me leva por caminhos infinitos
De buscas, labutas, batalhas,
vermelhos, sangues, amor...


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