terça-feira, 30 de agosto de 2016

#1008grau

Fez-se necessário uma NOTA AUTO-DESENHADA-EXPLICATIVA acerca do texto anterior #1007grau. Entre dúvidas, controvérsias e pessoas acreditando em "indiretas já" percebi uma tristeza digitalizando-se na tela à minha frente. Então, lá vai:

1) A era virtual é uma realidade que não tem volta. Entre os positivos e negativos que a tecnologia nos trouxe estão a aproximação das pessoas geograficamente distantes e consequentemente o distanciamento das geograficamente próximas. 

2) A necessidade da exposição do sentimento do momento encontrou nas redes sociais uma forma de extravasar, de comunicar e de encontrar olhos e ouvidos virtualmente prontos para a lida e para a escuta. Expor-se é praticamente um mal necessário para ser notado, ser visto, ser curtido. O número de curtidas simboliza o grau de interatividade e para alguns de amizade.

3) A vida se tornou uma vitrine em tela cheia. E como quem não vê cara não vê coração, as declarações rolam em alto e bom tom. A falsidade também. Há quem viva parte do dia em postagens de indiretas na tentativa de acertar em cheio a cara de fulano e na outra parte do dia passa compartilhando frases de bate-pronto dos religiosos e santos de plantão. 

4) E pra finalizar essa bagaça, só quis deixar relatado aquilo que vejo diariamente nas vitrines da vida e que não é novidade para ninguém. Nada mais. Não foi um recado, tampouco uma indireta, até porque os protagonistas da minha inspiração estão aquém de entender o meu pensamento e conectarem as ideias a si mesmos. Não se atentaram na vida real, quiçá na virtual!

Entendeu ou quer que pinte também?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

#1007grau


"Se sentindo feliz. Se sentindo triste. Se sentindo entendiado. Se sentindo vitorioso. Se sentindo abençoado. Se sentindo milionário..." Êpa! Esse último não deu certo. Vou tentar com mais vontade: "SE SENTINDO MILIONÁÁÁÁRIOOOOOO!!!" Putz! Tudo do mesmo jeito. É... não deu! Tá ruim mas tá bão! Vamo que vamo!

Hilário as tantas caras e bocas estatizadas na linha do tempo virtual, são bonitas, engraçadas, tristes, tem de tudo e para todos os públicos fiéis. Mas o que mais me chama a atenção são alguns fatos típicos dessa era virtualística em que as máscaras são calçadas para uma pose e um click somente. Pós evento, tudo volta ao normal, inclusive o telefone sem fio.

Nos comentários de cada foto estão as melhores declarações de amor incondicional. Eis um ponto positivo desse tempo: as pessoas estão mais encorajadas a expressarem o seu sentimento. Da mesma forma também estão mais aptas para usarem o momento como um gancho para dar um pitaco de falsidade. Óbvio!

Alguns posts vêm acompanhados de velhas frases de guerra. Aquelas com uma mensagem subliminar de paz, ou de amor, ou de família (kkkk). É... de família é complicado! Engraçado a fulanagem que sofre síndrome de rejeição e precisa se auto afirmar o tempo todo na vitrine do "face". Num determinado momento está possuidamente em guerra com o além, pois estão comentando de sua vida. Ninguém nunca viu a cara do comentarista que ousou falar mal da cara de vaca, mas a pessoa afirma que existe. Noutro, são só anjinhos do senhor pairando sobre sua cabeçona de ogro.

É... eis o estado de espírito num click: tudo tão perfeito seria se tão verdadeiro fosse!


Embriagada noite


Embriaga a noite de meus sonhos
A esperar-te sob a sombra das estrelas
Encontrando-te nas trincheiras enluaradas
Longe do alcance da mira dos holofotes
A caminharmos descalços pelo relento
Em ciranda de carícias desritmadas
Na linguagem eloquente que o corpo incita
Ao som de desprovidas canções eternizadas

A embriagada noite desteme o compassar do tempo
Sobre a terra de uma verdejante encosta 
Na sensualidade sutil da água escorrendo pela pedra
Numa orquestra de bichos e matos refrescantes
Que se comprazem na melodia dos corações
Suor e orvalho se misturam sobre os corpos
Enquanto as bocas sucumbem ao beijo molhado
E no ar se paira a essência exalada do desejo incontido

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Hoje, ontem, amanhã


Hoje, 
Trago flores
Descarregado de pedras
Desprovido de dores
Após tantas esperas
Após tantas amores

Hoje,
Embriago-me de paz
Num copo sem cachaça
Largo a tristeza para trás
Deixo de lado a desgraça
O resto tanto faz

Ontem,
Afoguei-me na desesperança
E numa labuta inquietante adormeceu
Aquela latente lembrança
Da saudade do que não se viveu
Na eterna alma de criança

Amanhã,
O sol voltará a brilhar
Frio ou calor, sorrirei
A noite terá luar
Palco de estrelas, cantarei
E assim poderei amar

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Trapos e passos

Caminho por entre as cruzes no infinito de um silêncio sepulcral 
Um deserto eternizado na memória que foi de flores e de amores
Em cada passo me despeço da vida que um dia foi-se
A me encontrar em outros passos, outros braços talvez
E na desesperança que invade os dias sem sol, sem céu
Renasce no peito ardente uma chama irrigada pelo pranto
Na solidão, que em minh'alma grita, inquietante, delirante
Escalo o topo mais alto de meu ser transpondo medos e limites
A canção que agora ensaia em tons de emoção, sem razão
As notas reverberam na memória em um gesto de amor
O que se escreveu, eternizou-se em utopia, na travessia
Meu herói foi um vilão que aniquilou meus sonhos
Minhas feridas calaram-se no caminhar sob a ingênua lua, tão nua
E as chuvas lavaram minha honra na labuta com suor e dor
Na plenitude desses dias desfiz com dolo os meus trapos e refiz os passos
E do que me faltou na vida, na guerra ou no amor
Ela mesma deu-me a chance de plantar uma nova flor...

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Meu silêncio que se fez restrito

Clara lua incendeia
Meu silêncio que se fez restrito
Sob a descortinada essência
Destorpecida de amarras 
Entrelaçado em vaidosos devaneios
E protegido dos atos alheios

À meia luz eu danço, penso
Deixo no vácuo meu cansaço
Uma trilha irrigada de suor 
Dançante alma que balança
Entre ritmos desvairados
Entre loucos e alucinados

Abro a janela e vislumbro
É partida?
Ao som de um adeus...
É chegada?
Ao sorriso tão bonito
Meu silêncio que se fez restrito

Na paisagem que se disforma 
Ouço a marcha que se firma
Entre inéditos e imediatos
Minha alma se derrama em vermelho
Em tons de intensa paixão
Abro a janela e arremesso o coração...

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Retórica: "E pra que vale o nada?"

E pra que serve a labuta
Enquanto grande legado
Senão pra ensinar a quem chegar?
E pra que vale a luta
Senão pra superar o fardo
Com fé e sempre a sonhar?

E pra que serve o mundo
Palco de derrotas e vitórias
Senão pro corpo sobreviver e vencer?
E pra que vale mergulhar no profundo
A ressurgir das cinzas à glória
Senão pra alma amadurecer?

E pra que serve a vida
Tão intensa, tão menina
Senão pra viver o amor?
E pra que vale a partida
Tão eloquente e traquina
Carregando o sonho e deixando a dor?

E pra que serve tudo
Se nas maiores batalhas históricas
Foi do nada que a guerra trouxe a dor?
E pra que vale o nada
Senão pra mostrar a retórica
Que do nada tudo se faz com amor?

terça-feira, 16 de agosto de 2016

E de que vale tudo?

E de que vale a labuta
Pela insana sobrevivência
Se nada foi como contaram?
E pra que serve tanta luta
Pra manter as aparências
Se nada foi como escreveram?

E de que vale o mundo
Afundado em almas apodrecidas
Da espécie mais pobre de ser?
E pra que mergulhar no profundo
Se é a superficialidade da vida
Que impõe o matar ou morrer?

E de que vale a vida
Se é a morte quem espera
Pra saciar a divina vaidade?
E pra que tanta partida
Se viver é uma quimera
A sonhar com a eternidade?

E de que vale tudo
Se na real não somos nada
Pois morremos ao nascer?
E pra que tanto escudo
Que protege a hipocrisia velada
Enquanto a massa apenas luta pra sobreviver?

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Fuga para Lótina

Raptei-te de teu cárcere
E fugi contigo pelas sombras
Na calada noite sem lua
Perdi vidas pela tua
Mas devolvi-lhe a liberdade
De ti roubada sem ser vista
Atravessei mundos ao teu lado
Perdi guerras na penumbra
Lavei a honra com meu sangue
Batizei a terra com suor
Molhei-te a face com as lágrimas
Viajei contigo por mil reinos
Atravessei de peito aberto ao tempo
As paredes frias das minhas prisões
Elevei nossas almas em outra dimensão
E cheguei contigo no coração
Pelas entrelinhas da poesia
Que nos conduziram para a eternidade
Na sagrada terra da paixão
Lótina...

Teus rastros

Na cortina que se desata nas manhãs de ausências
Sigo enlouquecido, de motivos desprovido
Desimportando com o imundo real
Improvisando melodias, entre gritos de agonia
Caçando teus sinais e as significâncias reinventando

Nas tardes de meio sol, sem sol, sem eloquência
Caminho pelo solo virgem de pensamentos adormecidos
Acordando das miragens sem o teu sinal
Resfriando o sangue e salvando o coração sem sintonia
Caçando teu cheiro no tempo que segue de ti me levando

No desfecho que acerca as noites de solidão e sem tua essência
Sobrevoo tantos mares, lugares, altares, infinitos
Guerreando contra o destino, traquino e tão mau 
Buscando tua alma, tua alegria
Caçando teus rastros, por ti vou sobrevivendo

Dança comigo

Na última das danças
Sob o êxtase da paixão
Mergulha-se na profundeza 
Da clausura das estrelas
À libertar a lua do firmamento
Ao som profundo do tempo
A noite desacortinada
Libertada da criação
Reserva com exclusividade
Sua cama, sua terra
Aos corações em extinção
Dança comigo!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Asas podadas renascem

Quis o destino lutar contra o tempo
Rasgou o limite do céu e secou o mar
Invadiu à espreita o sagrado do meu sertão
Fechou a cortina da janela de minh'alma
Cortou-me as asas e roubou-me o sonho
Sequestrou de mim, sem cautela, o vento
Para que o meu amor eu não pudesse alcançar
Enterrou minhas próprias lágrimas no ar
E na terra sangrou minha alma
Asfixiou os meus planos
E carregou minhas asas para longe
As asas do meu anjo por quem lateja o coração
Mas para onde quer que elas voem
Voltarão um dia para me buscar
Afinal, anjos não voam só
E o destino já fadado em seu próprio inferno
Não sobreviverá o suficiente para intervir no tempo
Asas podadas renascem e se abraçam para o voo eterno

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O menino contra o mundo

Este menino num é normal
Diziam os parentes da família
Anda muito do sem sal, 
Não brinca, não briga nem reza
Não corre, é mole, é prostrado
Chega de parecer um retardado
O menino apenas fingia
Que nada via nem ouvia
Aos olhos de todos, emudecido
Mas por dentro jamais calado
Os pais levaram pra benzer
Indicação de alguns vizinhos
Dona Antônia senhora vivida
Rezava direito e curava ferida
À moda antiga era o seu jeito
Vento virado
Cortava o quebranto
Cuidava de um tudo
O que se pode ver
E do que não se sabia
Desfechava com sabedoria
Um forte "bendito ao fruto"
Mas o menino prosseguia
Em seu mundo consciente
Estudava com seriedade
Sobrava responsabilidade
E sonhava sempre à frente
Com suas insanas ousadias
A família não se aguentava
Todo mundo o estranhava
Levaram pro médico examinar
Ele é sadio, não tem nada
Disse o doutor das causas loucas
Os pais ao pastor foram procurar
Que arrancou demonhos com reza braba
Aleluia, amém e glória ele repetia
Numa tremenda gritaria
E o menino só se ria
De tanta graça a se sobrar
De toda gente que se o levou
Pra encontrar alguma cura
Somente o padre desconfiou
Que o menino era sonhador
Coração bom, cabeça pura
E se derramava a alma em tamanho amor
Aconselhou então os senhores pais
A visitar um ancião
Que vivia na solidão
Numa tapera ao pé da serra
Homem simples e muito sábio
Não tinha muito vocabulário
Porque gostava de escutar o tempo
Chegando lá naquele chão
Regado de cores em tantas flores
Tinha um cercado sem porteira
E lá embaixo da ribanceira
Passava um rio sereno e doce
O menino não se continha
Sentia a terra, juntava pedrinhas
Parecia um serelepe
Corre daqui, corre de lá
E o velho veio os encontrar
Os pais o explicaram do menino
E o velho calado, olhos fechados
Sentado permanecia
E dormindo parecia
Só depois de tanto assunto
Sua voz rasgou em prosa
E das flores colheu uma rosa
Entregando ao menino
Que sentado ao lado observava
Tão atento não piscava
Não tem nada esse rapazinho
Se o demonho existe 
Não está nele não senhor
Se alguém contraria e persiste
A encontrar razão e causar pavor
Desconhece a vida e o que é o amor
Não adianta reza, nem benzimento 
Esse menino vive seu tempo
De um jeito que vocês sabem não
Deixem ele ser livre pra sonhar
E muitos frutos irá vos dar
Ele tem um bom coração
Os pais se entreolharam
E mais assustados ficaram
Mas o senhor é um profeta?
No que o velho respondeu
Não, sou avô e sou poeta
E minha vida foi na lida
Pouco estudo e muito esforço
De menino até ser moço
Descobri que amava a vida
Tão mais simples que se podia
E assim como vocês agora
Meus pais me levaram pra fora
Pra curar minha absurdez
Até que encontraram por este mundo
Um senhor de olhar profundo
Que bastou uma só vez
Sorriu pra mim num abraço forte
Mostrando que existe um norte
Pra toda gente de boa fé
Esse menino só precisa 
Do seu tempo, seu carinho
Pra jamais sentir sozinho
E logo mais sua alegria
Se eternizará com poesia

Nas rédeas de cada sonho

Meu sonho não tem regra
Não tem cerca, não tem prumo 
Quando durmo dou-lhe trégua
Acordado dou-lhe o rumo
Se dormindo é sem consenso
Faz o que bem quer comigo
Eu nas rédeas do meu tempo
Vivo-o com ou sem perigo

Meu sonho não tem segredo
É traquino e sorrateiro
Vive a paixão sem medo
Foge do destino traiçoeiro
A vida em sonho é eloquente
Desbrava reinos e conquista o amor
Para além dos céus transcende
E materializa o desejo em cor

Meu sonho não espera fatos
Corre insano ladeira acima
Se aventura por entre os matos
Só pra ver os olhos da menina
No sonho não existe o errado
É vida que se arrisca em guerra
É brasa que liberta o pecado
É amor que fecunda a terra

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Guerra dos Mundos IX: cortaram as luzes


"O braço que detém o poder não é apenas
 forte mas é rápido, impiedoso e age
 em benefício dos que o manipulam. 
Sempre foi e sempre será assim..."

Um fato obscuro chamou minha atenção. Na rodovia de acesso ao bairro em que moro, recentemente palco de grandes queimadas arquitetadas pelos responsáveis da manutenção, cortaram as luzes de alguns postes. Num raio de aproximadamente 200 metros até a entrada principal não há iluminação pública, diga-se de passagem, aquela que pagamos mensalmente.

O motivo? Não há nenhum indício de uma pane em apenas 10 ou 12 postes, justamente naquela área que, por coincidência, é um trecho onde ocorrem alguns incêndios premeditados. Parece até teoria da conspiração mas não é. Dá para se ter uma conclusão melhor sobre o episódio.

Existe ali na entrada do bairro, num terreno grande, umas dez famílias assentadas. Creio que, entre eles mesmos, já simularam uma demarcação e cada uma ocupou sua parte. Aparenta que o terreno pode ser do Governo, mas se fosse não haveria o porquê de uma significativa empreitada contra os posseiros.

O mais provável é que existe um dono daquele espaço, que antes era apenas um terreno baldio e que já serviu de lixão. Se não há como bater de frente com os atuais ocupantes da área, o que restou foi articular para que eles não tivessem uma boa estadia em seus pseudos terrenos. Sendo assim, o passo mais favorável foi cortar a energia.

Antes do repentino apagão das luzes dos postes da rodovia, que ficam próximos a entrada do bairro, os barracos tinham iluminação. Agora, sem energia, vão ter que improvisar e resistir aos próximos contratempos do destino. Quem engenhou tais eventos, com toda certeza, se não for dono do terreno, está incomodado com a paisagem formada de barracos e seus habitantes.

Bairro Tocantins - Uberlândia - MG

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Desce do teu céu


Desce do teu céu
Singela ternura que irradia
Sei que escutas o meu canto
E entre acordes e melodias
Busco-te entre mortais e santos

Desce do teu céu
Percorrerei-te o corpo em dolo
E decifrarei em sonhos teus segredos 
Nesta travessia eu sigo solo
À esperar por seus beijos

Desce do teu céu
Que seja em sonho a te encontrar
Mas em tuas asas acordar
E saciar os teus desejos
Dissipando todo o medo

Desce do teu céu
Meu doce pecado 
Que eu preciso cometer
Tão ardente, tão sagrado
Paixão eterna, bem querer

Desce do teu céu
Doce anjo, minhas asas
O coração já bate em brasa
Teu beijo vim roubar
Aqui, sempre seu, o meu sonhar

"Talvez": contraventor


Na terra das impossibilidades
O talvez é contraventor
Infiel do protagonista
Que permeia por entre os vales
Que margeia os rios
Ou perambula cruzando vias
Talvez de fato
Talvez no tato
Ora, se for pros lados
Um falsete da tangente
Sem destino certo
Sem morada
Sem partida
Sem estrada
O talvez é sozinho
É sem caminho
Corda bamba sobre o fogo
Sobre a água e sobre o céu
Na terra das possibilidades
O talvez é réu de si
Numa luta que não tem fim...
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