quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Admirável Chico Novo!

 


"Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber [...]"





"Eh, ô ô, vida de gado! Povo marcado, eh! Povo Feliz!"

Na contramão dos neo-conservadores e fundamentalistas, pra não dizer logo de cara fanáticos e lunáticos que teimam reacender a fogueira da santa inquisição, Francisco tem conduzido o barco da igreja com mãos fortes de quem tem a lucidez humana e a iluminação do Divino Espírito. Características básicas e necessárias que tem angariado o aval e o respeito de pessoas não só católicas mundo afora.

E por melhor e mais claro que seja o caminho escolhido pelo Papa Chico, ainda assim alguns desagradados se colocam em oposição. Tem gente que nasce pra simplesmente odiar o mundo! Vejo por exemplo, aquele padre Paulo Ricardo de Cuiabá, infelizmente uma mancha na instituição mas que não representa a mim e a outros milhares e milhares de Católicos pelos cantos do Brasil. Ele não mede sua língua infundada para criticar até o Papa. Pagamos o preço por sermos da mesma igreja, porém não comungamos das mesmas ideias e tão pouco dos ideais.

Ele, o urubu de Cuiabá (título recebido nas redes sociais), preza pela instituição hierarquizada e enraizada num fundamentalismo sem precedentes. Com seu discurso inquisidor e discriminatório se coloca como obstáculo da instituição aonde Francisco diz que "quem procura a igreja precisa encontrar portas abertas e não fiscais da fé"! Loucura! Loucura! Loucura! Isso não é estar com a Igreja, é dizer-se estar do mesmo lado mas jogando contra, sempre! Tipo aquele filme "O inimigo mora ao lado" porém neste caso o inimigo está dentro de casa!


"E ter que demonstrar sua coragem
A margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer [...]"

A questão acerca do posicionamento e abertura de Francisco é uma só: o Papa está incomodando a quem senta o traseiro nas pedras das leis e cruza os braços diante do verdadeiro trabalho. A última que li sobre o nosso Santo Padre (agora sim, diante de tamanha ciência posso chamá-lo de Santo, título que talvez ele mesmo já tenha dispensado quando escolheu "Francisco") é que ele se dirigiu aos movimentos populares e falou principalmente sobre terras, teto e trabalho. Isso ainda vai dar o que falar pois está mexendo diretamente nas estruturas da elite. Se fosse possível alguns poderosos (loucos, insurretos, fanáticos, fundamentalistas, tudo junto e misturado) sugeririam o impeachmant do Papa.

Não bastasse, surgiram nas redes sociais várias manifestações dos catolibãs contra os atos de Chico tachando-o de comunista principalmente. A tendência é piorar. Na história da igreja vários papas foram assassinados quando interferiram na estrutura política do poder em favor dos pobres. Acentuando sua fala mais recente: "estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo". Uma pausa para Dom Helder Câmara: "Se dou pão aos pobres sou chamado de santo. Se mostro porque os pobres não tem pão sou chamado de comunista e subversivo!" É, eles estão alinhados. Porém eu temo sim! Temo que durante o papado de Francisco se construam muito mais obstáculos do que pontes e a oposição nefasta e leviana, pra não dizer herética, passe a perseguir e destruir o direito ao sonho e à sua concretização de fato.

Em contrapartida, na mesma direção que Chiquinho veleja, e pelejando com seu trabalho e suor tem gerado abertura e diálogo com resultados positivos mediante tamanha ciência e humildade, está rodeado e seguido por pessoas de bem, ou seja, cristãos desenraizados da politização inescrupulosa de algumas ramificações insurretas ao seu papado. O time de Francisco está grande, forte, compacto e o que melhor sobressai neste homem não é um discurso de agrado mas sim o exemplo espelhado no Moreno de Nazaré.

Quanto aos da capa preta (que não se confunda com o Batman!), o urubu e seus adeptos carniceiros, deixo aqui um SORRISÃO alá "Admirável Chico Novo", o "Francisco", aquele que veio para, SIM, renovar as estruturas da igreja! Entenderam ou querem que eu desenhe?




"O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam esta vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar [...]"
Trechos da música "Admirável Gado Novo" - Zé Ramalho

Privilégios para uma classe é o escambau!


"Antes ouvir asneira do que ser surdo! Ou, seria a recíproca verdadeira e melhor?" E foi com essa frase que, indignado, refleti sobre a exposição de um argumento de defesa empregado por um rapaz, filho de pais classe média (que por acaso tiveram sua origem na classe trabalhadora, o povão), ao defender seu apoio ao play-boy candidato: "Voto no Aécio para defender a minha classe!" Classe? Vamos lá! Classe: biologicamente significa um conjunto de seres vivos com características em comum; socialmente é um grupo de pessoas que têm status social similar. O botânico francês Joseph Pitton de Tournefort utilizou este termo pela primeira vez na obra Eléments de Botanique em 1.694. #Fica a dica!

Todos os ascendentes sociais (os que subiram de classe) ou pelo menos a maioria um dia já foram revolucionários e visaram a igualdade. Igualdade esta que também lhes seria oportuna. Mas, a questão é diferente na prática. Totalmente diferente! Uma vez experimentando o gostinho da "droga" do poder e do status, em questão de pouco tempo todo o histórico de lutas e dificuldades fica de lado e o alvo é sempre mais e mais e mais. E o povo (que agora ele já não faz parte, ou seja, é uma classe distante da sua atual) é um sanguessuga que vive nas tetas do Governo através das "bolsas". O capitalismo, passagem única e direta para o consumismo é impregnante e atinge dos pequenos aos mais velhos. 

Quem é o responsável direto e indireto pela cegueira causada nas gerações que cada vez mais deixam o senso crítico de lado e mergulham no mundo do ter? É [...], o senso-crítico está em extinção! Acredito piamente que alguém se favoreça com a ingenuidade das pessoas. É preciso que haja pessoas acostumadas com o mínimo possível, o resquício da fatia, as migalhas que caem das fartas mesas. São muitas e muitos que dividem esse micro pedaço pois a maior parte do bolo ainda se concentra nas mãos de poucos.

Dificultar o crescimento da classe trabalhadora, aquela taxada de pobre, é sem dúvida o melhor caminho para não criar pensadores capazes de libertarem a si próprios e a outros. E a melhor maneira de gerar dificuldade é simplesmente não fazer nada. Tolher o sonho, relaxar com a educação, dentre outras inúmeras coisas, são fatos consumados Brasil afora. Quem está no "poder" (não me refiro a quem está no Governo que por vezes tem menos poder do que quem coroneliza o sistema) tem a intenção de camuflar a verdadeira intenção. Tampam o buraco da sua rua porque é visível mas com certeza tiram o seu direito à educação, principalmente. As ditas oposições são especialistas em construir obstáculos ao invés de pontes e melhores mestres na arte de jogar a culpa para a administração que paga o pato.

Não acredito em Governo perfeito. Não acredito que não haja falhas. O que eu acredito é que ainda existam pessoas que sonham e sonham conjuntamente com e pela maioria desassistida. Os opositores desse tipo de política (política: arte do bem comum) são os que não querem em hipótese alguma deixar de ganhar abastadamente, quando não sorrateira e desonestamente. Os coronéis do poder ainda escravizam de maneira inescrupulosa quando dificultam a igualdade para todos. E não falo apenas em questões financeiras mas principalmente em quesitos que são direitos básicos, tal como é a educação.

Diretamente, na trilha da formiguinha, podemos começar a arar a terra, plantar, cultivar e cativar as próximas gerações. Em casa, no trabalho, na escola, enfim, enquanto cidadãos (seja qual for o papel que exerçamos na sociedade) temos não só o direito mas a obrigação de fazer a diferença. Não precisamos de belos discursos tal como a cínica e hipócrita falácia de quem defende privilégios para uma "classe". Precisamos de pessoas de bem e que visem o bem comum. Precisamos que cada ser humano, por educação, por obrigação, por respeito, por justiça apenas e necessariamente não se corrompa. Privilégios para uma classe é o escambau!!! 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições 2014: Lembranças, Pensamentos e Lamentos


"Momento difícil no Brasil" é escutar um representante lunático de um movimento fanático, que aliena os "pseudo-fieis", defender um safado mentiroso feito o bebaço do Aécio. Eros Biondini é um fantoche burguês que visa a prosperidade financeira de si mesmo e nada mais! É péssimo como cantor, é horrível como "pregador" e como cidadão não representa o povo nem aqui nem no inferno. O que ele representa é aquela instituição que fabrica bitolados!!! (17/10/14)



Aqui pras bandas das Gerais choveu. Pouquinho mas choveu. Já é um começo. Milagre! Milagre petista, óbvio!!! Ou do prefeito petista, do recém eleito Governador petista, e da futura presidenta petista. E viva a água, viva a chuva, viva o Santo Petista, viva o Papa, viva eu, viva tudo, viva o chico-barrigudo!
E quanto aos "tucanóides", os assumidos e os enrustidos, que destilam "m....", apenas faço minha as palavras de um amigo: "Deus mesmo lhes responderá no devido tempo!" (24/10/14)



Engraçado como as pessoas andam com a sensibilidade exacerbada! Incrível como tendem a socar tudo no mesmo saco: católico é tudo igual; petista é tudo bandido; corinthiano é tudo assaltante (eu sou corinthiano!); evangélico é tudo fanático; padres são pedófilos; pastores são homofóbicos; etc. A lista é grande mas encerro aqui. Cadê a análise? Cadê o senso-crítico? As coisas mudam, as pessoas mudam, o mundo gira e o vacilão roda! (24/10/14)


Não sou nordestino mas votei em Dilma. E São Paulo não se fez nem se faz só com Paulistas. Preconceito e discriminação ainda imperam na elite que se acha superior aos demais brasileiros.(25/10/14)


Eu só queria agradecer aos convites antecipados que meus amigos tucanos me enviaram para algumas festas [...]. Lamento mas a festa será brasileira! A cor da vitória é a verde-amarela e o sabor é vermelho: vermelho-justiça, vermelho-persistência, vermelho-resistência, vermelho-paixão, vermelho-sangue e vermelho-luta! (26/10/14)



Do pó vieste, ao pó retornarás... by Aécio!!! (26/10/14)


O povo enterra de vez o orgulho e a prepotência junto com Aécio e seus tucanos. (27/10/14)




domingo, 26 de outubro de 2014

Guerra dos Mundos - Parte VI - A lei e a justiça



Um mundo de poderes surreais. Seres em realidades distintas. Privilégios para privilegiados que nascem nos berços da realeza. Surdez, mudez e cegueira forçadamente impostas para quem faz parte da estatística do lado onde berço e chão se misturam.

Um fora da lei a serviço da justiça nasce nas trincheiras de uma guerra entre o poder elitizado e a luta pela sobrevivência. Fruto do amor entre uma burguesa e um operário, num reino onde as classes são verdadeiras arqui-inimigas, o filho renegado da elite cresce protegido e às escondidas da corte. Mesmo tendo sangue nobre nas veias ainda assim é repudiado pelos seus. Sua mãe renuncia a todo o tipo de riqueza e poder para viver o que considera digno: o amor, a família.

Como uma profecia o pensamento filosófico de um exímio atento às realidades socialmente distintas refletia que "a maior luta de toda humanidade era a luta entre classes sociais". Não importa a época, não importa o tempo, essa guerra obscura sempre existiu e está fadada à continuidade das futuras gerações. A luta pela igualdade nasce como um sonho regado de esperança e vontade de justiça. Com o tempo transforma-se em utopia e posteriormente acomoda-se, adormece e é enterrada num espaço pequeno do pensamento e da alma. O sistema, quando não corrompe o ideal, sufoca e por vezes vence o sangue dos justos. 

Há quem nasça e simplesmente morra mas há quem viva e viva intensamente. O fora da lei, como um predestinado à libertação dos desfavorecidos, é um desses vitoriosos que não se intimidou com a força opressora do sistema. Não recuou e não se corrompeu. Motivo suficiente que, com certeza, causou a ira dos deuses da corte que por fim o sentenciaram ao banimento da comunidade e o decretaram inimigo do reino.

Seu livre pensamento e sua forma de encarar a liberdade alvoroçava as pessoas pelas regiões aonde passava. Isso com certeza era detestado pelos comandantes do palácio que o tornavam dia após dia o inimigo número um e alvo de uma caçada sem precedentes. Seu refúgio era a floresta, junto de seus pais, irmãos e amigos, mas seu destino era o mundo. Talvez, por isso, do início ao fim de sua existência viveu e morreu a liberdade.

O que o consagrou nessa vida foi quando aos seus doze anos de idade, habitando no campo com seus pais, acompanhou-os à feira livre da cidade. Era um lugar aberto com barracas que negociavam barganhas. Ali seria o único lugar possível que as classes se misturavam livremente, ou melhor, os abastados de títulos permitiam que os desentitulados comparecessem pois era-lhes conveniente as coisas trazidas do campo.

Numa dessas idas à feira foram humilhados por pessoas da corte e escorraçados pelos guardas. O fato simples para o desfecho desse episódio era a roupa que trajavam. Vindos direto do trabalho do campo, para que não perdessem o momento ímpar das barganhas, trajavam roupas sujas do árduo labor na terra. A revolta e a sede por justiça entranhou de vez nas veias do menino.

O sistema imposto pela burguesia tinha um único objetivo: coibir qualquer possibilidade de informação que agregasse conhecimento ao povo que trabalhava nas terras. A intenção era podar sonhos, aniquilar a esperança de vez e enterrá-los vivos como escravos da realeza e sem qualquer opção de melhorias. Os poderosos eram verdadeiros ladrões de sonhos.

Mas, nem tudo são pedras. Com um estilo totalmente revolucionário o menino cresceu com força e sabedoria adquiridas nos redutos dos campos e posteriormente no esconderijo da floresta. Aos dezesseis anos, tornara-se um grande arqueiro e um exímio lutador com maestria em inúmeros tipos de armas. E foi justamente nessa idade que descobrira que o maior tesouro não mais seriam as joias do palácio mas sim o livre-pensamento. Uniu sua sede de justiça com a necessidade de libertar o povo das garras opressoras do sistema.

Nesse tempo de sobrevivência e experiência sentiu que a lei não servia aos que não possuíam títulos. Viu inúmeros amigos morrerem sem o merecido cuidado. E mesmo sendo contribuintes do reino, com o cargo dos impostos que lhes cabiam, ainda assim não eram assistidos quando necessitavam de algo. Então entre a lei dos poderosos para os poderosos e a justiça em prol dos menores, escolhera o caminho da liberdade pela liberdade de seu povo. Tornou-se um herói para os sem nomes e um inconveniente mal feitor para toda a realeza e seus nobres. 

Chegou um dia em que este reino fora invadido por outro rei. Na falta de uma guarda preparada e com mais da metade do povo vivendo concentrado e escondido na floresta a realeza sucumbiu ao então iminente inimigo que agora vinha de fora. O povo humilde e simples fora poupado porém a corte abastada, os poucos que sobreviveram, a começar pelos nobres, foram feitos de mulas durante dias e liberados depois de todo o mantimento e joias carregados em carroças.

Não foi simplesmente um massacre humano, foi um golpe na alma e no orgulho da ala dominante. A burguesia inatingível de olhar imponente e prepotente declinou à humilhação. A justiça viera por mãos alheias e todo o sangue derramado foi o preço pago mediante tamanha injustiça praticada até então.

O povo da floresta fora chamado pelos poucos concidadãos do reino, os poupados do massacre. Conclamaram o então "fora da lei" como novo líder. Os nobres tiveram suas terras redivididas para com todo o povo. Entre a lei dos poderosos e a justiça do povo, prevaleceu a verdade. Era o início de uma nova era, uma nova vida.


O mundo é conforme a óptica de cada um.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Guerra dos Mundos - Parte V - Aparência X Essência




O salão de festas da corte estava lotado. Pessoas de todos os cantos da região, parentes e amigos do casal, presenciaram a cerimônia matrimonial e já se encontravam no desfrute dos comes e bebes. Não demorou muito para que algo inusitado e fatídico tirasse o foco de alguns convidados.

Com um semblante atípico para um momento de alegria, de comemorações e celebrações, três pessoas se dirigiram para o rol de entrada rumo à escadaria da saída. O que se houve dali em diante ficou na maior discrição possível e mesmo com os ânimos à flor da pele destes que foram indevidamente penalizados pela situação, a questão fora descente e legalmente decidida conforme os trâmites da sociedade civilizada.

Uma dessas pessoas fora injustamente acusada de ter pego um objeto de valor. A acusadora estava no toalete com mais outras pessoas e tirou um de seus pertences das mãos e colocou-o sobre a bancada de pedra da pia. Não vendo seu valioso prontamente perguntou à única desconhecida na ocasião se ela havia pego. Totalmente sem graça, a moça respondeu que não e logo voltou para sua mesa junto aos seus.

Insatisfeita com a resposta e cega por sua arrogância, Julieta, a inquisidora, seguiu até a mesa aonde a moça estava e mais uma vez interrogou-a sobre seu pertence desaparecido. Novamente esta disse que não e no momento que ambas estavam no toalete haviam outras pessoas. As palavras seguidas não foram simplesmente questionamentos sobre a possibilidade dela ter visto mas intencionalmente proferidas em tom de acusação pela prepotência de quem julga pela aparência.

Numa mesa rodeada de familiares a moça se viu acuada e começou a chorar diante de tamanha e vergonhosa situação a que se encontrava. Não bastasse a senhora do valioso fora atrás de outras pessoas que pudessem também intervir no caso. Desta vez quem mediou e defendeu-a da falta de escrúpulos da enricada a aparentosa senhora foi a irmã da moça. Partiram assim para o rol de entrada e realizaram os trâmites legais.

A senhora maquiada, mascarada de sua arrogância e colorida por sua prepotência, ao se dar conta do peso de suas acusações, sem provas contundentes, e que agora resultaram na chegada dos oficiais, perdeu-se no andar de seus saltos e dramatizou lágrimas que até mesmo atores em início de carreira fariam melhor. No entanto, pediu que o caso se encerrasse ali. Não adiantava mais nada. Tudo já estava consumado. Ela, a inquisidora, estragara a festa daqueles que pelos noivos tinham muito carinho e agora, estes, queriam simplesmente o justo desfecho: a verdade.

Enquanto a festa acontecia, horas foram perdidas pela moça e mais duas pessoas que a acompanharam até o término do registro da queixa. Voltando para o salão, apenas pegaram seus pertences e foram embora. Julieta, com seu poderoso olhar de algoz, fuzilava-os.

Para quem apenas presenciou ficou claramente entendido o porquê do peso da acusação nos ombros da moça. A senhora, pseudo-burguesa, ostentava um poder que, em sua concepção, ninguém mais ali possuía e via na escolhida para sua insana inquisição a vítima perfeita. Principalmente porque a sua presa tinha tonalidade de pele diferente da sua.

O desfecho dessa trama ficou na dor de quem, em sua humilde e verdadeira essência, foi vítima do olhar preconceituoso e da falsa acusação de quem ostenta aparência. Os sepulcros caiados ainda subsistem ao tempo e estão entre nós. A guerra dos mundos ainda se faz na calada, mas calado os inocentes não se farão. A burguesia fede!





quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A morte na contemporaneidade


No mistério que esse tema envolve e possui
Eu apenas me deleito no tocante
Em que a poesia me permita assim divagar
Uma frase, profunda, filosófica, utópica, encorajadora,
Assim dizia: "Todo homem morre, mas, nem todo homem vive."
E a pior morte, creio eu, seja aquela em que 
A nossa alma não se desatrela da matéria,
Ou seja, morre-se preso em si mesmo
Para tanto, essa canção é um belo convite,
A uma longa jornada, 
E por que não uma caçada (!?)
Rumo ao nosso interior,
Em busca do nosso eu
Na voz de Milton Nascimento
"Caçador de mim" remexe e impulsiona
A uma reflexão fantástica
Neste imenso universo de nós mesmos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O suicídio da alma


Vagueia penada
Avoada e aprisionada
intencionalmente pelada
obrigada e desnudada
"presa nessa cela
de ossos, carne e sangue"
sem orifício de respiro
sem luzes em sua sala fechada
num deserto de visíveis zumbis,
sanguessugas e inquisidores

Desanda sem norte
sem sorte
ao lado da morte
que a visita
chega e fica
companheira e bonita
por de trás dessa casca
em sua boca a mordaça
envolta numa cortina de fumaça

Um grito ecoado
Um coração congelado
Um amor ao pecado
O estanque da canção
O estampido de um tiro
É o algoz da paixão
É o desfecho bandido

A alma sussurra
Sem charme e encanto
em busca de altura
de repouso, de um canto
Numa árvore se pendura
em meio aos prantos
É o fim, a loucura
é a profecia sem manto

Vagueia a alma
A um passo da lama
Na voz que proclama
Na dor que se inflama
No peito de quem ama
Atrevida e bandida
Ousada e ferida
A vida é doída

Vão-se os bons
Os heróis, cedo se vão
"Morreram de overdose!"
cantava o poeta
é quase uma neurose
evidência concreta
o estático permanece
ignorante e inerte

Sentencia-se a si
Desprendendo-se da cela
Não há motivos para rir
É o fim de uma era
É o início da vida
São os mundos em guerra
O que se vê e o que se sente
O que se quer do ser ausente

É a triste partida
Do trem que tira a alma da vida
Embarcação comprometida
Em levá-la para além de toda vida
Não é a morte que finda
Apenas rouba a cena perdida
E oportuniza a uma nova estadia
A quem viveu e morreu,
Renasceu e sobreviveu
Dentro desta cela,
Onde diária é a guerra

A alma se mata
Quando não se encontra com a luz
Do nascente ao poente
Ainda não é o sol esta luz
Na calada da noite
Sombria e fria
É a lua de sangue
Que inspira o trágico
Morrer para si, suicídio da alma
Para viver o fascínio mágico
De libertar-se da morte
E com a morte renascer para a vida


"The my heroes"


Apesar de não gostar da americanização do nosso bom e rico português, hoje abri uma exceção intencionada. "Os meus heróis" veio de encontro ao pensamento que me fez velejar numa simples pergunta recebida ainda no primário, na E.E.P.G Dr. Joaquim Guilherme Moreira Porto (Piraju-SP). Creio que do pré ao quarto ano todos os mestres indagaram e incentivaram os alunos a pensar: "O que você quer ser quando crescer? Desenhe, escreva."

Alguns dias atrás, assistindo um programa de domingo na TV, ouvi uma pesquisa feita com crianças para saber o que elas queriam ser quando crescer e porquê. A maioria entrevistada, não me lembro a porcentagem, falou que queria ser "lixeiro" e todas por um simples motivo: "eles correm, pulam e se agarram no caminhão, brincam e são felizes". 

Ainda nesta semana, percorrendo o trajeto para a faculdade, deparei-me com a típica cena daqueles atletas que correm praticamente durante toda a sua jornada de trabalho para retirar os lixos das portas de nossas casas. Tal cena me fez lembrar da pesquisa assistida na TV e aí aquele momento de maturação do pensamento em que as ideias e viagens entre o passado e o presente começam a tomar forma na "caixola".

A habilidade desses homens é tanta que passam correndo a pé num ritmo acelerado, pegam as sacolas ou megapacotes nas lixeiras e arremessam no caminhão em movimento. Quanta habilidade! Velocista, maratonista, saltador de obstáculos em movimento, diga-se de passagem, arremessador ou atirador com o alvo também em movimento, equilibrista [...]. Na maioria das vezes, invisíveis aos nossos olhos.

Voltando para a pergunta que um dia me fora dirigida numa sala de aula "o que você quer ser quando crescer?", pude resgatar com afinco quais eram minhas respostas preferidas. Não sei se o porquê da escolha das profissões na ocasião seria o mesmo de hoje, mas vou arriscar. Lembro de três opções que tinha como resposta: bombeiro, professor e lixeiro. Cada uma com sua particularidade: o bombeiro porque salva vidas; o professor porque os meus eram ótimos, inteligentes, cativantes e sabiam como ninguém a arte de ensinar, e ensinar com amor; e o lixeiro, simplesmente pela alegria com que passavam correndo na rua da casa dos meus avós. Toda vez que escutava o caminhão do lixo se aproximando, corria até o portão para que aqueles artistas pudessem então fazer uma graça. Lembro do rosto de alguns e que minha avó sempre servia-lhes um cafezinho.

Claro que o tempo passou e os caminhos escolhidos não me levaram a nenhuma dessas três profissões. Porém, sei que fizeram parte do alicerce dos meus sonhos, da formação do meu pensamento e, principalmente, da minha infância. Carrego comigo um respeito mais que especial por estes profissionais e valorizo muito o que eles representam na sociedade e na vida de cada cidadão. 

Esses são "Os meus Heróis":





A escrita e os ingredientes


E foi pelo amor, o excesso e a falta, o presente e o ausente, que minhas fontes poeticamente sonhadoras sempre foram férteis. Os extremos e os opostos num mesmo lugar; o amor dos avós e o não saber amar dos pais. De um lado o carinho, o zelo, o paternalismo e do outro apenas o protocolo do cumprimento da obrigação, sem saber como então fazer direito.

O cultivo à imaginação, à fantasia, ao surreal, estiveram enraizados desde a infância. Sonhos impossíveis, amores proibidos, realidades improváveis, foram mais que ingredientes neste caldeirão de ideias, foram substantivos vivos.

Desde muito cedo (ainda consigo fazer esse caminho de regresso ao passado longínquo e contemplar pelos olhares de criança) tive no sonho o amor como centro, foco e meta de felicidade. Era bonito de se ver aqueles filmes românticos com finais felizes. Era mágico! Sempre fui um apaixonado pelo romance.

De todos os ambientes que contribuíram para minha formação, a escola e alguns professores sem dúvida foram fatores extremamente essenciais, principalmente no colegial onde o interesse pela literatura, por meio de grandes clássicos como "A Moreninha", "Inocência" e "Amor de Perdição", foram apenas a porta de entrada para o fantástico mundo literário, e posteriormente, a paixão pela escrita, a minha arte na arte.

Meus primeiros escritos foram entre 1992 e 93, e ocorreram de forma bem espaçada até o ano de 99. Uma grande pausa se deu até 2009 quando, retornando para Uberlândia para fixar morada reencontrei-me com esta paixão.


Hoje sei que, dentre todos os ingredientes, sem dúvidas, o amor superou tudo em todas as instâncias e "complicâncias" e nuances e distâncias e "frescâncias"; foi verbo, o adjetivo, o substantivo e todos os complementos possíveis quando não o protagonista sofrido, dolorido, algoz, feroz, veloz; foi o herói e o vilão de todas as partidas, despedidas, encontros, desencontros e infinitudes poéticas [...].

E a escrita foi o caminho mais sereno e sensível para se enveredar nas veias onde corre o vermelho desse amor com essência de sangue latino. Foi também travessia segura para todos os devaneios explorados e aterrissados em cada linha, em cada verso. Viva o amor, viva a escrita, viva toda a arte e viva a quem se deleita por este mundo das poesias vivas!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Uma voz no deserto


Semana retrasada, minutos antes de sair para o almoço o som da campainha do interfone não apenas anuncia mas denuncia, tamanho é seu estrondo gritante: alguém do lado de fora espera para ser atendido, ou talvez, ouvido.

A voz de um senhor em busca de um trabalho como cortar grama, realizar podas nas árvores, cuidar de algum canteiro ou jardim, qualquer coisa que pudesse render-lhe cinco reais. Esse era o valor da pedida que, depois fui entender, seria para o almoço do dia.

Ainda pelo interfone ele justificou que estava muito difícil conseguir trabalho e faria qualquer coisa necessária para garantir o almoço. Foi fácil identificar que não era uma pessoa em busca de um trocado a qualquer preço para depois gastar em drogas. Roupas simples, chinelo, boné, mãos calejadas, traços típicos de um trabalhador braçal, sua expressão misturava tristeza e esperança. Seu sorriso desproporcional era sincero. Pude ver e sentir em seus olhos que a sua fé era tão viva quanto a esperança de encontrar ouvidos para sua história e mãos que se estendessem-lhe neste momento.

Contou-me sobre sua esposa que estaria em outra cidade fazendo tratamento de câncer. "A doença está bem avançada e eu entreguei nas mãos de Deus." Ele aguarda o desfecho de sua aposentadoria que um advogado está cuidando para retornar junto dela. Nesse período está estabelecido numa pensão. Sem muitas opções sobrevive do esforço de seus braços, suor digno de um homem humilde.

Sem muitas delongas dei-lhe um pouco mais do que havia pedido. A alegria em seus olhos marejaram os meus. "Mas, tudo isso pra mim?" Sim, respondi-lhe. Acreditei na sua sinceridade. Para a forma de seu agradecimento [...] não tenho palavras.

As linhas aqui estão bem longe de descrever o sentimento vivenciado ao escutar este senhor contando sua história. Foi apenas mais uma voz ressoada na imensidão desse mundo que por vezes se faz de deserto e nada escutam os atarefados transeuntes penados.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pactus


Pactos e controvérsias...
Tens aqui um pacto que ultrapassa as regras
No anonimato, na sombra dos transeuntes,
Encontramos e repousamos nossos devaneios
Peripécias sem limites, sem fim
Trágico mundo enclausurado
Onde a sede se sacia bem longe de sua fonte
Não há gritos, nem gemidos, nem ostentações
Apenas a canção no improviso cantada
E no recanto improvável, exalada
Sem perigo, sem escala, sem plateia
O sabor degustado, nem do mal, nem pecado
Não há planos nem ideias
É horizonte abrigo de um tiro bandido
Onde descansa a alma
Sem lençol e sem cama
O que se ouve é o som
Dos intensos e frenéticos corações
Que se ajustam na batida combalida
Do vermelho vivo que percorre a vida, o sangue
E antes mesmo que meus olhos estanquem
Que se libertem a voar
Sem controvérsias no ar
Pois o amor foi feito para amar...


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Côncavo e Convexo


Quero,
Talvez, sem querer, 
O que me resta, 
Tão querido se foi
Tão querida me trouxe


Quero o encontro e o reencontro
Também quero o desencontro
O esconderijo e a torre
A entrada e a saída
O caminho e o ninho
A caminhada e a chegada

Quero a porta e a porteira
Quero a medida desmedida
A verdade oculta, inculta, quiçá mentida
Quero a flor, que venha o espinho
Quero o cachorro, o gato, por que não o rato?
Quero o sossego, mas também o barulho
Quero a luz e o escuro
O fogo e a água
A terra e o céu

Eu quero, simplesmente...
O repouso após a agitação
O descanso após o trabalho
Quero ver meus artistas
Suas pinturas, suas canções, suas obras
Quero a fonte, o silêncio
O cheiro do mato pelo orvalho molhado
Quero ser, sem querer nem ser
O mocinho e o bandido

O côncavo e o convexo

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Caridade X Dignidade


O filho do patrão então correu para junto de seu pai e cochichou apontando para uma certa pessoa que estava próxima de seu estabelecimento. O dono fez sinal de positivo com a cabeça e o filho foi para os fundos voltando em seguida com uma vasilha contendo alimentos. Colocou dentro de uma sacola, foi para a porta principal e esperou que aquele senhor aproximasse. Ao entregar a sacola contendo a vasilha com a refeição o senhor agradeceu dizendo: "Deus abençoe!" Tomou o embrulho e guardou-o numa mochila. Cabisbaixo seguiu sua caminhada.

Duas razões distintas que se cruzam neste fato que durou menos de dez minutos. A caridade que o menino, o filho do dono já está pronto para fazer e a dignidade do homem em busca de um alimento. Desde cedo nota-se que o pai ensina o filho que é necessário dar alimentos aos necessitados. Desde muito tempo este senhor perambula pelas ruas em busca de um prato de comida para resgatar suas forças,seu vigor e a dignidade. 

O lugar para comer o alimento é o que menos importa para este senhor, uma vez que onde ele conseguiu a sua refeição deste dia é um ambiente propício para se adentrar e fazer o ritual ao redor da mesa como toda e qualquer pessoa digna. Porém, ciente de seu papel, simplesmente baixou a cabeça e o único ritual que pode ali fazer foi o do agradecimento em nome de Deus. A vasilha que lhe foi entregue dentro de uma sacola já apontava quais seriam os passos seguintes que ele teria de dar após a "caridade recebida", pois se fosse um "convidado" sua refeição seria do lado de dentro.

Há quem viva pela caridade. Há quem necessite fazer uma caridade para apaziguar sua consciência, contrabalancear suas hipocrisias. Há quem faça a caridade, como este garoto, ciente de que sua tarefa enquanto pessoa estava cumprida naquele dia. E estava, pois, por mais que fosse algo ensinado por seu pai, naquele momento a voluntariedade partiu do filho. 

Quanto aquele senhor de muitas histórias de rua mas sem ter pra quem contar e nenhum interessado para ouvir, estará satisfeito por mais um dia ou até que a fome o assombre e a necessidade de passar naquele mesmo endereço, quando o cheiro da comida exalar pelas portas e janelas do estabelecimento, na expectativa de que aquele bom coração e os olhos bondosos do menino o encontrem do outro lado da rua, e ambos, na sincronia do olhar estabeleçam por mais um momento o elo da "caridade e da dignidade" (...).


  
"Isso tudo acontecendo e eu ali na praça dando milho aos pombos." (Zé Geraldo)

Filosofarias da madrugada


"As pessoas teimam em buscar culpados para seus passos mal dados. As pedras no caminho?! É mais fácil dizer que elas atrapalham do que tomar a iniciativa de retirá-las ou simplesmente contorná-las! Quando o tropeço machuca a culpa é de qualquer um menos de si mesmo que olhou demais pros outros e esqueceu de olhar o por onde pisa."


"Incrível mesmo é como as frases feitas viram oração na boca de quem nunca quer perder a razão e o orgulho. E por falar em frases prontas e de impacto porquê não embelezar esta desforra com uma boa (?): 'quanto mais eu conheço as pessoas mais eu gosto e cuido dos meus cachorros!'"

"Realmente, tem pessoas que nos cansam sem medida pelo excesso de oposição que tentam exercer em nossas vidas. Não há atitude ou esforço que impactem os olhos de quem só vive e sobrevive no salto do orgulho. Simplesmente cansado! Chega de tentar mostrar o valor que tu dás a quem só enxerga o próprio umbigo."

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