sábado, 21 de dezembro de 2013

Deixa-me


Deixa-me
seguir, incerto aos externos
inquieto, talvez esperto,
que meus passos caminhantes
sempre avante me levando
por vezes parando, tropeçando
caindo, levantando, retrocedendo
cambaleando, firmando, recomeçando...

Deixa-me
olhos turvos pelo tempo
firmes cores desbotadas
fotografias em preto e branco
papel manchado pelo pranto
marcas do passado
histórias relembradas, recontadas
na imensidão do céu azul
cortina de estrelas que eternizam sentimento

Deixa-me
sentir o que não se explica
amar o improvável
viver o impossível
que o coração almeja
e não requer destreza
simples, invisível, sensível,
no compasso do seu tempo
pulsa, repulsa, expulsa
mas bate, rebate, cambaleia e não se abate

Deixa-me
seguir o caminhar
e que, se preciso, seja no mar
a velejar outros mundos
de questões tão profundas
que eu possa me entregar
ofertar, correr ou ficar
fazer o que o sentido e o risco me levar
seja aqui, lá ou acolá
não me impeça de lutar
nem de viver, nem de chorar
quero apenas, então olhar
deixa-me...