No percurso natural ou rotineiro da vida, no ritmo desenfreado que seguimos nossos rumos, alguns fatos ou incidentes nos fazem parar e refletir, principalmente quando o inesperado é uma contraposição de tudo aquilo que acreditamos ser o leito natural das coisas.
Das utopias, das canções, das cenas protagonizadas de morte, nada cala e crava mais profundo do que quando ela retira de cena pessoas que, ao nosso ver, teriam muito a contribuir, a sorrir, a dividir... muito a viver.
Nesse contraposto que é a morte, a qual São Francisco de Assis chamava de irmã, vivemos sob sua mira, de que um dia, um dia bem longínquo nos renderemos e nos deitaremos em seus braços para a última travessia. É o que esperamos que aconteça, por mais que ela ainda nos seja assustadora, perturbadora e inexplicável, que esse último ato, essa última cena demore muito para chegar, o suficiente para permitir que nossos olhos assistam a muitos espetáculos dessa poesia viva.

Ressurge assim, nesses momentos em que somos forçados a deixar a rotina de lado para chorar a partida antecipada de alguns, a interrogação: "De que vale toda essa correria? Pra que perder tanto tempo com futilidades? Por que não se permitir viver o que há de melhor nessa vida, família, amigos, amores...? Por que não tivemos tempo de um último abraço, um último olhar, uma despedida digna...? Por que não paramos e refletimos 'antes' o valor de nossa amizade? Por quê?...
Fazemos desse tempo de dor um tempo de forte introspecção, totalmente solitária. Amargamos como uma derrota, derrota para nós mesmos, pois só dependia unicamente de nós, no mínimo, viver um tempo da vida ao lado de quem já partira... Agarramos em pensamentos, a Deus, aos que ficaram, em dúvidas, na esperança de uma resposta que esse mesmo tempo se encarregará de amenizar e cicatrizar...

No palco da vida a morte até pode ser irmã mas também é vilã. Viver é preciso, sempre... Lembrar do que perdemos faz parte. Chorar o que poderíamos ter feito antes do ato final são lágrimas que poderíamos ter evitado dedicando um pouquinho do tempo a cultivar a semente que um dia plantamos ou que plantaram em nosso coração... Melhor uma flor entregue em mãos do que por sobre o caixão...
Obs.: Vale a pena escutar a música no link abaixo
http://www.youtube.com/watch?v=RKsC3MMlqtE