terça-feira, 2 de abril de 2013

Proibido realizar milagres em dia de sábado!



A regra dos homens X O amor de Deus.

Imaginem que só fosse considerado cristão aquele que soubesse e também respeitasse as regras estabelecidas por sua igreja, por sua religião. No meu caso, como Cristão Católico, existe o CIC - Catecismo da Igreja Católica - com quase 3.000 páginas para nortear, levando em conta a necessidade do respeito à comunidade, à localidade, à realidade e à cultura. Não deve nem pode ser um mecanismo engessado. Isso acabaria por sentenciar a diversidade a uma massa falida e não pensante, ou seja, totalmente alienada.

Jesus, ultrapassou as regras para o bem comum. Ponto. Soltou o chicote no Templo quando os ambulantes faziam daquele lugar sagrado uma verdadeira feira livre. Os doutores da Lei é que deveriam cuidar desse detalhe mas não! Quem revirou as bancas, esbravejou, gritou foi o simples Nazareno, filho do carpinteiro José. 

Ao se criar um extenso livro com itens e sub-itens, creio eu, a intenção seria muito mais para que a Igreja como um todo pudesse caminhar com proximidade. Mas, o que ocorre é que estudiosos e entendidos usam as regras da igreja para classificar quem é digno e está de acordo com a doutrina e quem é herege por descumpri-las. 

A regra de Deus: o Amor! Pronto. Ponto. Seguindo as pegadas do Nazareno, que foi considerado um blasfemador, um herege, um possuído por espíritos malignos, entendemos que tudo se resume no amor ao Pai, o Deus criador, e ao próximo, imagem e semelhança do Pai. 

"A Lei de Moisés manda que apedrejemos essa mulher pega em adultério e tu, o que dizes?" Perguntaram os homens da lei ao revolucionário Jesus. "Quem não tem pecado que atire a primeira pedra!" Respondeu o Nazareno. O desfecho dessa história todos sabem. Dos mais velhos aos mais novos, cada um foi soltando sua pedra e retirando-se do local. Ficaram apenas Ele, o libertador, e a adúltera sentenciada. A lição foi o amor. O amor acima da regra. O amor acima da lei. Na verdade pode ter sido uma conspiração armada pelos doutores para pegar Jesus e o contradizê-Lo na frente do povo. O amor venceu! 

"Este homem desobedece a Lei de Moisés, pois curou um homem em dia de sábado!" E mais uma vez, os importunados e orgulhosos escalonados da Lei, mestres e fariseus, destilavam sua ira e conspiravam numa trama que teria seu desfecho na prisão, condenação e morte de Cruz ao "classificado" agitador que para nós é o Filho do Amor. Amor e perdão. O Filho de Deus, Jesus. 

Jesus em sua essência, viveu a regra do amor-obediência ao Pai e amor-perdão ao próximo, os irmãos. Se Jesus chegasse agora e agitasse nosso meio revirando bancas, questionando regras impostas que mais servem para classificar e excluir que à instigar uma caminhada coesa em unidade e respeito para com a diversidade, com certeza seria novamente crucificado e em praça pública. A condenação seria inevitável! 

Os mestres da lei vivem por conta da classificação. A sentenciação acontece nas bancas de cada Templo. A condenação é destilada pelos lábios dos que se põem a serviço. Do encontro com os olhares, entre sentenciadores e sentenciados, as cusparadas, pedradas e zombarias continuam até o calvário. As vozes cessam quando a morte parece vitoriosa. Excluídos pelas regras e pelos olhares, as pessoas deixam de caminhar rumo à Comunhão com o Cristo, que já percorrera e pagara o preço por todos nós. 

O Amor de Deus sempre vence! Cristo venceu a morte! Jesus é o Filho de Deus! Deus é amor! Jesus é o amor! No caminho que os pés percorrem até o encontro maior com o Cristo, o crucificado, morto e ressuscitado, cabe a cada um a entrega e o comprometimento de querer, no raiar de cada manhã, ser alguém melhor do que fora outrora. Como imperfeitos pecadores, os erros, as falhas, tudo acontecerá e por vezes poderemos tropeçar na mesma pedra. Vale-nos a conversão diária que nos instiga a ser e viver esse amor e a não correr o risco de morrer sem ter havido alguma mudança em si. 

Religião: justificação ou contradição? Nem uma nem outra. Ela tem que ser o caminho, as próprias pegadas do Cristo, o Jesus, o Nazareno, filho do carpinteiro, agitador, revolucionário, libertador enviado por seu Pai, o Deus do Amor para viver e morrer por esse Amor...

Enquanto as regras dos homens forem usadas para uma classificação de falsa moral que resulta na exclusão de pessoas, detona a dignidade alheia e transforma o sentenciado em pobre diabo, a Igreja estará longe de ser caminho de libertação e salvação.

"Proibido fazer milagres em dia de sábado" ainda é lei vigente em tempos atuais. Que Francisco não se curve aos homens e suas regras! Que ele solte o chicote no trono e na realeza e caminhe conosco rumo ao horizonte do Amor. Que o Templo esteja aberto e se torne fonte de Libertação! Jamais de exclusão! E, que os resquícios farisaicos, a começar dos mais velhos, joguem suas pedras e retornem aos seus lugares!


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