sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Para onde caminha a igreja católica?



Para o abismo e para o céu. Tudo é uma questão de óptica. Tudo depende de onde se fala e sobre o que se fala. Olhares diferentes sobre o mesmo ponto mostram diversidade, mas também revelam os perfis dos que estão falando de maneira consciente e com conhecimento de causa e os que repetem frases soltas e sem noção de onde estão.

A começar do topo da hierarquia, nota-se que o Papa Francisco tem não só uma visão para as causas mais urgentes da atualidade, mas também, atitudes concretas que possibilitam abertura e diálogo, inclusão e resgate à dignidade da pessoa. O mesmo não ocorre com a elite do alto escalão romano que ainda está cegamente enraizada em suas normas estáticas que não acompanharam o tempo. É visivelmente destoante a linha de pensamento entre tais. A distância é ainda maior no quesito comportamento.

Se a sede romana, de onde parte toda a estrutura organizacional e emana o poder de decisões e ações, não caminha em sintonia, quiçá nos escalões inferiores: dioceses, paróquias, comunidades, pastorais e grupos. Sem contar que, na individualidade de cada católico, existe uma diretriz que lhe foi passada, sabe-se lá de qual forma, e que está arraigada em seu ser. Essa pessoa em si também destoa de todo o contexto hierárquico que vai do local aonde participa até aos pilares da Santa Sé Romana.

O exacerbado preciosismo que algumas tendências fundamentalistas de esquerda ou de direita possuem em suas correntes e posicionamentos é um agravante para as questões da unidade interna. O liberalismo a qualquer custo e o apego às normas acima da pessoa humana se confrontam cotidianamente. Dessa batalha, novas subtendências se criam e se multiplicam. As bandeiras da paz e da unidade permanecem num local inatingível.

Se o abismo começa pelo topo hierárquico, o céu também pode estar mais centrado na base da estrutura institucional. Independente das decisões tomadas lá em Roma é a base que movimenta, sustenta e tem as ferramentas para mudar o cenário pessoal e coletivo. E a base referida, engrenagem viva e operante desse sistema religioso, é a Paróquia e suas Comunidades.

Os procedimentos adotados pelo alto da instituição Católica são digeridos e repassados até suas instâncias de base. O entendimento e aceitação do que vem de cima vai depender da liderança que repassa as informações e principalmente como as repassa. Daí, cada líder vai pintar conforme o seu gosto.

Neste disparate divergente entre polos distintos, abismo e céu, a comunidade católica caminha ciente de um comandante de mãos fortes que se empenha para uma igreja coerente com os ensinamentos de Jesus, comprometida com as causas imediatas e de suma importância como a fome, meio ambiente, vida, família, e noutras vezes cega, surda e muda quando as correntes oposicionistas, por vezes sensacionalistas, insurgem com os velhos discursos farisaicos e fadados de hipocrisia simplesmente porque existe uma lei que "proíbe colher milhos com as mãos em dia de sábado para comer".

Essa não é uma guerra santa. É uma batalha moderna e virtualmente infernal mas que interfere na realidade individual e coletiva. Bem e mal se misturam e trocam de lado conforme suas convicções ou necessidades. A individualidade do ser fica à mercê dos altos e baixos dos lados da mesma moeda, a dúbia igreja de olhares múltiplos com suas nuances para a estética, maquiagem, glamour e status e, em menor proporção e em segundo plano e voz, com outras para a vida, a paz e o bem.

Independente por qual caminho ela vai, simplesmente, ela se vai.

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