terça-feira, 5 de maio de 2015

Vida virtual, morte real


O "já é hoje" se repete a todo momento de cada dia. É um tempo em que o tempo perpassa, descruza e enlaça a desmedida da vida, por vezes tão pouco vivida, que sem saber caminha insegura, infeliz, no sentido da morte que um dia certeiramente chegará. Viver é um dilema que requer a ingênua descompreensão das coisas. A recíproca deste viver que aflorada está em cada ser é que é o problema. 


Os devaneios, cada vez mais loucos e ousados, além dos olhares de custódia da ordem dos politicamente sensatos, são caminhos não só de libertação mas de busca de sentido real. Sentido este que tem se confrontado com a virtualização das relações.

Estamos reféns da tecnologia. Já não sobrevivemos sem esse aparato. As relações se perfazem em meio a comunicações digitais. Não há limites para o alcance dessa era tecnológica. O próprio facebook, vitrine para as novelas diárias da vida alheia, perdeu um pouco para o famoso whatsapp, a mais nova menina dos olhos da população de todas as classes. 

Sem muito mais explicações, nem tentativa de fazê-las, o que se percebe é um empobrecimento das relações nessa era de exagerada virtualização. Comunicar-se se faz por cliques. Pesquisas, estudos, reuniões, tudo está centralizado nesta dimensão virtual. Bibliotecas, já obsoletas para muitos e desconhecidas por grande parte das novas gerações, tendem a se transformar em museus.

Os comportamentos digitais, antes individualizados, tornaram-se coletivos e públicos. O tato, o olfato, a visão, o contato como um todo perdeu espaço para as mais novas figuras de comunicação disponíveis em cada nova invenção tecnológica. Essa necessidade de sintonia digital já impregnou no seio social. Poucos insurgentes, ou sobreviventes, de uma era mais real e palpável estão sentenciados a solidão ou então que se rendam à modernidade das comunicações em seus vários estilos.

Causa e efeito. Se, os efeitos desse excesso de tecnologia ou virtualização de tudo estão esfriando as formas de relação em sua essência, por outro lado, o caminho da desvirtualização tem causado o contrário: síndrome da abstinência. Abstinência virtual! 

Vida cíclica. Se, o fim de tudo é voltar ao começo, pois o novo está em redescobrir o que deixou de se viver, aprender e conhecer, então que seja logo. Este emaranhado de fios, arranha-céus, estão nos fazendo tropeçar nos obstáculos tridimensionais já não mais invisíveis. As pessoas, amorfas, de tão conectadas em seus aparelhos modernos caminham feito zumbis para não perderem a conexão com o mundo. Para estes só falta conhecer a vida e vivê-la pelo menos um pouquinho antes que o tempo desvirtualize-se de sua vida. Há um grande grande risco para muitos dessa nova geração que o primeiro contato com uma flor seja apenas no dia de seu velório. Assim caminha a humanidade.

Já é hoje... mais uma vez, é hoje!
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