sábado, 10 de agosto de 2013

Lembranças da TdL de minha infância




Foi mais ou menos entre os 10 e 12 anos de idade que ouvi a primeira vez o nome "Teologia da Libertação" e foi através da minha avó, membro do Apostolado da Oração, da Legião de Maria, frequentadora assídua de todas as Missas, novenas, participante fiel de todos os eventos e trabalhos da comunidade e claro, não perdia os grupos de oração que ainda naquela época, 25 anos atrás, não havia tanto exagero, tanta deturpação e tantos escândalos.

Ganhei meu primeiro violão dela e do meu avô e aos 14 anos tocava nas missas e nos grupos de oração, cumprindo assim a realização do sonho deles. Afinal, tocar violão era algo que amava (amo) fazer. E já como membro de um grupo de adolescentes, minha avó me disse assim: "Estão dizendo que aquele coordenador faz parte da 'nova era', pois ele pratica Teologia da Libertação!"

De primeira eu fiquei com receio do coordenador, do grupo e não fazia ideia do que era tudo aquilo. Alguns anos mais tarde pesquisei sobre a simbologia da tal nova era, coisas que os carismáticos amam falar com muita convicção. Muitos amigos de grupo penderam para a RCC. Soube mais tarde que a decepção dos que mergulharam de cabeça na onda do "aleluiamém" foi demasiadamente grande.

Então, essa informação que minha avó me repassou, e com certeza ouviu de alguém (um coordenador de grupo de oração talvez) mais desavisado ainda, chegou de uma maneira assustadora. Toda vez que ouvia falar de TdL eu lembrava de nova era, coisa ruim, e por aí afora. Há mais ou menos 15 anos atrás foi que essa imagem de que TdL era coisa contra a igreja e portanto contra Deus, começou a mudar até cair por terra. E com encontros, como o Curso de Inverno em Araçatuba - jul/2000, pesquisas e leituras que pude compreender melhor a verdadeira dimensão da TdL.

Não culpo minha avó de forma alguma. Sua sabedoria humilde não lhe permitia ir tão além para entender com maior clareza sobre o que era realmente certo ou errado, exagero ou deturpação. Essas informações vieram de cima, bem de cima e foram sendo passada como "arma química de massificação" até chegarem às bases das comunidades locais onde a disseminação se multiplicava como células cancerígenas.

Vejo muito mais conhecidos frustrados na RCC e raríssimos que permaneceram. Penso que se antes eles já tentavam manipular a mente das pessoas desde sua formação na pré-adolescência, imaginem hoje como está esse tipo de envenenamento!?

Essa lembrança de minha avó falando sobre a TdL veio forte. Pena que ela já não está mais aqui para que eu pudesse, dentro das possibilidades, explicar-lhe com mais detalhes e amor...

Tentei por vezes interagir com pessoas carismáticas e sempre busquei o diálogo. Há os que respeitam a sua opinião mesmo divergindo e consegue manter o respeito na conversa. Mas, em sua maioria os direitistas são totalmente radicais, verdadeiras pessoas-bomba, ou como dizem por aí: "CATOLIBÃS"!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma carta. Destino: Céu!


Oie. Quanto tempo, né?! Como já sabe estou morando em Uberlândia. Cansei daquela vida louca de São Paulo, sem contar as viagens quinzenais nessa rota São Paulo-Uberlândia, Uberlândia-São Paulo. Teve uma vez que bandidos armados fizeram o motorista parar o ônibus, entraram e fizeram um "limpa". Foi tenso mas Graças a Deus ninguém ficou ferido. Tive uma oportunidade de emprego em Uberlândia. Agarrei-a  e vim. Não aguentava mesmo era ter de deixar o Felipe pra trás... Cada despedida era uma tortura. Minha vida paulistana era vazia por conta dessa distância entre eu e ele. Na verdade, eu sobrevivia como podia. Disfarçando as lágrimas.

O Felipe tá com 9 anos. Cresceu e está muito esperto. Aliás, inteligente e de raciocínio rápido. Tem resposta pra tudo. Questiona tudo também. Quanto a educação são só elogios. Ah, ele participa de um grupinho de canto para crianças até 10 anos na Comunidade Imaculada Conceição e sou eu quem ensaia essa criançada. É muito bom e você iria amar. 

Durante muito tempo me afastei da igreja. Diante de tantas perdas e algumas escolhas mal feitas, fiquei uns 5 anos. Ainda em SP, meu retorno se deu numa igreja chamada Nossa Senhora de Aparecida, em São Caetano do Sul. Logo que mudei-me para cá, voltei a participar com afinco da Igreja e dos trabalhos em comunidade. Faço parte do grupo de canto e palpito no que posso. Toco violão nas Missas de quinta e aos domingos. Estou me organizando para ser catequista e também a continuar meus estudos.

O Murilo e a Monique estão enormes. Hoje nem posso mais fazer "cuecão" nele! (rs). Menino de ouro. Creio que logo ele se casa com a Day. A Ni, é uma belezinha. Educada, esforçada, um presente de Deus na minha vida. A distância mais uma vez atrapalha nossa convivência mas o amor que tenho por eles não tem preço. A Carla já casou. Apesar da distância, sempre tenho notícias através da Cinthia e da mãe.

Ah, a Cinthia também casou e agora tem a Lara. Se você tivesse aqui ia ficar doidinha com essa menina. Ela é incansável, geniosa, falante, arteira, inteligentíssima e cheia de fazer caras e bocas. Personalidade forte??? "Magina"!!! Bota forte e tempero nisso pra poder chegar perto! Mais uma dádiva em nossas vidas. Ah, seus filhos estão todos bem. Cada um no seu ritmo, cada um em sua toada. 

Por diversas vezes quando estou cansado e penso em não ir à Missa, lembro de sua voz me chamando nas manhãs de domingo. Para não te chatear eu sempre levantava, mesmo que sonolento e ia. Sua voz continua ressoando no meu coração... 

E assim vamos levando a vida. Entre fardos que fazemos questão de torná-los pesados, outros que somos obrigados a carregar, outros que nos são impostos, e outros ainda que abraçamos com amor, vamos tocando em frente. Hoje prefiro mais viver meu mundo, minha vida com meus objetivos e ideais. Cada um escolheu o seu caminho. Eu estou feliz aonde estou. 

Sabe, durante muito tempo me arrependi muito por ter ido embora pra SP. Era uma dor que não me permitia me perdoar. Mas, a vida foi generosa e Deus me mostrou que as escolhas têm suas consequências. Algumas que deixam cicatrizes e outras que florescem com o amanhecer nos dando esperança e fé. Não há mais o que se arrepender. Talvez eu não tenha conseguido fazer muitas coisas por você, mas nosso amor e afinidade eram inquestionáveis. E... sendo amor, o perdão é inevitável. 

Carrego o seu "terço" sempre perto. É mais que uma relíquia, é mais que uma recordação, é o sinal da fé que você me ensinou a ter com tanta simplicidade e praticamente sem estudo. Essa escola, a qual você foi educadora, professora, diretora, mãe, avó, amiga, eu me sinto o aluno número 1. 

Imagino vocês nesse momento, juntos e de braços dados passeando por uma paisagem linda, repleta de flores, plantas, árvores e muitos pássaros. Imagino que estejam conversando sobre nossas vidas aqui embaixo. Imagino que continuam a rezar, a orar a Deus intercedendo por nós... Joaquim e Iolanda... Que saudade de vocês! Vó, parabéns pelo seu dia!

Obrigado pelos seus conselhos, pelo seu exemplo de pessoa e de fé. Eu agradeço a Deus por ter tido você como uma grande educadora em minha vida. Sou um homem feliz e ciente do meu papel neste mundo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Humanos desalmados



O sentido da vida está bem longe de se ter um verdadeiro sentido para certos homens e mulheres. A busca por melhoras materiais e crescimento financeiro tornou-se uma verdadeira caça onde os fatos ao redor, as paisagens positivas ou negativas, não têm a menor importância ao valente perseguidor. Quiçá os outros homens e mulheres que aparecem por seu caminho.

Creio cada vez mais que quanto mais procuro compreender a razão maior da existência dos seres nesse mundo, para que a vida também possa ter uma explicação e um sentido além do palpável, mais me deparo com animais bípedes que no auge de sua ignorante inteligência é incapaz de sentir, respeitar, amar o que está ao seu redor, e muito menos praticar o que muitos hipócritas chamam de caridade.

Deparo-me constantemente com pseudo-cristãos que esquentam o banco das igrejas para "assistir" as missas dominicais e assim dizer que é católico praticante; outros (católicos e também evangélicos) que decoram as normas e regras da instituição, vivem com joelhos calejados e as mãos para o alto, sentenciam, determinam quem é digno de Deus ou não, excluem e, pior, esquecem de apenas praticar a ação do verbo contido nos dois maiores mandamentos, amar. Deparo-me com essa raça desalmada, seres racionalmente hipócritas, vergonha desumana, peso amorfo e inerte neste chão, acomodados que não movem uma palha diante de qualquer situação...

Diante disso a indignação toma conta frente a tanto egoísmo e a uma guerra de interesses entre as pessoas de todas as classes. Canalizar essa revolta e cuidar para que eu não seja simplesmente mais um a passar em vão por este mundo é uma tarefa diária. Não posso me conter! Não posso me calar! Sem utopia, sem poesia, muito menos demagogia mas gana de mudança! Terra, plantas, ar, água e todos os animais à mercê de um animal que se diz racional.

Manhã do dia 23 de julho de 2013. Uma senhora encurvava-se para verificar o que acontecia com o cachorro esticado na calçada na porta de sua casa. Os latidos eram de dor. Diminuí os passos para tentar entender aquela cena que numa distância de menos de meio quarteirão me proporcionava uma visão nítida. Voltando do meu destino passei novamente pelo local e lá já estavam dois senhores ao redor do cachorro. Sem pestanejar aproximei-me e perguntei o que acontecera com o cachorro. O bichinho agonizava de dor e frio. Possivelmente fora atropelado e passara a noite toda ali naquela calçada, no relento da fria madrugada, sem que um "coração humano" pudesse acolhê-lo por algumas horas ou lhe servir água que fosse...

Quis saber de quem era o cão mas pelo jeito não tinha dono. Mais uma pobre criatura abandonada por um diabo infeliz chamado de "pessoa". O senhor, já idoso, me disse que ligou para a Zoonoses, ou seja, seria sacrificado. Zoonoses aqui é sinônimo de extermínio, nada mais. Procedimento normal nessas áreas. Com o coração apertado fui para o trabalho.

Não contente, voltei para o local meia hora depois e vi que o cachorro já não estava mais lá. Acreditei que a Zoonose, antes chamada de "carrocinha", já havia passado. O cãozinho estava debaixo de uma árvore, cercado de papelão, e coberto num grosso carpete que um rapaz simples, dono de uma empresa humilde, providenciou.


Falei com o rapaz e por fim colocamos o cachorro dentro do seu estabelecimento. Comprei dipirona e demos para que pelo menos a dor melhorasse. Preparei soro e ensinei a ele como colocar na boca do animal. Percebi que ele não sabia como lidar com animais e talvez por isso, em seu íntimo, o simples fato de arrumar o papelão e o carpete já era algo suficiente. Pelo menos, esse gesto foi real e sincero. Ainda existem humanos com alma e que honram o sangue que corre em suas veias. Como diria Renato Russo, "Nem tudo está perdido!"

No meu horário de almoço fui novamente ver como estava o nosso mais novo mascote e amiguinho. Já tinha nome: "Dezoito"! Esse nome foi escolhido por conta da sorte que trouxera, segundo o rapaz. Dei mais soro e outras gotas de dipirona. No final da tarde após sair do trabalho, mais uma visitinha ao nosso paciente canino. Havíamos providenciado uma caminha de espumas e alguns mantos para que ele pudesse passar a noite aquecido. A temperatura caia rapidamente.

Manhã do dia 24 de julho de 2013. Trouxera ração e um antibiótico para animais de pequeno porte, que os meus cachorros já haviam usado, mas... infelizmente foi tarde... O Dezoito não sobreviveu. Talvez, se algum ser de alma nobre tivesse tomado alguma atitude na noite anterior, o resultado fosse diferente. Percebi que o rapaz que o acolheu sentiu muito, tanto quanto eu. Já tínhamos planos para encontrar um dono para o Dezoito. Pena...

As pessoas gastam seu tempo para construir impérios e conquistar fortunas. Esquecem-se da essência de toda a vida existente e gerada nesse universo que nos circunda. Desvalorizam o que está ao nosso redor, alguns por ignorância, outros pela falta de caráter e pela cega ganância do poder. Ambos assemelham-se no comodismo frente aos contextos não naturais. Quanto mais no topo da pirâmide capitalista mais pacato e frio com a desgraça alheia o tal ser se torna.

Esperar que um "pessoa" volte seus olhos de compaixão e caridade para um animal é viver à espera de um milagre, ainda mais levando em conta que esse vulgo olhar não se volta nem mesmo aos de sua espécie...

Que nosso corpo deixe de ser simplesmente uma máscara. Que consigamos transpor as barreiras frias dessa casca que nos aprisiona. Que o nosso coração possa ditar os compassos certos para a vida. Que nossa essência, nossa alma, aquilo que realmente somos possa brotar, florescer e multiplicar. Que façamos a vida valer a pena!

domingo, 21 de julho de 2013

A vida por um fio



Uma sirene toca constantemente quebrando a rotina e o falatório dos presentes. No corredor a agitação por parte das pessoas de branco toma conta do ambiente. Homens e mulheres surgindo de diversos lugares em direção ao som que cessa após a chegada de alguém que com certeza seria o responsável pelas providências a serem tomadas em caráter de urgência nos próximos milésimos de segundo. Um silêncio sepulcral perdura entre os que assistem atônitos no corredor sem nada poderem fazer. Olhares assustados, que de certa forma subentendiam que algo anormal acontecia naquela sala chamada UTI...

Numa situação ainda mais delicada, algumas pessoas em pé e descontroladamente nervosas, aguardavam o tempo passar. Sabiam que a vida de seu ente querido estava por um fio. Eram familiares que se abraçavam, clamavam a Deus por um milagre. Entre orações, súplicas, clamores e choros, ainda ligavam de seus celulares para outros parentes e os colocavam a par da situação. Não havia como não esquecer o que eu estava fazendo ali naquele momento e não solidarizar-me com aquele sofrimento alheio. Outros que aguardavam naquele corredor central pensavam a mesma coisa, mesmo não tendo expressado com palavras.

Aguardando o atendimento médico no Pronto Socorro, só não levantei e não voltei à rotina do dia porque realmente precisava ser medicado. Apesar de ser uma intoxicação alimentar, isso custou noites de sono, inaptidão física, dores de cabeça, no estômago e no corpo, perda de alguns quilinhos, falta de rendimento e uma necessidade extrema de repouso. Um verdadeiro estrago em nada mais nada menos que sete dias corridos.

O entra e sai daquela sala continuava. A velocidade com que as pessoas de branco corriam pelos corredores e voltavam com equipamentos causava admiração. Uma equipe em prol da vida. Vida desconhecida para mim e para todos os que aguardavam como eu o seu atendimento médico mas que de certa forma já estava em nossos pensamentos e fazia parte das nossas orações. Queríamos ser testemunhas desse milagre da ciência: a reversão da parada cardíaca. 

Milagre da Ciência... Divino e Ciência. Deus e Ciência, objeto de muitos estudos e especulações. Confesso que nesses limiares de vida e de morte, mesmo os mais céticos se curvam a Deus por um milagre. Fazem promessas e votos. As conversões ficam em check. Os vícios têm seu fim decretado. Mas enfim, Deus é o único nome citado, falado, gritado, clamado com ênfase durante todo o tempo.

Por uma fresta os familiares tentavam ver e entender o que acontecia na UTI. A cada um que saia e chegava um forte apelo era feito: "por favor, pelo amor de Deus, salva ela." Em determinado momento o médico que presidia os procedimentos naquela sala saiu e foi ter com os que aguardavam notícias. Nesse instante todo o corredor aguardava unido em esperança e fé um resultado positivo em prol da vida. De um ponto distante quase não se ouvia a conversa mas se entendia por gestos e sussurros que eles fariam qualquer coisa para que a pessoa querida continuasse a viver... 

O médico retorna para a sala e a porta se fecha rapidamente. Passado alguns instantes um enfermeiro sai a passos largos e rápidos. Um parente que parecia ser o filho do paciente pergunta: "doutor, como ela tá?" Com sinal de positivo, mantendo sua velocidade e sem olhar para trás ele responde: "foi revertido!" Olhando para cima, como se naquele momento enxergasse os próprios olhos de Deus, em tom de desabafo, alegria e fé, aquele que seria o filho exclama: "Graaaaaaaças a Deussss...!!!"

O suspiro de alegria e esperança, refletido com fé e gratidão não foi só dele. Todos os que aguardavam por sua vez naquele corredor, independente de suas particularidades e seu estado de saúde, nesse momento, em tom de compadecimento, solidariedade e fraternidade também sentiram o alívio daquela reversão. A vida por um fio já estava longe das fronteiras da morte. 

São momentos como esse que me fazem refletir mais e mais sobre a importância de se viver bem e com dignidade, de fazer valer a pena, de ser solidário sempre, de expressar o verdadeiro e fraterno amor, o amor que não oprime mas liberta. São momentos como esse em que a vida percorre uma linha tênue entre continuar e parar que me fazem agradecer pelo que tenho, lutar junto e unido com os que nada tem, de ser e fazer a diferença num mundo ditado por uma ordem alienada, excludente e manipuladora.

Ao Deus da Vida, pelas vidas, obrigado!


sexta-feira, 5 de julho de 2013

A certeza de que foi assim


Das travessias que levei no peito
Das ondas que se quebraram sobre minhas costas
Das obras que me arrancaram lágrimas
Das dores que guardei pra mim
Dos rostos que um dia cruzaram o caminho
A certeza de que foi assim...

Dos tombos sofridos, ousados, inesperados
Das surpresas acontecidas, agraciadas, ferradas
Dos verbetes sempre prontos, lição, encheção
Das mentes insanas, mundanas, profanas
Dos corações dos homens, alguns desumanos,
A certeza de que foi assim...

Das esperanças, saciadas, enterradas
Dos sonhos, distantes, imediatos
Da Fé, alicerçada, deturpada
Das lutas, labutas, batalhas
Dos rostos, maquiados, mascarados
A certeza de que foi assim...

Foi assim, nem sempre assim
Ou tudo ou nada do que foi, de novo será
Sou guardião do tempo, do meu
Sou autor das minhas escritas
Numa folha emprestada, amassada, estampada
Sou livre pássaro no céu do mundo
Sou forte pisado no chão desnudo
Sou punho cerrado em golpes invisíveis
Sou alma de poeta, coração de menino
Sou voz de profeta, sangue latino
Sou prosa e poesia, utopia, alforria, nostalgia, alegria
Sou a certeza de que fui assim, 
Serei melhor assim
Na certeza de que nem sempre será assim
E nas incertezas de cada raio de sol
Um mundo a ser desbravado no horizonte
Onde as minhas dores serão esquecidas
Quando enxergo no olhar de cada alma
As dores e alegrias de outras vivas vidas...