quarta-feira, 14 de maio de 2014

Defuntos vivos


Estranho título. Não havia outro que merecesse tal destaque nessa oportunidade.

Nos momentos que a vida proporciona temos sempre a chance de aproximar ou afastar das pessoas. Algumas vezes tanto a aproximação como o afastamento ocorrem de maneira natural. Isso é bom. Outras, acontecem de maneira intencional, o que não deixa de ser também.

Há pessoas que as temos no mais alto grau de consideração, seja pelo laço familiar, seja pela amizade, seja simplesmente pelo carinho. E, quando nos deparamos numa encruzilhada, entre continuar mantendo uma relação de um só remo ou seguir para outro lado então este é o momento de uma difícil decisão: encerrar, ou melhor, enterrar.

Concluir que sua presença, sua vida, sua história, sua pessoa não teve tanta importância, é algo que cala profundamente. Sendo assim é hora de partir, sair de cena, encerrar as cortinas dessa história de um monólogo triste. E encerrar uma história quando ambos os lados ainda respiram é ainda mais difícil.

Relações que não foram devidamente resolvidas e sanadas merecem um bom e eterno descanso. Encerrar uma história é o mesmo que colocar a tampa sobre o caixão e jogar os primeiros punhados de terra por sobre o mesmo. 

Todos nós carregamos defuntos vivos em nosso coração e isso é pior do que carregar a lembrança daquele que partiu pra eternidade. O primeiro traz a dor da decepção, o segundo deixa a da saudade.

Como tudo na vida existe um tempo certo, um momento reservado, depois de muito ter velado o "defunto vivo", eis que é chegada a hora de permitir que a memória dos que partiram na calada da vida descansem em paz e no esquecimento.

E que assim seja: "aqui jazem sem memorian."
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