segunda-feira, 21 de julho de 2014

Do outro lado da cerca


Entre uma lua e outra cá estou a desvendar o sentido de tanta pequena humanes. E é justamente aonde a vida se tece pequena, sem anseio por quem assiste de fora, que o sentido se faz real. Deus se faz real em tamanha pobreza. É uma teologia viva, uma catequese viva, uma vida bela onde não se tem beleza padronizada tal qual em nossas casas e em nosso mundo.

Eis o sentido de comunidade, onde os que não têm nada são solidários com os que nada têm. As dificuldades são superadas com a ajuda de quem apazígua o coração em atos de caridade. Pessoas de nome, renome, sem nome que em cenas isoladas fazem deste momento um atalho de consciência, que no repousar de cada lua sequer silenciam ou devolvem ao céu um olhar de inconformidade.

Supera-se, dia a dia, no raiar do sol em cada manhã, a crise, a fome, a depressão da ausência do mundo, e o sonho de um dia fazer parte desta engrenagem mundana. Há de ser, um dia, este mundo abraçar sem desigualdade... A cerca que delimita o espaço de quem é dono na verdade isola o que se resta para no resto do mundo isolado se amontoar. 

Tábuas, plásticos, lonas, verdes, terras, odores... mais simples impossível. Animais, bichos, pessoas de coração, cada qual no que lhe cabe... Ajudando, alicerçando, reconstruindo, acreditando com fé e esperança que a cada manhã o bondoso Deus se fará presente, seja pelo olhar de quem chega, seja pelas mãos de quem lhe ampara...

Do outro lado da cerca existe vida... Do outro lado da vida não há cercas...



* Fotos: Ailton Domingues de Oliveira
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Receba os conteúdos por email