domingo, 12 de maio de 2013

O que se derrama de nós



Poucos tiveram o privilégio de ter sido educado por três mães. Sim, três. Minha mãe Claudete e minhas avós Iolanda (materna) e Maria Aparecida (paterna). Jeitos diferentes, culturas não letradas, amor que se vive e recebe em dedicação. Três amores recebidos em alto grau de simplicidade e que não se transmite com palavras bonitas. No coração, a certeza de que a semente plantada, será cultivada pela eternidade pelas próximas gerações. 

Saudades imensas das mães-avós que agora estão no céu... Um dia como o de hoje era pra ter o tempo dividido entre idas e vindas na casa de uma e de outra. Um pratinho aqui, outro ali, tudo para não deixar nenhuma delas sentida. Dia de domingo cada uma já tinha o seu cardápio sempre pronto. Numa data como essa, a presença dos filhos e netos era indispensável. Ao redor da mesa a gente aguardava o resultado de seus dotes. Era um tempo que elas amavam, ao seu jeito, ver passar. A alegria pela presença dos seus se transformava em total entrega que vinha servida em sabores e temperos.

Por mais que o domingo tivesse sempre o mesmo cardápio era algo que não podíamos deixar de saborear. Domingão sem uma "lambiscada" na casa das avós não era domingo. Frango na panela, macarronada, arroz... Sabores que o paladar aguça só em pensar. Pensamentos que nos fazem mergulhar na saudade dos sabores, da mesa, dos talheres tocando nos pratos, das conversas, da casa cheia e da divina maestria da Artista que não aguardava elogios, apenas cultivava e apreciava feliz a presença de cada um...

Tanto tempo e a gente não esquece! Tempo, distância, sabores, saudades... Ah, se a gente pudesse voltar lá atrás, né?! Se a gente pudesse deixar nossos filhos aos cuidados de suas bisavós! Ah... lembranças, que no compasso do coração, alegra e faz doer... 

Mãe... e, o que eu poderia dizer além de te agradecer por tudo...!? Sua presença, sua palavra sempre convicta diante de cada situação. Determinação, vitória, superação... É isso mesmo: SU-PE-RA-ÇÃO! Você é sinônimo de fortaleza, mesmo quando suas forças parecem fugir-lhe as mãos. Presença que dispensa palavras. Basta que esteja perto. Basta teu silêncio. 

E, o mais importante, o que se derrama de nós, hoje me deixa feliz e completo. Pois, é a certeza de que é o seu sangue que corre em minhas veias. A certeza de sua continuidade, a continuidade de nossa família. O que se derrama de nós, por vezes, é a semelhança que temos nos gostos, no jeito de resolver as coisas, e na forma que nos expressamos, que nos dedicamos, que nos entregamos e que também sofremos.

Por hoje, me basta saber que te tenho comigo. Não sofro a distância que nos separa. Deixo a saudade doer e a transformo em sua voz que ressoa no pé do ouvido, indicando uma alternativa diante de cada situação. Tudo o que lhe foi transmitido por seus pais, meus avós, sem palavras, sem conversas, de alguma forma chegaram até mim... Ensinamentos de sabedoria que a escola do amor transmite no silêncio dos atos.


Mãe: amor, fortaleza, exemplo, perdão, superação, calmaria, inteligência, beleza, determinação, resposta, sabor, destreza, vitória, sabedoria... Saudade! Saudade do seu amor. Saudade de sua presença. Obrigado, por tantas vezes, ter acreditado em mim, quando eu já havia perdido as esperanças. Obrigado por toda a sua vida abdicada de si e dedicada à nós. Obrigado por sua entrega... e quem se entrega, realmente ama. E o que se derrama de nós também é amor! Mãe, amo você! Saudades...


























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