quarta-feira, 29 de maio de 2013

Foi um tempo


Foi um tempo. Foi um tempo que não havia tempo. E o tempo que corria não corria contra o que havia. E o tempo que passava não retirava da vida as gotas de cada dia. Foi um tempo em que o tempo não foi momento, foi tempo real...

Foi um tempo. Foi um tempo em que infância era coisa de gente grande realizada na cabeça de criança. E o tempo que se custava deixar os ponteiros darem voltas era vilão, inimigo da espera. E o tempo que então se passava era lembrança nata, era saudade recente de quem nunca fora ausente. Foi um tempo em que o tempo não deixava marcas, nem dor, foi tempo real...

Foi um tempo. Foi um tempo em que o futuro incerto era o rumo certo a ser seguido. E o mesmo tempo foi perseguidor imbatível das metas traçadas, dos planos sonhados. E o tempo que ficava, ficava retido invólucro na caixa secreta do coração para ser aberta um dia na janela da saudade. Foi um tempo que no seu saldo, nem positivo nem negativo, foi simplesmente vivido, foi simplesmente um tempo real...

Foi um tempo. Foi um tempo que virou história, memória viva da roda viva do tempo da vida. E o mesmo tempo que um dia fora perseguido, almejado, traçado, sonhado, surrado e vencido é o tempo que gostaria de ver novamente passar feito rio que corre pro mar, a refazer caminhos. Foi um tempo que ficou pra trás, fez raízes, fez poesias, plantou esperança, regou sementes. Foi um tempo cultivado no passado, regado na lembrança. Foi um tempo que foi, não volta nem nos dá a chance de trilhá-lo outra vez...

Foi um tempo bom...
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