terça-feira, 11 de novembro de 2014

Pensamentos em deserto



Na preguiça do pensar,
Só me resta o pensamento
Tudo me cerca, eu me cerco
Tudo me cega, eu me cego

Sou de outro mundo, de outra galáxia, qual?
Sou de mim, sou de tu, sou de nós, sou de vós
Sou verbo, sou ação, intransigente,
Sou, sei lá, entende?!

Rebusca-me o pensamento
Visões são o tormento
Estou embriagado com o exagero
Estou desanimado com esse desespero

O frio é solitário, neste deserto vazio
A plateia é gélida, de graça sombria
Os aplausos são máscaras
Os olhares são lápides

Estou morrendo aos poucos, esse é o problema
Sem a pergunta, busco uma resposta para o dilema
A construção com a qual se preocupam é a da aparência
Enquanto aos poucos extinguem com a essência

As lutas que travam são pela posse, pelo poder
Enquanto sufoca-se a possibilidade de ser
Erguem-se superficialidades, muros, muralhas e mansões
Derrubam-se pontes e não se constroem relações

É o mundo, imundo, mundano
O profano sem sagrado e o sagrado no profano
Uma engrenagem mecanicamente viva
Permuta diária pela sobrevivência típica

Selva de humanos desalmados
Lobos solitários, vampiros e aloprados
Vou meter nas ideias um capacete
E sair por aí, tomar vento e sorvete

Deus me livre da maldição do protocolo
Quero minha vida de volta, sem culpa nem dolo
Corro pra longe dessa vida de concretos
Quero água, terra, verde, ar puro e céu aberto

Quero uma rede na varanda pra cantar ao som da lua
Uma fogueira pra aquecer e clarear, e trazer lembrança sua
Meu violão vai tirando ao fundo uma canção
São saudades, são verdades, alegria e solidão

Cantarei ao tom das lágrimas, ao poeta, meu profeta
Partirei em cada trem até chegar à estação certa
Quero a brisa, a vida plena, porto seguro pronto e certo
Quero a paz em abundância no silêncio do meu deserto

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