quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sinais


Não sei como realmente descrever cada detalhe dos dias que aguardamos pela minha mãe. Só sei que não canso de falar, ou melhor, de escrever. Cada momento, os de esperança ou desespero e incerteza, foi importante, mas, só agora, aos poucos, tentamos contemplar com gratidão e alegria a dimensão desses dias todos.

Sem querer ser redundante ou repetitivo no recontar dos fatos, algumas coisas gostaria de ressaltar mais uma vez. Vale a pena lembrar, degustar e novamente agradecer a Deus, a Nossa Senhora de Aparecida e às tantas orações que chegaram até minha mãe.

23/11/14 - O dia, ou melhor, a noite que minha mãe sentiu mal e foi socorrida por meu cunhado e alguns vizinhos em Brasilândia. A notícia veio através de minha irmã, pelo celular. Noite tensa, de terrível espera por notícias.

25/11/14 - No hospital de João Pinheiro, aguardando pela liberação da transferência para Uberlândia, caminhando pelo corredor deparo-me com uma Ministra da Eucaristia trazendo a Hóstia Consagrada. Suas palavras ressoam até agora ao meu ouvido: "Jesus vem lhe dar um abraço!" Continuei a caminhar rumo à saída mas acabei voltando e participando da celebração. Enquanto estava de joelhos, no momento do Pai-Nosso, minha irmã vem ao meu encontro e diz que só aguardávamos pela ambulância e a enfermeira que acompanharia na viagem. Vencido o primeiro obstáculo. Jesus Eucarístico se fez presente e nos deu o primeiro sinal para que não perdêssemos a fé.

26/11/14 - Madrugada no Hospital das Clínicas em Uberlândia. Corredor, sala improvisada, enfermaria dividida por 10 pacientes à espera, cenas e mais cenas. Enfim, o leito 112. Não sou adepto à numerologia, nem a superstições, mas, particularmente gosto do número 12 por que em outubro, nesse data, celebra-se o dia de Nossa Senhora de Aparecida e em dezembro o dia de Nossa Senhora de Guadalupe. Ambas, repletas de mística, devoção e Fé. O quarto 112 nos propiciou diversas amizades com outros pacientes e seus acompanhantes. Foi uma boa estadia.

08/12/14 - Segunda-feira. Dia de Imaculada Conceição. Novamente, mais que um simpático número, uma data marcante para nós Católicos. E foi nesse dia que uma Junta Médica se reuniu para definir o procedimento cirúrgico a ser adotado para dona Claudete. Com toda intervenção Divina e as orações de muitas pessoas, agendaram a cirurgia para o dia 09/12/14, as 7 horas da manhã.

09/12/14 - Passei a noite com minha mãe no hospital. Minha irmã chegou as 6:30 horas. No dia anterior pedi dispensa do trabalho para aguardar pelo resultado da cirurgia. Como só podia ficar um acompanhante, deixei minha irmã e voltei para o trabalho. As 16 horas voltei para a Medicina. Ela entrou para o centro cirúrgico as 9 horas da manhã e saiu as 18:15 horas. Nove horas e quinze minutos foram necessários. Sob a maca no corredor, companhada por duas enfermeiras, conseguimos falar algumas coisas. A cena era triste, pois ela estava sedada. Ainda assim, respondia com alguns sinais. Acompanhamos até a UTI. Estivemos alguns minutos e depois nos pediram para sair. Sua cabeça estava toda enfaixada. Segurei sua mão e pedi para que apertasse a minha caso estivesse me ouvindo. Ela apertou forte. Dali em diante, só aguardávamos o tempo passar. Espera torturante. 

10/12/14 - Foi uma noite de agonia. Esperar por notícias até as 15 horas desse dia seria uma eternidade. Junto com meu filho Felipe, passei por este deserto escuro e de medo. Algumas Ave-Marias foi o que consegui rezar depois de pedir a Deus pelo restabelecimento de minha mãe. Antes, o máximo que eu fizera foi o Sinal da Cruz. Não conseguia sequer cochilar. Chorei muitas vezes. Com a Cinthia, minha irmã, não foi diferente. Enfim, a hora de se levantar. Eram umas 13 horas quando meu celular tocou. Eu estava atendendo um cliente. Alguém da UTI do hospital solicitava minha presença para acompanhar a transferência da minha mãe para o leito normal. Não acreditei! Como que alguém após uma cirurgia de mais de 9 horas fica menos que 24 horas na UTI? Pensei o pior e que não queriam comunicar pelo telefone. Liguei para a Cinthia que imediatamente esboçou alegria pela notícia. Percebi que ela não notou minha preocupação. No caminho, questionei minha fé e repensei sobre a alegria de minha irmã. Será que eu estava sendo o "Tomé" da vez? E minha irmã, acreditou sem ter visto nem ouvido a notícia? Enfim, preciso rever meus conceitos e principalmente minha fé. Chego primeiro no hospital e subo para o quarto andar, local onde havíamos deixado nossa mãe no dia anterior. Identifico-me e após alguns minutos sou convidado a ir vê-la. Pensei que a cena seria a pior das piores. Mas, para que minha fé se restabelecesse, para que eu cresse, para provar o quão somos frágeis diante das intempéries da vida, eis que sou presenteado com minha mãe, de olhos bem arregalados e com um belo sorriso a me esperar. Ainda recebo uma bronca de brinde. Cobrou-me por não tê-la visitado antes (rs). Chorei na sua frente e foi ela que me consolou dizendo pra que eu parasse. Eu disse apenas que minhas lágrimas eram de felicidade. Minha irmã chega e aguarda ao lado de fora. Nos abraçamos e seguimos acompanhando até o novo leito, o 147.

12/12/14 - Para nossa surpresa, nesse dia de Nossa Senhora de Guadalupe, nossa mãe já estaria apta para ter alta, porém os médicos preferiram esperar até segunda-feira, dia 15/12. E foi neste dia que retornamos para casa com nosso maior "tesouro". 

Esses foram alguns marcos, dentre tantos outros que tivemos desde o dia 23/11/14.
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