segunda-feira, 25 de março de 2013

A Rainha e o Cavaleiro mascarado



Ao som de uma melodiosa valsa, num castelo de sonhos, encontra-se uma rainha que anseia em seu coração o antídoto para tamanha tristeza: a dor de não encontrar um grande e verdadeiro amor!

Caminha solitária. Distraída em pensamentos longínquos que idealizam a chegada, a qual seria toda regada de um sentimento platônico, daquele que a cuidará em seus ternos e eternos dias...

Numa noite de clara lua, céu estrelado, ouve-se o som de um cavalgar compassado, cada vez mais forte a se aproximar de sua janela.

E eis que o mesmo lamentar, recitado por um cavaleiro mascarado, por ora sentado numa rocha enquanto seu cavalo a pastar à margem da lagoa é assistido, expressa a dor de sua solidão em poema desordenado e notas refinadas que mais parecem um triste diálogo com o invisível:

"Quero o beijo que ainda não senti
O abraço que não alcancei
O toque que superficial na mão se fez 
E a vontade de te reencontrar aqui mais uma vez...

Rainha, minha rainha!
Ainda te roubo para mim!
Que seja no sonho!
Que seja por um instante!
Que seja num beijo...

Sou nada mais, nada menos que um poeta,
Que já viveu e morreu amores impossíveis
Em tempos difíceis...
Por isso essa busca,
Essa sede de amar e e ser amado...

Amor incondicional
Um sonho... poesias que me aliviam
Sou um homem mascarado pela dor
Sem um baile de máscaras para compartilhar o amor

Já me tornei, alem de poeta,
Teu súdito!
Beijos que jamais senti igual...
Ma que sonho com eles
A cada instante que meus olhos permitem enxergar...
Então vem!..."

Enquanto o cavaleiro suspirava entreolhando a lua no céu e seu reflexo na lagoa, sente um caminhar sutil em sua direção se aproximando. Era ela, toda de branco, em trajes de leito e cama que mais pareciam um desfilar em noite de gala, eloquente rumo ao desconhecido que já se parecia tão peculiar, tão familiar.

"Não resisti tão belas pronuncias, disse a rainha, sem se identificar como tal! Não contive o ímpeto de olhar nos olhos já sem máscaras do portador de um coração tão vil, tão puro, tão homem, tão sonhador e ao mesmo tempo tão real... Tuas falas, poéticas e  desordenadas, descreveram o que também carrego e sinto em meu íntimo. Donde vens, poeta real que se faz homem sob minha janela?" 

"Sem saber teu nome, vejo o brilho dos meus olhos através do brilho dos teus, exclamou o cavaleiro. Sem querer atrapalhar a noite e o repouso de tão bela dama, que nem imaginava existir por sobre este regaço, coloquei-me a lastimar aos ventos, ao tempo e aos Céus, que ouvissem esse meu apelo, o de um coração que não se cansa em vão procurar um amor para amar e ser amado... Serias tu, o meu pedido realizado? Serias tu, o meu sonho materializado? Serias tu, a dona do amor que me faria amado? Serias tu, a profecia da oração concretizada?" 

"Sim! Teus olhos... eu me vejo neles!" Respondeu a rainha.  

Num abraço intenso, em meio à paisagem romântica que o destino lhes proporcionara, um beijo sela o encontro tão esperado, tão sonhado, numa noite de enlaces místicos e inexplicáveis que todo coração espera por um dia se descompassar...

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