sábado, 30 de março de 2013

Pai, Pão e Perdão



Tomei coragem. Na verdade, caí na real. Era necessário despojar-me do orgulho. Ouvi as vozes dos mais próximos que, como bem entendemos, são a imagem e semelhança do Pai. 

Chamar ao Deus de Pai e cultivar a mágoa pelo irmão. Era isso, apenas isso! Incoerente?! Sim e muito! Partindo da necessidade de livrar-me daquele mal, daquele fardo que já não havia porque ostentá-lo em forma de troféu, ouvi a voz de Deus ressoando e fui à luta!

Até então, havia eu comprado uma briga política desde a última eleição para prefeito e vereador. O meu apoio foi direcionado para uma candidata que não alcançou o número suficiente de votos e portando não está lá dentre os elegidos. Fato interessante é que foram várias brigas compradas e por fim, após o período das eleições, o distanciamento se deu. Sabe-se lá o porquê! 

Não havia mais motivo para continuar alimentando minha raiva pelo desafeto político, que ao meu ver, na época, posicionou-se de uma forma e por motivos próprios agiu de outra... Não cabe explicação! Agora cabe comemoração pelo desenrolar da história! 

Foi um papo de porta de padaria. Na confeitaria do Edson, estávamos lá eu e a Francisca. Ouvi atentamente e tanto pela coerência cristã como pela social, dei razão aos fatos. O então, pastor Cláudio, vem desenvolvendo um bom trabalho como presidente da Associação dos Moradores de Bairro do Tocantins, aqui em Uberlândia - MG.

No mesmo instante o procurei, mas acabou que não o encontrei. Alguns dias depois fui à sua loja novamente e mais uma vez não estava. Minutos mais tarde retornei e dessa vez nos falamos. O assunto inicial, para quebrar o gelo, ocorreu por conta da manifestação que algumas pessoas fizeram diante da nefasta presença do Deputado Pr. Marcos Feliciano nas imediações deste bairro. Seguimos falando do Papa e também do nosso querido Frei Geovane, que por sinal, já tem a admiração do Cláudio. 

O assunto mais importante então aconteceu. Expus, à minha maneira, mas sem arrogância, o motivo real da adversidade tão expressada pelo olhar, que por vezes aconteciam quando nos cruzávamos pelas ruas do bairro ou nos deparávamos em encontros realizados pela AMBATO (Associação dos Moradores do Bairro Tocantins). Cláudio entendeu e por sinal achava que era por outro motivo, mas não ligado à política. Selamos ali, não só a paz, mas o recomeço e o compromisso de trabalhar cada um à sua maneira por uma sociedade melhor. 

Do "Pai", o Deus Criador, fomos direto para o "Perdão". Quem precisava perdoar era eu. Precisava perdoá-lo de uma coisa que carregava e que já não valia a pena. O motivo já fora esquecido e as pessoas que eu defendia já haviam deixado claro o valor da minha amizade através da distância que se deu. Cláudio nem sabia disso, mas eu sim, sabia que precisava dispensar o fardo da mágoa... Num abraço reforçamos a vontade da luta!

Seis dias se passaram e eis minha surpresa: recebo um telefonema do meu ex-desafeto político. "Estou chegando na sua casa para entregar-lhe algo." Abro o portão e já o vejo descendo do carro. Foi uma conversa amistosa de irmãos recém descobertos que tiveram seus caminhos entrelaçados em algum ponto da história, da vida e da Cruz. Recebi um livro "católico" de presente. Que surpresa! Ele se deu ao trabalho de me agradar com algo da minha própria religião!... 

E nesse bate-papo de conhecimento e reconhecimento selamos o início de uma nova caminhada, seja de companheiros, seja de irmãos, seja política, seja social mas que seja justa e para o bem de todos! O desfecho desse reencontro se deu na cozinha da minha casa. Lugar santificado onde reunimos para partilhar o "Pão" e cear com amigos e irmãos.

Pai, Perdão e Pão.

Quaresma, tempo de conversão,
De oração e de paz entre irmãos!


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