terça-feira, 17 de novembro de 2015

Águas profundas

 

Ousar.
É um risco.
Fincar os pés na areia e não partir também é.
Manter-se firme no reduto conhecido, por medo das ondas, é uma opção.

As águas são perigosas mas, também, são apaixonantes, viciantes.
Somente através delas se pode conhecer outras terras, outros céus, outros saberes.
Porém se, por medo dos riscos, não se ousar, a sentença é morrer intacto.
Intacto na inexperiência, no saber restrito, no sonho não contemplado.

Há quem consiga apenas molhar os pés nas águas, mas quando a onda vem mais forte, afasta-se.
Há quem tente ir mais além e ao se dar conta da distância da terra firme, o desespero o sucumbe a voltar.

Há então os que se lançam em águas mais profundas, superam as ondas, conhecem outros mares, outros ares, outros saberes, novos recantos.
Estes não se cansam das águas, nem do tempo e das dificuldades, uma vez que o que se adquire quando se lançam são, no mínimo, uma experiência e um conhecimento novos.

A dificuldade encontrada por quem não se permite experimentar novos saberes, nem ao menos se quer conhecê-los, se dá pela diretriz incorporada de que não existe nenhuma outra verdade que aquela que adotou para si.

Lançar-se em outras águas não significa negar sua origem ou abominar o que lhe incutiram.
Ao contrário, é dar-se a oportunidade de agregar outros conhecimentos e experimentar outras fontes.
Fundamentar-se em seu reduto consagrando-o como único viés plausível e capaz e desprezar o que não se conhece, é prática fadada ao ócio por medo.

Ninguém se constrói sozinho.
Arriscar é preciso.
Ousar, mais ainda.


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