terça-feira, 19 de abril de 2016

A morte orquestrada pelo sinédrio

Havia um propósito. A missão foi cumprida com suor, lágrimas e sangue. Seu destino? Morte de cruz. Antes porém, muita tortura, insultos, cusparadas, chicotadas, bofetões e um bando de carniceiros que representava a moral. Pessoas de destaque na sociedade que tinham peso em suas falas, mesmo se fossem falsas.

A última ceia é o ápice. Referência maior do amor e da caridade. Despojamento total de Si. Entrega. Ali, seus amigos, traidores e covardes, partilham o pão e o vinho. Angústia que precede o medo. Dor maior ao receber o beijo. A emboscada estava armada. Começaria então o Seu calvário.

O processo que resultou na morte de Jesus estava amparado pelas leis. O episódio orquestrado pelo sinédrio foi uma conspiração para calar a voz Daquele que questionava as leis de seu tempo. Homens do poder nunca admitiram que um filho de carpinteiro tivesse tanto conhecimento de causa e ousadia nas palavras. Todas as vezes que tentaram fazê-Lo cair em contradição o Moreno de Nazaré os deixava perplexos com sua sabedoria.

De Pilatos a Herodes, de Herodes a Pilatos, Jesus foi ultrajado e humilhado. O povo foi incitado a clamar por sua morte. Os mestres da lei tinham essa maestria. Eram políticos, sumo sacerdotes. Entre um bandido condenado e um revolucionário que dizia a verdade e questionava as estruturas políticas e religiosas, optaram pela soltura de quem já estava impregnado pela corrupção. O filho do carpinteiro seguia rumo ao seu martírio.

A morte de Jesus foi também um evento portentoso para servir de lição a todos os que pudessem atentar contra a lei. Nada poderia depor contra a lei e os que a representavam. Haviam questões políticas, sociais e religiosas envolvidas. Abrir os olhos do povo à justiça e conduzi-los à sua liberdade, direito divino por sinal, era um perigo real.

Em extrema força os soldados abriram seus braços e o pregaram sobre a cruz. Fato que olhares românticos não enxergam e pensamentos mágicos não percebem. Torturado e questionado até o último instante, ainda assim não voltou atrás em nada do que havia dito. Honrou sua palavra até o fim. 

A conspiração armada visava manter a estrutura de poder intocável. Se o descrédito às leis da religião se entranhasse no meio do povo aqueles doutores da lei, sumo sacerdotes ornados de pompas, orgulho e vaidade, estariam literalmente sepultados vivos em suas túnicas. Acreditaram que calando o "Profeta do povo", o líder, tudo deveria voltar ao seu devido leito. Essa era a ideia. Porém, a história mostra que as palavras desse revolucionário e libertador ultrapassaram séculos e continuam ecoando a todo tempo. 


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