segunda-feira, 4 de abril de 2016

Tomé tocou ou foi tocado?

(Reflexão inspirada na homilia do dia 03/04/16,
por Frei Geovane Santiago - Jo 20,19-31)

E de repente, a única esperança que lhes restava, justamente a palavra Daquele que revolucionara suas vidas, foi estremecida e dissipada com Sua morte de cruz. Imagina-se o quão perdidos ficaram os discípulos! Mesmo tendo convivido diretamente com o Jesus de Nazaré, escutado Seus ensinamentos e presenciado Seus milagres, ainda assim a fé desses seguidores mais próximos foi totalmente abalada. Nada mais importava pois a única voz que lhes dava sentido havia sido calada...

"A paz esteja convosco!" A tristeza foi quebrada e deu lugar à alegria quando Jesus pronunciou estas palavras. Os discípulos reunidos a portas fechadas, por medo de perseguição e retaliação, uma vez que os seguidores de Jesus ficaram mal vistos na sociedade principalmente após Sua morte, foram surpreendidos. Ele apareceu no meio deles e após a saudação mostrou-lhes as mãos e o lado. A tristeza se dissipa com a alegria do reencontro e o medo é superado por uma encorajadora exortação.

Nesta aparição de Jesus, Tomé, um dos doze, não estava presente. Os outros discípulos contaram-lhe depois mas ele não acreditou. Dídimo, nome pelo qual Tomé também era conhecido, carregado pela tristeza da morte de Jesus, por quem havia depositado toda a sua confiança, frustrado pela ausência Daquele que trouxe-lhe uma nova razão para a vida, foi além nas palavras: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei."

Tomé carrega muito mais do que tristeza em seu coração. Traz também a angústia, o medo e principalmente a frustração pela morte Daquele que sempre teve palavras de vida nova e prometera a vida eterna. Talvez ele imaginasse que o desfecho deveria ter sido outro por parte do Homem que se dizia Filho de Deus. Talvez, em certos momentos, tivesse sentindo-se enganado. E tudo isso fez com que suas palavras fossem tão carregadas de mágoa e dúvida. Uma mágoa que causava-lhe incômodo e aguçava-lhe a esperança. Uma dúvida que maquiava o desejo de que a notícia fosse realmente verdade. 

Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa. Desta vez Tomé estava presente. Portas fechadas e Jesus pôs-se no meio deles. A saudação, como de costume e depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel." Nenhum relato de que o incrédulo discípulo tenha tocado de fato em Jesus como havia dito aos outros que faria. O mais longe que podemos pensar sobre sua reação é que a tristeza, mágoa, dúvida, incerteza, medo, tudo se dissipa diante do ressuscitado.

No contra ponto desta narrativa algo sublime renova o coração fragilizado do discípulo que tivera sua fé abalada. Jesus vem ao seu encontro. E apesar da ausência de relatos sobre a aproximação de fato, notoriamente a simples fala de Tomé mostra o quanto fora tocado por Jesus. Talvez tenha sentido-se envergonhado diante do Mestre. Talvez, não contivera as lágrimas. Talvez, quisesse ter falado mais neste encontro, talvez... Mas, a chegada do ressuscitado simplesmente apazígua seu coração e devolve-lhe a fé: "Meu Senhor e Meu Deus!"
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