sexta-feira, 8 de junho de 2012

Refém do tempo e da espera

"...Quando somente lhe sobra a espera
Num tempo em que tal sobra é dor
Num tempo em que lhe falta mais que o amor
Lhe falta um olhar de compreensão
Ouvidos e atenção

O olhar triste que encontro pelos cantos
Já marejado, cansado e repleto de desencanto
Homens e mulheres que tiveram renome entre os seus
Sucumbiram ao tempo, ao desgaste, à velhice
E hoje são refens do tempo e da espera

Na pele, ja mais que sensível
As calejadas mãos que se apoiam nos outros
Os pés que já pisaram tanto lugares
Agora depende de direção e de outras vontades que não a sua
Acabam por pleitear mais que um dia de vida, a travessia final

A tristeza que assola no olhar de quem tem nos ombros
Histórias que se entrelaçaram na sua
A tristeza que agoniza calada, inconsciente, no silêncio desse tempo
Sufocado pela espera de sabe-se lá o que
Vidas esquecidas pelo seu próprio sangue

A dureza que se retratam os nossos idosos
Sufocante estorvo que se sentem
Rezam muitos pra que a luz se acabe de vez em seu olhar
Gemem a ausência de sua gerações
Simplesmente choram calados, na deprimente área que os sobrou

Deus queira e olhe por nossos velhos e velhas queridos
Um dia lá estaremos com os mesmos passos e ausência de destreza
Deus tenha compaixão e abra os olhos de todos os que ainda tem este tesouro vivo
Que nossa estadia, antes dessa travessia, antes do último trem chegar
Seja de olhar, atenção e amor voltado a quem sempre esteve ao nosso lado!"

Ailton Domingues de Oliveira
08/06/12
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