segunda-feira, 6 de junho de 2016

Roupagens e rupturas

"Fora da igreja não há salvação!" Segundo consta essa antiga frase foi pronunciada por Agostinho de Hipona, considerado santo e doutor pela igreja católica, e repetida ao longo dos séculos por outros nomes como por exemplo o papa Bonifácio VIII, no ano de 1312. O passar dos tempos manteve esse pensamento solidificado nas estruturas institucionais e deu base e força para muitos líderes agirem contra os que discordavam dessa santa verdade. Matar em nome de Deus nunca foi pecado na história, pelo contrário, sempre foi muito bem justificado.

A igreja em si não é a salvação. Ela pode ser um caminho escolhido para ser seguido, dentre tantos outros, até a tão desejada salvação. E todo o caminhar deve ser livre e proporcionar o rompimento das amarras que impossibilitam o crescimento de cada ser. Uma igreja que não promove a libertação está sendo alienante.

Se fosse apenas através da igreja que alcançássemos a salvação, o que aconteceria com tantas outras pessoas de seitas, filosofias, religiões distintas ou ateias? Afinal, sabemos, que fora da igreja existem pessoas "boas" e dentro delas existem pessoas "falsas". Portanto, o caminho de salvação é e deve continuar sendo individual. Não há regras celestiais para uma salvação garantida.

Tudo o que os homens tentaram justificar até hoje, no que tange a salvação eterna, foi a partir de uma experiência individual. Experiências individuais não refletem uma verdade absoluta para o coletivo. Cada pessoa terá um sentimento e um olhar diferenciado, sempre. Assim sendo, o caminho percorrido por um indivíduo não poderá ser o mesmo que garantirá a "salvação" de terceiros.

Somos livres. Isso é bíblico. É preciso respeitar a individualidade, a opção, a escolha de cada ser. Nascemos numa sociedade engessada por estruturas sociais, políticas e principalmente religiosas. Somos praticamente obrigados a aceitar e seguir sem questionar. Indagações são mal vistas. Opor-se ao sistema imposto é mal interpretado e quem o faz está sujeito a condenações várias, inclusive o fogo eterno.

O que se sabe até hoje, é que ninguém, até então, é detentor de uma verdade absoluta. Prefiro uma alteração no conteúdo do pensamento de Agostinho, pensada por um religioso espírita: "Fora da caridade, ou seja, fora do amor não há salvação". Será que vou poder continuar na minha religião após essa adesão de pensamento? Ou estarei fadado à condenação eterna por heresia?

E, das roupagens impostas, confesso, andarei nu, pois a ruptura se faz necessária. E mais, não é a igreja que salva mas as atitudes de cada um...
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