sábado, 21 de maio de 2016

Cartas em Tempos (III) - Das matas


"A guerra por aqui é desleal.
Acredito que não há honestidade no fronte, na trincheira, no sertão e nas matas.
Guerra é um jogo de interesses em que um dos lados quer tirar proveito do que não lhe pertence.
Nosso legado aqui é apenas cuidar.
Cuidar de tudo, do verde, das águas, dos bichos, da gente do nosso povo.
Mais do que tomar as nossas terras querem extinguir a nossa gente.
Somos encalço para o progresso de poder dos latifúndios e políticos.
Somos a última fronteira entre os civilizados da ganância e o que nos restou de vida nesta terra.
Caro soldado, caro sertanejo... todos somos guerreiros de tribos distantes.
Um dia entregaremos nosso espírito e o nosso corpo tombará no berço da mãe terra.
Deus aqui está em toda natureza.
A dignidade está em honrar nosso legado, nossa terra, nossa raça, nossos ancestrais.
Somos caça, presa fácil, e desconhecemos a cara de nosso opressor.
Nosso chão é vermelho, pelo sangue derramado em nome do poder.
Queremos paz.
Guardamos a terra.
Não queremos guerra.
Desejamos paz.
Irmãos de outros mundos, outros cantos, outras guerras...
Essa luta é eterna... 
E a esperança também."
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