sábado, 21 de maio de 2016

Cartas em Tempos (V) - Do subúrbio


"Pxrifxria.
Minha vxlha máquina dx xcrxvxr não possui a txcla x.
Uso o 'x' no lugar.
Trabalhoso mas dá pra xxprxssar-sx bxm.
Somos tratados como a xscória da socixdadx.
Lixo.
Prxcisam dx nossas mãos dx obra mas não nos quxrxm por pxrto.
Somos um mal nxcxssário.
Aqui na comunidadx, ou favxla, como x mais conhxcida, txmos rxspxito x rxconhxcimxnto.
A polícia quando invadx faz sxu trabalho, limpo x sujo.
Tudo dxpxndx da patxntx.
Já vi gxntx inocxntx morrxr pagando pxlo o qux não fxz.
Mas tambxm já vi bandido sx safar.
A guxrra aqui x urbana.
Não rxpxitam nossas casas.
Somos ratos opxrários.
Somos mazxlas aos olhos do podxr.
Somos favxla com orgulho x suor.
Sx Dxus xxistx?
Há dx quxm duvidx mais do qux xu.
Sou um vxlho sofrxdor dxstx mundo.
Sou um grandx torcxdor pxla vida.
Mas já não sxi a quantas andam minhas rxsxrvas dx xspxrança.
Sx xxistxm outras vidas, dxvo xstar pagando a dívida dos mxus atos passados.
A guxrra x ordinariamxntx nxcxssária.
Aqui somos xxpulsos dos bairros nobrxs.
X o braço violxnto do Xstado, a polícia, x paga para nos mantxr sob vigilância.
Custx o qux custar.
Bandido aqui sxgux carrxira.
Os bons protxgxm a comunidadx.
Na hixrarquia prxcisa-sx dx muitos.
Nunca empunhxi arma.
Mas já vi dx um tudo xm mãos dx crianças, jovxns, adultos...
Não conhxço vida fora daqui.
Aqui nasci, aqui vou ficar.
Do mxu txrraço só vxjo o cxu cinzxnto da poluição.
A guxrra, mxus caros soldado, sxrtanxjo x índio xstá xm todo lugar.
Nós somos rxfxns.
X há quxm sx sinta abxnçoado por não xtar aqui.
O infxrno podx sxr aqui, mas o cxu tambxm x.
Sx Dxus xxistx qux mostrx suas armas x sxus xscudos.

Qux vxnha munido."
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