terça-feira, 24 de maio de 2016

Cartas em Tempos (XII) - Da guerra


"A guerra sempre foi necessária para a economia. 
A própria igreja já tirou proveito disso. 
Está na história. 
Porém a maior guerra sempre aconteceu no interior, no coração. 
O ego de cada um foi o algoz. 
A ganância desmedida foi a catapulta, a bala não perdida e com direção certa.
Hoje, foi preciso recuar nossa tropa.
Perdemos muitos homens nesta batalha.
Ouvi comentários de que um cessar fogo estava mantido.
Mero engano.
Talvez esse cessar fogo foi mais uma jogada para os holofotes mundiais.
Aqui o chumbo continua sem trégua.
E nessas cartas que escrevi e também li encontrei mais do que palavras, encontrei vida.
Acredito assim que nem tudo está perdido.
Já consigo sonhar com meu retorno.
Sei que muitos fantasmas de guerra irão me perseguir.
Mas muitas experiências de amizade também.
Quanto mais a morte me ronda mais que quero sair daqui.
Confesso, quando cheguei neste lugar não tinha nenhuma perspectiva de sobreviver.
Uma porque aqui estou sujeito a morrer a qualquer momento, outra porque havia perdido toda e qualquer esperança.
Minha vida tinha perdido o sentido.
Quanto a você, meu velho guerreiro do subúrbio, obrigado pelas palavras de vida e sabedoria.
Teu legado continuará em cada um de nós, em nossos corações...
Vai em paz, velho sábio.
Tua vida não foi em vão!"
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