terça-feira, 3 de julho de 2012

Reservas da Vida...

"Hoje, daria tudo por um puxão de orelhas dos meus avós
Um grito da minha mãe no pé do ouvido,
brava por eu ter deixado os chinelos fora do lugar
E a toalha em cima da cama...
Sentiria feliz, restabelecido, confortável,
por ver meu pai adentrando a casa na hora do almoço
E ver meu avô chegando do seu trabalho no final da tarde,
subindo a rua devagarinho com seus pertences na mochila
E o meu outro avô levantando cedinho pra fazer o café.
Minha avó me chamando e chamando, já brava,
pra eu levantar e me aprontar para a Missa de domingo
E minha outra avó preparando a macarronada de domingo
E o frango de panela... As asas eram só minhas!

Hoje, muita coisa não faria de novo...
Brindaria mais e mais a cada vez que sentássemos ao redor da mesa
Momento sagrado que marca e envolve a família no seu seio
Tiraria as meias suadas dos meus avôs sem reclamar
E faria mais, lavaria seus pés em sinal de amor e respeito.
Ajudaria minhas avós no preparo das refeições
Cantaria músicas enquanto a família não se reunia
Ao som de um violão invocaria a presença de Deus...
Talvez, não fizesse muita diferença
mas estaria mais e mais e mais perto...

Hoje, só queria sentir o cheirinho de vó
O carinho de vô
A segurança de mãe
E a fortaleza de pai

Muita coisa já não é mais possível
Mas, na missão que a vida ainda reserva
Levo cada lição, cada lágrima,
A dor da ausência e a saudade
No fundo do coração
E o transmito na maior emoção
Ao meu eterno legado,
Presente de Deus,
Eternizado em meu filho..."

Ailton Domingues de Oliveira
03/07/12
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