terça-feira, 26 de julho de 2016

Do simples, do rústico e do improviso

No improviso das calejadas mãos
Teciam-se remendos, arranjos 
Enfeites e ferramentas 
Nada se perdia, nada se desperdiçava
Tudo se transformava, tudo se aproveitava
Não existiam problemas, tudo se ajeitava
Pobres segundo os conceitos da cultura social 
Mas com uma riqueza que não se encontra por aí
Nos altos escalões da nobreza moderna
No quintal havia variedade de frutas, folhas e legumes 
Pelo dom de suas mãos...

Tão rústico quanto bruto 
Sangue quente nas veias e de poucas palavras 
Tão caipira quanto amoroso 
Pavio curto e dedicado
Crescido na roça, sofrido na vida
Não esmorecia pelo penoso passado
Importava com seu recanto
Sua casa, suas obras
Sua companheira, sua família
E comigo, seu neto...

Do simples
Tão simples quanto a prosa
Que de tão prosa se fez verso em meus ouvidos
Lateja no peito e na alma as lembranças
Tão simples quanto a vida poderia ser
No antigamente daquele tempo
Em que existia também uma prosa que se tecia a dois 
E continha nela aquele amor de respeito
Naquela casa que se fazia reza e novena
O almoço de domingo depois da missa
Ali, tão perto do coração
Lá, tão longe das minhas mãos
Para o que não se tinha, tinha o improviso
Para o contraposto do pronto, havia o rústico
E para me fazer contemplar a vida, apenas o simples...

Ao som de uma moda de viola
Meu coração percorre longe
Passando pelo jardim das rosas
Das primaveras
Entrando pela porta da sala
Atravessando a pequena cozinha
Em direção ao quintal
Meu pé de ameixa
Que fora o avião das minhas brincadeiras
O gramado que fora o mar
A terra em que construí castelos
Então, volto sujo do quintal pro bom banho
Dali pra janta tão mais simples e saborosa
Um pouco de sala, causos e mais prosa
Até partir pra cama em quase tarde da noite
Enfeitada com a colcha de retalhos pelas mãos dela
As mesmas mãos que se me espera a tua benção...





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